Mundo ficciónIniciar sesiónVinícius Strondda está a um passo de assumir o lugar mais poderoso da máfia. Mas tudo desmorona quando ele descobre a traição da noiva — a mulher que deveria garantir sua ascensão. Consumido pela raiva, ele não perdoa. Ele a mata. Mas isso cria um novo obstáculo: sem uma esposa, ele não pode assumir o poder. Preso entre a coroa que sempre foi sua e a regra que o impede de conquistá-la, Vinícius está à beira de perder tudo… até que ela aparece... Lucia Bianchi— e basta um único olhar para que algo nele se desfaça. Sem pensar duas vezes, decide: ela será sua esposa. Mas Lucia não é a solução perfeita. Ela não é pura como deveria ser, e já é casada. Agora, entre poder, obsessão e um segredo capaz de destruir tudo, Vinícius terá que decidir até onde vai para tomar para si uma mulher que já pertence a outro homem. — “Eu perdi o controle no momento em que te vi, Lucia… e agora não importa quem você seja ou a quem pertença. Você vai ser minha.”
Leer másCapítulo 1
Vinícius Strondda A notificação vibrou no celular em cima da mesa de vidro. Peguei o aparelho sem pressa, com a taça de vinho na outra mão, os olhos ainda voltados para o jardim do palazzo. Abri o vídeo. Demorei alguns segundos para entender. Minha noiva — a mesma que o conselho tinha me prometido desde moleque — estava deitada na cama, gemendo. Mas não era meu nome que ela chamava. Era o de um maledetto capo. Trinquei o maxilar. O cristal da taça quase estourou nos meus dedos. O vídeo acabou, mas a imagem dela continuava queimando dentro da minha cabeça. Essa puttana jurava que seria a esposa perfeita para o herdeiro Strondda, enquanto se abria para qualquer um que tivesse coragem de desafiar meu sobrenome. No mesmo instante, a porta do reduto abriu sem ninguém bater. Maicon, meu tio e consigliere do meu pai, entrou como se a sala fosse dele. — O conselho decidiu que chegou a hora, Vinícius. — Falou direto, cruzando os braços. — Assim que seu pai voltar da viagem, quer a resposta: você vai assumir o posto de Don ou vai continuar agindo como se não fosse o herdeiro da família Strondda? Soltei um riso curto, sem humor. — “Assumir” não é o problema, tio. O problema é a condição ridícula que eles colocaram pra isso. — Casamento? — Ele assentiu, como quem repete uma sentença. — A tradição é clara. Precisa estar casado antes de ser nomeado Don, oficialmente. Mostrei a tela do celular para ele. O vídeo ainda estava parado na imagem mais nojenta possível. A feição dele mudou imediatamente. — Essa é a tradição que querem pra mim? Eu nunca vou casar com essa vadia. Meu pai derrubou um aliado por tentar mandar nele, e agora querem me forçar a usar uma aliança de uma puttana? — Não estamos falando de qualquer casamento. — Maicon se aproximou, apoiando as mãos na mesa. — É estratégico, algo político. Eu me casei por uma ordem do seu pai. Olha só pra mim hoje... Estou ótimo assim. Olhei para ele e bebi mais um gole. — Estratégico pra eles, bom pra você, talvez. Pra mim, é só uma armadilha. Maicon desviou o olhar, engolindo seco. — Ela está no jardim, esperando para colocar a aliança oficial no dedo porque sabe que seu pai está pra chegar. Deixei a taça sobre a mesa e fechei o casaco preto. — Então vamos acabar logo com isso. --- O sol da manhã iluminava as rosas vermelhas alinhadas quando atravessei o corredor e cheguei ao jardim. Uma mesa comprida, meia dúzia de homens de terno, e— minha “noiva” — levantou-se com o sorriso ensaiado e o brilho de quem achava que me enganava. Um dos acionistas mais velhos e tio da maledetta, se ergueu antes mesmo que eu chegasse. — Finalmente, o princeso herdeiro resolveu aparecer. Achei que fosse deixar os negócios da famiglia para homens de verdade. O jardim inteiro pareceu prender a respiração. Parei a menos de um metro dele. — O que você disse? — Disse que, se não tem coragem de seguir as regras, não merece a cadeira que seu pai vai deixar. Fica enrolando pra casar. Imagino o resto. Sorri de canto. A mão já estava na 357. Meu disparo ecoou seco. O corpo dele tombou para trás, derrubando a cadeira. Ninguém gritou. Todos sabiam: aqui era território do Don. Se meu pai não estava, eu mandava. Guardei a pistola, limpei a mão na lapela do terno. — Que sirva de exemplo pra qualquer maledetto. Principalmente os traidores. Não é, figlia de puttana? Passei por cima do cadáver e caminhei até minha noiva. — Pensou que eu nunca descobriria? Ela ainda sorria nervosa, tentando disfarçar o pânico. — Vinícius… eu posso explicar… Encostei a arma no peito dela e curvei o rosto bem perto, o suficiente para que apenas os mais próximos ouvissem. — Explicar o quê? Como