(Embate)
O prédio ficava fora do eixo óbvio da cidade, longe de áreas nobres, longe do centro financeiro que Hugo Malverne aprendera a usar como vitrine por décadas. Era um daqueles lugares que só existem para quem sabe que eles existem. Antigos. Discretos. Úteis.
Dante chegou pouco depois das dez da noite.
Não levou seguranças. Não levou armas visíveis. Levava apenas o que precisava: informação suficiente para desequilibrar alguém acostumado a controlar o jogo.
O elevador subiu lento demais.
Quando as portas se abriram, o andar estava parcialmente às escuras. Apenas algumas luzes de emergência permaneciam acesas, lançando sombras longas pelo corredor.
— Você escolheu um horário ruim — disse uma voz calma.
Hugo Malverne estava sentado perto da janela, observando a cidade lá embaixo como se ainda fosse dono dela. O terno impecável contrastava com o ambiente decadente. Ao lado, dois homens armados permaneceram imóveis.
Dante não se aproximou.
— Escolhi o único possível — respondeu. — Se