Mundo de ficçãoIniciar sessãoEliza Bennett abriu mão de tudo pelo amor, mas descobriu que seu marido, Nathan, CEO do império rival de joias, era só um estranho frio e distante. Deserdada e traída, ela pediu o divórcio e voltou mais forte para recuperar seu império e sua vida. Agora, seu ex-marido está disposto a tudo para reconquistá-la, até implorar por uma segunda chance. Entre jóias, segredos e paixão, será que o amor pode renascer depois do divórcio?
Ler maisSaí do quarto de hóspedes logo cedo, fechando a porta com cuidado atrás de mim. A casa ainda estava envolta naquele silêncio típico das manhãs em Illinois, quando o dia parece pedir licença antes de começar, como se até o tempo soubesse respeitar certos limites. Desci as escadas descalça, sentindo o frio do chão subir pelos pés, despertando o corpo aos poucos. Fui direto para a cozinha. Minha mãe já estava lá, como sempre. O cabelo preso de qualquer jeito, a chaleira no fogo, o cheiro de café recém-passado preenchendo o ambiente e trazendo uma sensação quase automática de conforto. Ela se movia com naturalidade, como se cada gesto fizesse parte de um ritual antigo. Ela adorava acordar cedo. E, apesar de tudo, eu também. — Bom dia, querida — disse, sem se virar, enquanto mexia algo no fogão. — Bom dia — respondi, abrindo o armário e pegando uma caneca. O silêncio que se seguiu não foi constrangedor. Foi familiar. Denso daquele jeito específico que só existe entre quem s
A noite caiu sobre Illinois com uma calma quase familiar, mas dentro da casa a energia ainda estava viva. Depois do jantar, acabamos na sala de estar, todos reunidos ao redor da mesa de centro. Cartas na mão, risadas leves e provocativas preenchiam o espaço. Até os pais da Sophie se divertiam, trocando piadas e comentários gentis sobre as jogadas de cada um. Sophie estava ao meu lado, concentrada, franzindo levemente a testa ao analisar as cartas. Era impossível não reparar nos pequenos gestos dela — a maneira como mordia o lábio ao decidir, a forma delicada com que embaralhava e distribuía as cartas. Eu sentia cada movimento, cada olhar dela, como se cada detalhe carregasse uma promessa silenciosa. — Você está trapaceando — disse Sophie, com aquele tom irônico que sempre me fazia sorrir. — Trapaceando eu? — retruquei, mantendo o tom leve, mas deixando minha mão roçar a dela por acaso. — Jamais. Ela me lançou um olhar desafiador, e por um instante, o barulho das cartas e as vo
Depois do almoço, o clima na casa mudou de peso. Não porque as tensões tinham desaparecido elas ainda estavam ali, silenciosas, observando de longe, mas porque algo havia sido assentado à mesa. Dito. Reconhecido. Levei alguns pratos até a pia enquanto Sophie recolhia os copos. Nossos movimentos eram coordenados, quase automáticos, como se já tivéssemos feito aquilo juntos outras vezes. Às vezes nossas mãos se tocavam por acidente, breves, elétricos, e nenhum de nós comentava. — Eu lavo — disse ela, pegando o prato da minha mão. — Eu seco. — respondi, sem discutir. Ela arqueou a sobrancelha, um quase sorriso, e ligou a torneira. O som da água preenchia o silêncio entre nós. Não era desconfortável. Era carregado de coisas não ditas. Foi então que ouvi a voz do pai dela atrás de nós. — E você, Liam… — disse Robert Hart, encostado ao batente da porta da cozinha. — Pretende ficar quanto tempo em Illinois? Me virei para respondê-lo, segurando um pano de prato. — Mais uma noite. —
O almoço já estava pronto. O cheiro de comida caseira preenchia a casa inteira, misturado ao som suave da Sophie ajeitando os pratos sobre a mesa. Eu a observava de longe, encostado no batente da porta da cozinha, tentando parecer deslocado o mínimo possível naquele espaço que claramente não me pertencia. Ela se movia com naturalidade ali. Sem tensão. Sem armaduras. Era outra Sophie. Ou talvez fosse a mesma só sem o peso que Nova Iorque sempre colocou sobre ela. A porta da frente se abriu, e a voz veio logo em seguida: — Soph, cheguei. — Na cozinha! — ela respondeu sem nem levantar a voz. Poucos segundos depois, o pai dela apareceu no vão da porta. Não houve surpresa, nem pausa, nem aquela necessidade de se reconhecer depois de tempo demais. Ele simplesmente se aproximou e beijou o rosto da filha, rápido, cotidiano. — Tá com fome? — ele perguntou. — Muita. — ela respondeu. — Lava a mão que já tá tudo pronto. Ele sorriu, passou por ela, mas antes de sair, pousou a mão no omb





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