Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla só queria salvar o irmão. Ele, manter o coração blindado. Endividada e desesperada, Defne Topal aceita uma proposta inusitada de Neriman İplikçi: conquistar o sobrinho rico e solitário, Ömer, designer de calçados de renome, e fazê-lo se apaixonar. Tudo para pagar a dívida que ameaça seu irmão, Serkan. Mas o plano se complica quando Defne reconhece Ömer como o homem que, meses antes, fingiu ser seu namorado em uma situação constrangedora — e que ela esbofeteou sem pensar duas vezes. Agora, ela será sua assistente, com uma missão: seduzir sem se apaixonar. Num universo feito de tecidos finos, silêncios cortantes e olhares proibidos, Defne mergulha em uma jornada onde cada passo pode ruir a verdade que tenta sustentar. Rivalidades surgem, sentimentos se confundem, e segredos se tornam desafios. No coração vibrante de Istambul, entre promessas e enganos, ela precisará descobrir se é possível viver um amor... que nasceu sob contrato.
Ler maisEra uma terça-feira comum, dessas em que o céu não se decide entre o azul e o cinza. Defne caminhava pelo centro antigo, onde as calçadas pareciam saber mais histórias do que qualquer livro já escrito. Entrou num café que nunca tivera coragem de visitar — não por medo do lugar, mas porque as vitrines guardavam memórias demais. Ali, entre o aroma de especiarias e o tilintar de porcelanas, estava Ömer. Sentado com um livro fechado nas mãos e uma xícara que esfriava lentamente.Ele não a viu de imediato. E ela, estranhamente tranquila, observou-o por um tempo. O tempo suficiente para reconhecer que aquele rosto já não causava tempestade; causava apenas brisa. Então se aproximou. Sem frases ensaiadas, sem o peso dos anos que ficaram suspensos entre uma vírgula e outra.— Ainda gosta de café sem açúcar? — ela perguntou.Ömer sorriu. Um sorriso tímido, como se recuperasse uma lembrança que tinha se escondido no fundo do peito.— Só se vier com conversa boa — respondeu.Sentaram-se sem press
O tempo passou, mas as marcas permanecem – não como cicatrizes, mas como tatuagens silenciosas que contam histórias para quem souber lê-las. Defne não se tornou o que esperavam dela. E, no fundo, agradece. Aprendeu que o mundo é cheio de moldes que tentam espremer a alma até ela caber em formas que não lhe pertencem. E mesmo quando quase se deixou convencer por essas estruturas, havia algo nela que resistia. Era a fome de ser inteira. Inteira mesmo que confundissem isso com rebeldia, com excesso, com desmedida.Na última página do caderno, escreveu em letras tortas – talvez de emoção, talvez de pressa – “Não sou o que esperavam. E isso me salva.” Não havia lamento ali. Havia libertação. Porque finalmente entendeu que ser diferente não é sinônimo de ser errada. Que seu modo de ver o mundo, suas pausas longas, seus silêncios que falavam alto, e suas escolhas pouco convencionais eram, na verdade, sinais de que estava viva. Viva de verdade. Não só existindo como se espera, mas vivendo com
O céu de Istambul estava rubro, quase dourado, como o couro envelhecido de um sapato esquecido numa prateleira — tempo e beleza, lado a lado.Defne caminhava pelas ruas com passos firmes. No bolso do casaco, levava uma chave. Pequena, de ferro antigo. Era a chave do antigo atelier da mãe. Decidira reabrir o espaço. Não para resgatar o passado, mas para honrar o que não foi contado.Na sede da empresa, os sons pareciam mais brandos. Não era silêncio — era respeito. Yasemin organizava contratos com a leveza de quem sabe o peso que carrega. Serkan, agora mais confiante, apresentava os modelos da nova coleção: Raízes em Travessia. A fusão entre os traços parisienses e o coração turco.Tudo tinha propósito. Nada soava decorativo.Numa tarde sem aviso, Ömer aparece do lado de fora do atelier.Ele não carrega papéis. Carrega perguntas.— Podemos falar?Defne hesita. Depois, apenas caminha em direção ao fundo da loja. Ele a segue.Dentro do espaço, ela mostra a peça que desenhou nos últimos d
O dia começou com céu claro, mas o clima na empresa carregava nuvens invisíveis. Defne sentia que algo escapava entre reuniões e decisões. Ömer andava ausente — não fisicamente, mas emocionalmente.Durante uma apresentação para investidores, uma mulher elegante surge ao lado de Yasemin. Ayla Tanriverdi, consultora internacional, ex-diretora de uma marca concorrente.— Estou aqui como apoio estratégico — ela diz, sorrindo com sobriedade.Defne analisa sua postura. Confiante demais. Informada demais.Na reunião seguinte, Ayla sugere mudanças radicais:— O projeto Entrelinhas pode ser reposicionado como linha exclusiva europeia.— Isso distorce o propósito — responde Defne.— Propósitos também evoluem — rebate Ayla.Yasemin tenta apaziguar. Serkan permanece em silêncio.No café da tarde, Ömer aparece com Ayla.— Vocês se conhecem? — pergunta Defne, surpresa.— Sim, trabalhamos juntos em Milão — responde Ayla.— Ela tem boas ideias — diz Ömer, evitando o olhar direto.Defne sorri com esfo





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