o perfume do capo rival ficou grudado na sua pele? Ou como você gemeu o nome dele enquanto deveria guardar o meu? O sorriso dela morreu na hora, a cor esvaiu do rosto. Os acionistas se entreolharam em silêncio, entendendo o que eu já sabia. — Não… não é o que você pensa… — gaguejou, os olhos marejados. — Eu posso explicar?! — Pode, no inferno. De preferência para o diavolo. Atirei. O vestido branco ficou manchado de vermelho. O corpo caiu sobre as rosas. O silêncio foi total. Até o vento parou. É claro que eu não deixaria pra depois. Aprendi desde criança... Lugar de traidor é queimando no inferno com o diavolo. --- Foi então que percebi o movimento no canto do jardim. Uma mulher corria pelo gramado lateral, contornando a fonte. Calça justa preta, blusa simples, coque bagunçado com mechas escuras e bem vermelhas escapando. Não era do conselho. Não era convidada. — Quem é aquela? — perguntei baixo a Maicon, sem tirar os olhos dela. — Não faço ideia. Com tanto monitoramento, já deveria estar morta. Ele puxou a arma, mas segurei seu braço. — Não. Ainda — ele ficou me olhando. A intrusa parou um instante para respirar, apoiando as mãos nos joelhos, sem perceber que era observada. — Tragam ela pra mim. — Ordenei. Dois soldados se afastaram da mesa e cruzaram o gramado. A mulher percebeu tarde demais e tentou fugir, mas foi agarrada pelo braço. Se debateu, chutou, xingou, mas foi arrastada até mim. — ME SOLTEM! EU NÃO FIZ NADA! — gritou. Quando parou diante de mim, seus olhos verdes me acertaram em cheio. Estava com raiva, não medo. — Soltem. — Falei baixo, tirando a 357 do bolso e lustrando no tecido da roupa. — O que acha que está fazendo? — ela cuspiu as palavras, ofegante. Dei um passo à frente, estudando o rosto delicado. — Garantindo que ninguém entra no meu território e sai vivo. — Ela olhou para todos os lados. — Eu só estava correndo. — A voz dela tremia de fúria, não de pavor. Inclinei a cabeça, meio sorriso surgindo. — Odeio mentirosos. — Empurrei-a contra uma árvore, prendendo seu braço. — Tem um minuto pra me convencer a te deixar viver. — Está louco? Eu só fugi de um cara! — Perdeu alguns segundos. Seja mais eficiente. Ela respirou fundo, os olhos faiscando. — Pulei seu muro porque é o mais alto. Achei que ninguém notaria. Só isso. É só fingir que não viu e me deixar ir embora. Passei a mão pelo corpo dela, firme, verificando se não carregava arma. — Que ragazza... — sussurrei. Alisei desde os braços até a bunda, cintura, coxas. Mamamia. Uma mulher dessas não passa despercebida em lugar nenhum. — Me solta! Me solta! — ela gritava, mas nem ouvi o que dizia. Eu só estava verificando se estava armada, mas essa puttana me deixou excitado. — Mamamia. Ela tinha a bunda farta, cheguei até as coxas grossas. — Qual seu nome? Idade? Estado civil? — disparei as perguntas. — É... Eu... — VAMOS PORRA! DIGA! — Lucia Bianchi. Vinte e quatro. Italiana. — É solteira? — ela pareceu pensar. — Sim. Sorri de canto. — Agora não é mais. Arrastei-a pelo braço e a entreguei para meu tio. — Prendam ela. Se querem casamento, vai ser assim. A noiva vai ficar presa. E eu escolho as regras. Ela começou a espernear. — Não! Eu não posso! Não vou casar! Virei as costas sem olhar. O conselho estava em choque, o jardim coberto de sangue, e eu já tinha decidido. Meu tio se aproximou e perguntou: — Não perguntou se é virgem? — Não. Tanto faz. Não sei se vou esperar até a cerimônia. — Merda! Seu pai vai nos matar. — Foda-se. Se o preço para ser Don era uma esposa, que fosse a intrusa de olhos verdes que teve a ousadia de invadir meu território. Um Strondda não pede permissão. Ele toma. — Me dêem licença... Vou verificar minha noiva de perto...Epílogo (Narrado pela autora) Chegar até aqui… nunca é simples. Mais um livro da série Strondda chega ao fim… e, como sempre, não é só uma história que termina — é um pedaço de tudo que vivemos juntos ao longo desses capítulos. Se você está aqui, comigo, até o final…obrigada. Obrigada por cada leitura, por cada emoção, por cada mensagem. Vocês fazem essa história existir tanto quanto eu. Mas isso não é um adeus. Muito em breve — provavelmente já na próxima semana — começa a continuação: “Um Don para a dama da máfia.” E antes de irmos… vamos olhar para eles, pela última vez neste livro. ... Vinícius e Lucia. Eles não são mais apenas um casal. São estrutura. São força. São família. Vinícius continua sendo o Don que impõe respeito… mas agora carrega algo diferente no olhar. Lucia mudou tudo. E Dante… selou aquilo que já era inevitável. Hoje, eles não lideram apenas um império.Eles sustentam uma família inteira que gira ao redor deles. ...
