Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuando a esposa o abandona meses antes do Natal, deixando apenas o pedido de divórcio e a frase cruel “Eu não nasci para ser mãe”, o magnata do petróleo Morgan Edward Blackpool Alpert II se vê sozinho para cuidar de sua filha autista de cinco anos. Louise, sensível e fechada ao mundo, só aceita o toque do pai—até a chegada de Lélia Seimor Stewart, uma enfermeira doce, plus size e marcada por um casamento abusivo. No primeiro encontro, acontece o impossível: Louise se aproxima de Lélia, aceita seu toque, sorri… e fala com ela como se já a conhecesse. Coisa que jamais fez com ninguém além do pai. A presença de Lélia devolve luz, cor e esperança à casa. E Morgan, que acreditava estar emocionalmente destruído, descobre que seu coração volta a bater quando ela está por perto. Mas o passado de ambos ressurge para ameaçar essa nova paz: segredos, ex-amores, mágoas e sombras retornam no momento em que eles mais precisam da força um do outro.
Ler maisCATHERINE — QUANDO A INVEJA GANHA ROSTOEu reconheci o rosto dela antes mesmo de desviar o olhar. — O carro desacelerou ao se aproximar do semáforo e, então, deparei-me com um enorme outdoor iluminado que era impossível ignorar.Lélia não era mais a babá discreta que eu tentara esquecer; agora, sua imagem imponente revelava uma mulher vestida com um tecido fluido, que exibia cortes elegantes e uma postura firme.— Seus olhos brilhavam com determinação e segurança, como se fossem faróis em uma noite escura, guiando aqueles ao seu redor. O vento dançava ao redor do movimento de seu vestido, parecendo conspirar a seu favor, como se cada passo que ela dava fosse uma coreografia de poder e graça. — Eu me lembrei de como, anos atrás, ela sempre encontrava maneiras criativas de tornar a rotina das crianças mais divertida; porém, neste momento, sua presença emanava uma nova e poderosa dimensão, como um artista que não apenas pinta, mas transforma a
LÉLIA — O CORPO AVISA ANTES DO CORAÇÃO. No começo, acreditei que meu mal-estar era apenas cansaço, como um carro que precisa de gasolina após uma longa viagem. No entanto, essa ilusão se desfez rapidamente, pois o retorno da viagem foi tudo menos tranquilo. — Os olhares atravessados e os comentários cruéis que ecoavam na minha mente tornaram o ambiente opressivo, como se cada palavra lançada como um projétil tivesse o poder de agregar mais peso ao meu fardo invisível. A sensação de estar sendo observada estava me consumindo, e meu corpo parecia composto de sombras, como se uma parte de mim tivesse ficado para trás, presa nas memórias daquele lugar.— Lembranças vívidas dos momentos difíceis se misturavam com flashes de dor e confusão, como uma colagem de imagens que nunca desejei relembrar. Tentei ignorar o enjoo, a leve tontura e o frio estranho que percorreu minha espinha enquanto organizava as coisas da Louise. Cada item que
CATHERINE — QUANDO O ÓDIO ESCOLHE UM ALVOEla me lembra tudo o que eu quero e não posso ter, e é por isso que dói; não é uma dor romântica, nem nobre, nem triste — é a dor da afronta, o incômodo que arranha a pele por dentro, como se a realidade estivesse deliberadamente fora do lugar. Quando penso nela, não vejo apenas uma mulher; vejo um erro ocupando um espaço que, na minha lógica, deveria estar vazio, e essa inversão me perturba mais do que qualquer ofensa direta, porque torna o mundo incoerente e, portanto, intolerável.— EU ODEIO ESSA GORDA!A frase explode antes que eu consiga contê-la, e o som ricocheteia no quarto, volta para mim como um tapa, vibra nas paredes e no ar denso, atravessa o silêncio que se recusa a me aliviar. — Meu peito aperta; a respiração falha, e por um segundo é como se o oxigênio fosse insuficiente para sustentar o incêndio que se acendeu dentro de mim. Minhas mãos tremem, as palmas suadas grudam
As lágrimas que deixei escorregar hoje não eram meramente uma expressão do presente; eram um rio que desaguava em memórias de tempos passados. — Cada gota de dor parecia carregar fragmentos da minha história, revelando camadas longas de uma tristeza que se acumulou ao longo do tempo. Enquanto chorava em silêncio, o aroma fresco da casa se misturava ao gosto salgado das minhas lágrimas, evocando lembranças de momentos em que me escondia para chorar, temendo perturbar os outros com minha fragilidade.— As paredes ao meu redor testemunharam minhas lutas, e os objetos ao meu redor se tornaram ouvintes silenciosos de um sofrimento que parecia interminável.Recordo dos dias em que me vestia no escuro, evitando olhar para meu próprio reflexo, um exercício angustiante que expressava a dificuldade de aceitar quem eu realmente era. — Além disso, as noites eram mergulhadas na confusão entre amor e ausência, fervendo em anseios por afeto que nunca chegaram, cri
QUANDO O AMOR SE LEVANTA CONTRA O ÓDIOO RETORNO QUE NÃO FOI SILENCIOSOA volta da lua de mel deveria ser como um suave sopro de brisa do mar, repleta de descanso e promessas cumpridas, um momento para refletir sobre todas as memórias que criamos em meio às ondas e ao sol. Contudo, a vida nem sempre segue esse roteiro idealizado. — Assim que cruzamos a porta de casa, fomos tragicamente envolvidos por um clima pesadamente opressivo; um silêncio cruel contrastava fortemente com a alegria que ainda brilhava em nossos olhos, como uma sombra que se aproxima sem aviso, silenciosa e penetrante.Louise, em sua inocente e exuberante alegria, correu pela sala com energia renovada e apertou Bárbara em um carinhoso abraço. — Este gesto, que deveria ser reconfortante, soou como um eco distante de felicidade em um lar agora desprovido de vida. — Enquanto isso, Morgan, já se despindo do paletó e revelando sinais de fadiga acumulada após semanas i
ENTRE O PARAÍSO E A SOMBRAO retorno da praia foi envolto em um silêncio profundo, mas não opressivo.— Era um silêncio pleno, desse tipo que não pede explicações. Louise caminhava entre eles, segurando firmemente as mãos, como se temesse que aquele momento precioso pudesse escorregar de seus dedos se soltasse a união.— Mamãe… — disse de repente.— Oi, meu amor. — Você vai ficar comigo pra sempre agora, né?Lélia parou, ajoelhou-se à frente da menina, alinhando-se aos seus olhos curiosos. — Fitou-a com doçura, percebendo o brilho de esperança e a vulnerabilidade que irradiavam do rosto da pequena. As ondas do mar ao fundo pareciam segurar a respiração, como se também esperassem pela resposta que poderia moldar o futuro das duas.— Eu vou ficar com você todos os dias que Deus me permitir — respondeu Lélia com serenidade, sua voz acariciando o ar como uma brisa suave. — E vou te amar em todos eles.Louise sorriu, satisfeita,










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