Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa escuridão do passado, ele perdeu tudo. Na intensidade de uma única noite, ele encontrou a chance de destruir... ou se perder novamente. Pedro Ferraz um predador silencioso é um homem frio, arrogante e implacável, com um único objetivo em sua mente destruir o causador da morte de seu pai, Israel Ravena ex-sócio do pai de Pedro e causador de todo seu infortúnio, levando toda a família a miséria, causando a morte do pai de Pedro e deixando sua mãe em estado de loucura. Isabella é linda, forte, meiga, com uma doçura inexplicável no olhar, mas carrega consigo os fantasmas de um passado terrível que desconhece por completo. Quando os caminhos de Isabella e Pedro se cruzam em uma noite envolta em mistério e atração avassaladora, ela não imagina que será a presa de um jogo sombrio de um homem que deseja sua destruição... e seu corpo.
Ler maisO vento de outono soprava folhas douradas pelo chão de pedra da pequena casa em Sintra. Pedro estava sentado no velho banco de madeira que Lúcio construíra com as próprias mãos. Miguel corria pelo jardim com os cachos castanhos bagunçados, vestindo uma capa de super-herói e rindo alto, como se nada no mundo pudesse feri-lo.— Pai! — gritou, com um graveto na mão como se fosse uma espada. — Você é o vilão agora!Pedro sorriu. Levantou-se devagar, fingindo um tropeço exagerado.— Ah não! O pequeno cavaleiro voltou para me derrotar?Miguel veio correndo e pulou nos braços dele, ambos rolando na grama enquanto gargalhavam.Isabella apareceu na varanda, grávida de oito meses, com um vestido leve e os cabelos presos em um coque frouxo. Trazia dois copos de suco e um brilho sereno nos olhos.— Vocês dois vão sujar todas as roupas... de novo.Pedro a olhou como se fosse a primeira vez. Três anos se passaram desde aquele casamento, e ela continuava linda do mesmo jeito — só que agora, carregav
O sol de fim de tarde tingia o céu de dourado quando Pedro ajeitou os punhos da camisa diante do espelho. O reflexo devolvia a imagem de um homem que já não carregava as sombras do passado — apenas cicatrizes, agora limpas, como tatuagens da alma. Ele respirou fundo, os dedos trêmulos sobre o colarinho branco. Do lado de fora, vozes riam, crianças corriam pelo gramado e a melodia suave de um quarteto de cordas preenchia o ar.— Está pronto? — perguntou Lúcio, entrando sem cerimônia.Pedro sorriu ao vê-lo de terno claro, o rosto calmo, mas com os olhos úmidos de emoção contida.— Pela primeira vez... sim. Estou.Lúcio se aproximou, ajustou a gravata dele com a intimidade de um irmão.— Nunca pensei que veria esse dia. Você... casando por amor.Pedro riu, baixinho.— Nem eu. Mas depois de tudo, acho que aprendi que o amor não é fraqueza. É coragem. E ela... Isabella... ela foi meu espelho limpo. Me mostrou o que eu podia ser, se deixasse a raiva morrer.Lúcio assentiu. Os dois trocaram
O céu de Lisboa estava coberto por nuvens brancas e lentas quando o carro parou em frente à antiga casa de Clara. O bairro era silencioso, elegante, com jardins bem cuidados e varandas que cheiravam a café fresco.Isabella segurava Miguel no colo, agora maior, os olhos castanhos atentos a tudo. Pedro ajeitou o blazer, respirou fundo e encarou a porta com um misto de receio e nostalgia. Ele não via Clara desde o nascimento de Miguel. A última vez que tinham trocado palavras, ainda havia dor entre eles. Palavras não ditas, feridas cruas.Isabella pareceu sentir isso.— Você quer que eu entre com você?Pedro hesitou. Depois assentiu.— Quero.
Barcelona os recebeu com céu claro e um vento leve que cheirava a mar e pedra antiga. Era primavera, e as ruas do Bairro Gótico pareciam suspensas no tempo.Pedro desceu do táxi com Miguel no colo, olhando para a fachada da velha casa que resistia ao tempo como ele resistira à dor. Isabella saiu atrás, os olhos absorvendo tudo — os paralelepípedos irregulares, as janelas arqueadas, a varanda com plantas secas e uma bandeira da Catalunha desbotada.— Aqui? — perguntou, em voz baixa.Pedro assentiu, com um sorriso nostálgico.— Aqui.Isabella segurou a alça da mochila com uma das mãos e tocou o braço de Pedro com a outra.
Um ano depois...Doze meses desde o dia em que o mundo parecia prestes a ruir — e, de algum modo, floresceu.O sol de outono entrava pela janela da sala com a mesma delicadeza com que Miguel respirava no berço, naquela primeira noite. Mas agora ele corria pela casa, rindo alto, com passinhos ainda incertos, os braços abertos como quem tentava abraçar o mundo inteiro.Isabella colocava balões azuis nas paredes enquanto cantarolava uma música antiga de ninar. Estava descalça, de vestido leve, o cabelo preso de qualquer jeito, as bochechas coradas. A felicidade não era exagerada — era natural. Ser mãe havia mudado a estrutura do seu rosto, da sua alma.— Você acha
As sirenes chegaram às 5h43 da manhã.A ambulância cortou a estrada ainda escura como uma navalha, e levou Ravena, desacordado, com o rosto coberto de sangue e as pernas esmagadas. Eu não fui com ele. Marcelo, sim — por obrigação legal, por protocolo. Mas eu? Eu só assisti de longe, parado ao lado da mata ainda úmida, com as mãos sujas de terra e uma dor tão antiga no peito que parecia ter nascido comigo.Quando retornei, Isabella ainda estava acordada. O sol despontava pelas janelas, e o rosto dela, banhado por aquela luz tímida, era o retrato do que sobrou: exaustão, medo, e uma ternura irreversível ao olhar Miguel dormindo.— Ele tá bem? — perguntei, a voz falha.
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