Depois do almoço, o clima na casa mudou de peso.
Não porque as tensões tinham desaparecido elas ainda estavam ali, silenciosas, observando de longe, mas porque algo havia sido assentado à mesa. Dito. Reconhecido.
Levei alguns pratos até a pia enquanto Sophie recolhia os copos. Nossos movimentos eram coordenados, quase automáticos, como se já tivéssemos feito aquilo juntos outras vezes. Às vezes nossas mãos se tocavam por acidente, breves, elétricos, e nenhum de nós comentava.
— Eu lavo — disse ela, pegando o prato da minha mão.
— Eu seco. — respondi, sem discutir.
Ela arqueou a sobrancelha, um quase sorriso, e ligou a torneira.
O som da água preenchia o silêncio entre nós. Não era desconfortável. Era carregado de coisas não ditas.
Foi então que ouvi a voz do pai dela atrás de nós.
— E você, Liam… — disse Robert Hart, encostado ao batente da porta da cozinha. — Pretende ficar quanto tempo em Illinois?
Me virei para respondê-lo, segurando um pano de prato.
— Mais uma noite. —