Mundo de ficçãoIniciar sessãoEsther Almeida Duarte sempre foi a funcionária perfeita: competente, discreta e praticamente invisível. Há sete anos, ela é a secretária impecável do CEO da poderosa multinacional Blackstone Corp. Com seus tailleurs cinza, coque milimetricamente alinhado e postura impecável, ela é o tipo de mulher que ninguém nota — exceto o próprio CEO. Adrian Blackstone, o homem mais temido e desejado da empresa, sempre tratou Helena com respeito e uma dose de charme provocador. Ela achava que era só brincadeira… até o dia em que sua vida desmorona. Ao flagrar o marido a traindo, Helena perde o controle, expulsa o infiel de casa e decide que nunca mais será a mulher apagada que sempre foi. Enquanto tenta reconstruir sua vida, Esther começa a chamar atenção — inclusive a de Adrian, que parece enxergar nela algo que sempre esteve ali, escondido. Mas quando a química entre os dois se torna impossível de ignorar, Esther descobre um segredo que muda tudo: Adrian não é apenas um CEO poderoso. Ele é um vampiro centenário, preso entre o mundo corporativo e sua própria maldição. Agora, Esther precisa decidir se enfrenta seus medos e se permite viver um amor proibido… ou se foge antes que ele possa feri-la — no coração ou no pescoço. Entre humor ácido, drama emocional e um romance que queima devagar, Como se Livrar do Marido e Seduzir um Vampiro é a história de uma mulher que renasce, um vampiro que aprende a sentir de novo e um amor que desafia regras, hierarquias e até a própria eternidade.
Ler maisEu sempre fui boa em não ser vista.
Não no sentido literal — eu não era um fantasma, nem nada assim — mas de alguma forma, ao longo dos meus 31 anos, aprendi a ocupar o menor espaço possível no mundo. Sempre usando roupas neutras, preferindo tons de cinza, grafite, preto e branco para trabalhar, um coque impecável, alinhado, sem um único fio solto, o que talvez seja um traço enorme de um TOC nunca diagnosticado. Para ajudar, também mantinha sempre a postura reta e passos tão silenciosos quanto meus saltos mínimos de 2 centímetros permitiam. Uma mulher que não incomoda, não chama atenção, não atrapalha. Uma verdadeira sombra eficiente. E, sendo sincera, por muito tempo, achei que isso era uma virtude. Na Blackstone Corp, eu era conhecida por quase todos como “a secretária do Sr. Blackstone”, quase nunca “Esther” ou “Senhorita Duarte” ou “a funcionária brilhante que ajuda essa empresa a continuar funcionando”. Só a secretária. Mas, como eu sempre aceitei isso, agora não posso reclamar, até por que, essa sou eu, a eficiente secretária de Adrian Blackstone desde os vinte e quatro anos. Naquela manhã, como todas as outras, cheguei às 7h45. O elevador estava vazio, exceto pelo meu reflexo — coque milimetricamente alinhado, camisa cinza, expressão calma. Eu parecia… organizada, bem controlada e inabalável, minhas roupas sem um único amassadinho nem na camisa social branca e nem na calça de alfaiataria cinza. Se ao menos fosse verdade... — Bom dia, Esther — disse o segurança, sorrindo. Retribuí com um aceno discreto. Ele era uma das poucas pessoas que lembravam meu nome. Talvez porque eu sempre levava café extra quando sobrava. Ao chegar ao 38º andar, senti a mudança no ar. Sempre sentia. O andar da diretoria tinha cheiro de perfume caro, café forte e tensão corporativa. E no centro de tudo isso estava ele: Adrian Blackstone, CEO, conquistador, sorriso perigoso, e meu chefe há sete anos e, por incrível que pareça, mesmo sendo o mais rico no prédio, é mais um dos únicos que recobra a minha existência, na verdade, até demais. Coloquei a bolsa na mesa, liguei o computador e respirei fundo. O relógio marcava 7h59 quando a porta do escritório dele se abriu. — Esther, — a voz dele era grave, suave e carregada daquele charme irritante que parecia natural demais — você chegou cedo. Gosto disso. — levantei os olhos. Ele estava encostado na porta, camisa social preta justa que deixava os músculos definidos, mas sem exagero, bem visíveis, mangas dobradas, o cabelo castanho escuro perfeitamente bagunçado, a pele morena sem uma única mancha. Um homem que parecia ter sido desenhado por alguém com talento e más intenções. — Cheguei no horário, senhor Blackstone. — respondi, mantendo o tom profissional. — E ainda assim cedo — ele sorriu, como se aquilo fosse uma piada particular entre nós, e, na verdade era, mais para ele do que para mim. Desviei o olhar, digitando algo que não tinha urgência alguma para ser feito, mas eu simplesmente sabia que se não desviasse logo a atenção, talvez fosse arrebatada por aquele homem tão lindo. O pior é que sempre causava essa reação em mim: meu cérebro travava como um computador