O almoço já estava pronto.
O cheiro de comida caseira preenchia a casa inteira, misturado ao som suave da Sophie ajeitando os pratos sobre a mesa. Eu a observava de longe, encostado no batente da porta da cozinha, tentando parecer deslocado o mínimo possível naquele espaço que claramente não me pertencia.
Ela se movia com naturalidade ali. Sem tensão. Sem armaduras.
Era outra Sophie.
Ou talvez fosse a mesma só sem o peso que Nova Iorque sempre colocou sobre ela.
A porta da frente se abriu, e a voz veio logo em seguida:
— Soph, cheguei.
— Na cozinha! — ela respondeu sem nem levantar a voz.
Poucos segundos depois, o pai dela apareceu no vão da porta. Não houve surpresa, nem pausa, nem aquela necessidade de se reconhecer depois de tempo demais. Ele simplesmente se aproximou e beijou o rosto da filha, rápido, cotidiano.
— Tá com fome? — ele perguntou.
— Muita. — ela respondeu. — Lava a mão que já tá tudo pronto.
Ele sorriu, passou por ela, mas antes de sair, pousou a mão no omb