A queda de Hugo Malverne não veio com espetáculo.
Não houve manchetes imediatas, nem helicópteros, nem flashes. O que houve foi o tipo mais perigoso de silêncio: aquele que se espalha quando um império começa a desmoronar por dentro, peça por peça, sem que o mundo ainda saiba para onde olhar.
Na madrugada seguinte à prisão, três contas foram congeladas. Duas empresas suspenderam operações. Um conselho extraordinário foi convocado antes do amanhecer.
E alguém morreu.
Não Hugo.
Um intermediário. Um elo antigo. Um homem que sabia demais e falou de menos. Foi encontrado no próprio apartamento, oficialmente um infarto, embora o laudo preliminar dissesse pouco e insinuasse muito.
Ethan soube ainda no hospital.
Não reagiu de imediato. Limitou-se a fechar os olhos e pedir que apagassem a televisão.
— Isso não acabou — disse, mais para si mesmo do que para Aurora.
Ela estava sentada ao lado da cama, segurando a mão dele com força suficiente para doer. Havia semanas que dormia pouco. Havia dias