velho quando ele ficava me encarando com aqueles penetrantes olhos castanho-esverdeados. — Sua agenda está na mesa. — informei, pigarreando, tentando fazer com que ele fosse logo trabalhar. — Reunião com os investidores às nove, almoço com o conselho ao meio-dia e entrevista com a revista às três. — Ótimo, o conselho ama roubar a hora do almoço, não é? — dei uma risadinha, acenando em concordância, mas sem olhar para ele, quanto menos olhasse, menos alucinaria coisas indecentes com ele. — E você? — ele perguntou. — Eu? — perguntei, perdida, o olhando de relance, mas logo me voltando para o computador novamente. — Sim, você. Vai almoçar hoje? Ou vai fingir que não sente fome, como sempre? Abri a boca, fechei, abri de novo. Eu tenho mesmo o mal hábito de não almoçar, comer um lanche na mesa mesmo e continuar trabalhando como uma workaholic maluca, pelo menos nos últimos anos, só não achava que ele realmente percebia e nem porque estava tão mais conversador hoje. — Eu… ainda não decidi. — disse, por fim. — Decida — ele disse, com aquele tom que não era uma ordem, mas soava como uma. — Pessoas vivas precisam comer. — franzi a testa. Que comentário estranho, mas nada que ele já não tenha o costume de fazer, com o tempo, simplesmente aceitei que ele tem um humor estranho ou só refinado demais para mim. Mas antes que eu pudesse retrucar, ele já tinha voltado para o escritório, deixando a porta entreaberta — como sempre fazia quando queria que eu o chamasse se precisasse. Suspirei de alívio, mais um dia normal, mais um dia como a verdadeira mulher invisível. Ou, pelo menos, deveria ser. Às 11h32, meu celular vibrou. Era uma mensagem do meu digníssimo marido. Eduardo. “Precisamos conversar. Urgente.” Meu estômago gelou, nesses oito anos com Eduardo, ele nunca me mandou uma única mensagens sobre algo urgente. Ele mal me mandava mensagens, já havíamos chegado à um ponto em que conversar somente pessoalmente em casa era o suficiente, ao menos para mim. — Tudo bem aí? — Adrian perguntou, surgindo ao meu lado sem fazer barulho algum. Quase pulei da cadeira. — Senhor! Eu… — engasguei, colocando a mão no peito para tossir e recuperar o fôlego. — sim. Tudo bem. Ele inclinou a cabeça, analisando-me com aqueles olhos escuros que pareciam ver mais do que deveriam. — Se precisar sair mais cedo, me avise. Assenti, tentando sorrir enquanto ele seguia para o elevador, mas devo ter dado um dos sorrisos mais nervosos da minha vida, já estava acostumada a ele fazendo esse tipo de coisa, as vezes penso se ele é sensitivo já que sempre sabe quando algo está errado comigo, ou se aprendeu a andar como um gato, pois quase nunca o escuto chegar. Algo dentro de mim dizia que aquela mensagem não era boa. Aquilo ficou martelando na minha mente por horas, mandei mensagem perguntando se Eduardo não podia mesmo falar por mensagem, mas ele não respondeu, o que me enlouqueceu ainda mais. Sendo assim, às duas e meia, quando o Sr. Blackstone saiu para ir ao local da entrevista, avisei que sairia mais cedo, ao que ele apenas acenou positivamente com a cabeça e fez um leve sinal de dispensa com a mão. Preparei a agenda do dia seguinte, deixei sobre a mesa dele e saí. No caminho até o estacionamento, senti meu coração acelerar. Eduardo nunca dizia “precisamos conversar”. Ele era o tipo de homem que evitava conversas sérias como quem evita imposto. Acho que nunca tivemos sequer uma DR porque ele sempre fugia. Enquanto dirigia, minha mente parecia correr mais rápido do que o carro. Pensando se algo aconteceu com algum familiar, ou se ele foi despedido, o que dos males seria o menor. Meu peito apertou. Será que ele quer se separar? A ideia me atingiu como um tapa. Porém, para minha surpresa, não doeu tanto quanto eu imaginava. Doía… mas não como deveria. Talvez porque, no fundo, eu já sabia que nosso casamento está na mesmice. Eu fazia tudo. Eu tentava amar por nós dois, demonstrando carinho, tentando não me importar por ele nunca se lembrar das datas importantes, cuidava, zelava, mantinha a casa organizada enquanto ele jogava no maldito videogame que lhe dei de Natal. Mas mesmo assim, eu não estava preparada para ouvir que tudo acabou. Quando virei a esquina da nossa rua, senti um frio estranho na nuca. Estacionei, peguei o elevador, já me sentindo extremamente ansiosa. Quando cheguei ao meu andar, notei que a porta do apartamento só estava encostada. Eduardo nunca deixava a porta assim, ele tem paranóia com invasões e assaltos. Preocupada, entrei no apartamento devagar, esperando ver tudo fora do lugar, uma bela cena de tentativa de assalto, briga ou até assassinato, mas, estranhamente, tudo estava no lugar. — Eduardo? — chamei