Capítulo 268 João Miguel Prass Fernandes Estaria mentindo se dissesse que concordei com o casamento com Astrid só pelo cargo de Don. Eu gostei dela desde a primeira vez que a vi. Mas devo confessar que depois que viajei pra Suécia e senti um pouco do que era ter poder, gostei muito. Como não estaria feliz sabendo que vou juntar duas coisas que pensei que seria impossível? Casar com a mulher que procurei por um tempo e ainda ganhar um cargo que jamais passou pela minha cabeça que eu teria. Na máfia, na maioria das vezes não temos escolha, mas sinto que sou um cara de sorte. Há meses eu tenho noção que ela me escolheu, mas sentado aqui nesse restaurante agora, olhando pra ela, sei que é definitivo. — Então você realmente está de acordo com tudo o que conversamos? Vai viajar comigo amanhã pra Suécia para o casamento? — ela é tão séria. Não parece a mulher que conheci. E disse umas coisas que mal entendi sobre um acordo. — Sabe... Quando te conheci você chorava
Capítulo 267 Manuela Strondda Depois de um susto. Depois de gente demais circulando, verificando cada canto, reforçando segurança, trocando códigos, ajustando rotinas, pela primeira vez desde aquele dia do chá, eu realmente senti que tudo tinha voltado ao normal. Eu estava diante do espelho, terminando de me arrumar, passando as mãos pelo vestido para alinhar o tecido sobre o corpo. O movimento foi automático, mas a outra mão acabou indo direto para a barriga. Isso já fazia parte de mim. Já me vejo mãe da nossa pequena bonequinha. Foi quando senti a presença dele antes mesmo de ouvir a voz. — Tem certeza que está tudo bem? — Hugo perguntou. Olhei pelo reflexo do espelho. Ele estava parado perto da porta, postura firme como sempre, mas o olhar… o olhar ainda carregava aquela tensão que não tinha ido embora completamente. Virei de frente para ele, cruzando os braços com calma. — Hugo… já está tudo bem. — Ele não respondeu de imediato. Apenas me observou. Suspirei
"Você nasceu no meio de uma guerra… mas vai crescer no topo dela.”Capítulo 266 Vinícius Strondda Nessa madrugada, eu estava acordado antes mesmo de Dante começar a chorar. Não sei explicar o que era. Instinto, talvez. Ou simplesmente o fato de que meu corpo já tinha aprendido a prestar atenção nele mesmo dormindo pouco. Virei o rosto e encontrei Lucia adormecida. O cabelo espalhado no travesseiro, a respiração leve, o corpo ainda cansado do parto e dos dias intensos que vieram depois. Havia algo quase sagrado em vê-la assim, finalmente descansando. Depois de tudo o que o corpo dela enfrentou para trazer meu filho ao mundo, eu não queria acordá-la por nada. Foi então que o resmungo começou no berço ao lado. Baixo, pequeno, mas suficiente para me fazer levantar na mesma hora. Aproximei-me devagar e vi Dante se mexendo dentro do cobertor, a boquinha se contraindo, os olhos ainda fechados, como se estivesse prestes a decidir se chorava ou não. Apoiei uma mão na beirada do b





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