Dante
O eco dos meus passos reverberava pelo corredor enquanto eu voltava do escritório, a raiva ainda pulsando em minhas veias como veneno. Emma. Aquela garota era um incêndio que eu não conseguia apagar, uma chama que desafiava cada regra que eu impunha. Encontrá-la no meu escritório, os dedos pairando sobre meu computador, havia acendido algo em mim — uma mistura de fúria e fascínio que eu não queria nomear. Sua desculpa de brincar de esconde-esconde com Luca era frágil, mas a voz do meu filho, rindo pelo corredor, confirmara sua história. Ainda assim, eu não era tolo. Ela estava procurando algo, e isso me deixava inquieto.
Sentei-me na poltrona de couro do meu escritório. A cicatriz em meu rosto parecia arder, um lembrete constante do preço que pagara por confiar nas pessoas erradas. Anos atrás, o “acidente” que tirara minha esposa e quase levara Luca não fora obra do destino, mas de mãos traiçoeiras — mãos que eu ainda caçava. Esconder Luca do mundo era minha única forma de prote