baixo, entrando. Sem resposta, até que ouvi um belo e bem exagerado gemido de mulher, que fez meu corpo inteiro congelar. Eu preferia que fosse um assalto. Parecia que o mundo ao redor ficou completamente mudo, exceto pelo som abafado vindo do quarto. Caminhei até lá, cada passo mais pesado que o anterior. Meu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito. Alcancei a porta, tomei coragem e a abri. Vendo uma cena que eu certamente jamais desejaria ter visto na vida. Eduardo na cama, segurando os quadris de uma mulher de longos cabelos ruívos que cavalgava sobre ele, gemendo como uma verdadeira atriz pornô.POV AdrianQuando cheguei à mansão Blackstone, Caíque me aguardava na porta, com seus 1,90 de altura, o rapaz loiro e parrudo pareceria muito mais imponente, não fosse seu rosto gentil. Ele sorri para mim e faz sinal para que o siga.— Pegamos um espião do Clã MacLeod, de Fia. — puxo o ar com força, já estava preocupado com nossa situação, agora, mais do que nunca.— Quem o está interrogando? — pergunto. — Marcus, é claro! — ele dá de ombros e sorrio, pensando que o espião vai dizer até com quantos anos saiu das fraldas. Noto que ele não espelha minha reação, parece extremamente tenso.— Você está bem, Caíque? — ele para e se vira para mim, estamos há poucos passos da sala de interrogatório, então, ele sussurra, falando tão baixo que há poucos metros talvez nem eu o escutaria:— Temo que ele já saiba sobre nossa atual situação, e, se isso chegar até Fia, o que pode acontecer? — esse medo também brinca no fundo de minha mente, mas faço meu melhor para contê-lo e sorrio para Caíque. —
— Mãe! Mãe! — chamo repetidamente, dando leves tapinhas em seu rosto e a abanando com uma de suas revistas de receitas, tentando acordá-la. Aos poucos, ela parece voltar a consciência. — Ai, graças à Deus! — respiro aliviada. — Mãe, fica sentada, respira. — continuo a abandando, enquanto ela parece recobrar a consciência.— Filha, olha a carne para mim, se não, vai queimar. — me levanto e mexo a carne que ainda tem bastante caldo e está longe de secar. Me certifico de que nada está grudando no fundo, abaixo o fogo e volto a me sentar perto de minha mãe e a abaná-la.— Fica tranquila, mãe, ainda precisa cozinhar um pouco. — ela acena positivamente, puxa o ar com força e pega a revista da minha mão, colocando ela sobre a mesa. — Agora, explique-se muito bem, que história é essa de namorar um vampiro? Está maluca? — eu pensei em negar, mas, na verdade, a pergunta nem me ofendeu, acho que estou realmente louca, aconteceu tanta coisa em poucos dias que ainda nem processei tudo como devia.
Quando termino de me arrumar, pego o celular pata chamar um carro, mas vejo que tem uma mensagem de Adrian avisando que mandou alguém deixar meu carro e ele está do lado de fora do prédio. — Ué... — solto e pego a bolsa do dia anterior, só para confirmar que a chave do meu carro está lá, e me pergunto como levaram meu carro sem ela, mas não perco tempo quebrando a cabeça com o que vampiros ricos conseguem ou não fazer, tenho a sensação de que a lista seria quase infinita. Pego as chaves, o celular e meus documentos e coloco numa bolsinha preta, que coloco transpassada sobre o longo blusão cinza que vesti para cobrir minha calça legging preta. Calço meus sapatênis que não uso há quase um ano e faço um rabo de cavalo e dou uma última olhada no espelho. Meu reflexo me agrada de uma forma inesperada, afinal, nada havia mudado em mim aparentemente, mesmos olhos castanhos, pele pálida com algumas sardinhas, cabelos volumosos, tudo como sempre foi, mas havia um certo brilho em mim, algo
— Vai embora, Eduardo! — grito, tentando manter a voz firme, mas falho. — Por quê? Está esperando seu patrãozinho? — ele está ofegante e quase sibila as palavras, mas eu não respondo, impressionada por ele saber. — O que é? O gato comeu sua língua? Achou que eu não soubesse, né? — ele solta uma risada amarga. — Eu segui você, vi vocês no restaurante, sei que dormiu na casa dele, que me largou só para poder se esfregar nele que nem uma vagabunda! — aquilo me faz ferver de ódio. Solto a porta de uma vez, fazendo ele cair com tudo dentro do apartamento. Não perco tempo e vou para cima dele, o esbofeteando.— Vagabunda é a tua mãe, seu canalha! — ele tenta me empurrar, mas agarro seu pescoço e aperto com força. — Você se deita com outra na nossa cama, na casa que eu tanto ralei para pagar, e a vagabunda sou eu? Seu infeliz, eu vou te matar! Ele se debate sobre meu corpo, tentando me empurrar para soltá-lo, mas é como se eu estivesse possuída, um momento atrás eu estava com medo de morre















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