A madrugada avançava devagar demais no hospital.
Ethan permanecia imóvel na cama, ligado a aparelhos que marcavam uma estabilidade frágil, quase ofensiva diante do que havia acontecido. O tiro atravessara mais do que carne — atravessara a ilusão de controle absoluto que ele sustentara por anos.
Aurora não dormia.
Sentada ao lado da cama, ela observava cada pequeno movimento do peito dele, cada alteração mínima no ritmo monitorado. Não chorava. Já havia chorado o suficiente em silêncio. Agora, o que havia nela era algo diferente. Mais frio. Mais concentrado.
A dor não desaparecera. Apenas se reorganizara.
Dante estava do outro lado do vidro, conversando com um dos investigadores federais destacados para o caso. As perguntas eram diretas. As respostas, medidas. Ele não se esquivava — não mais. O tempo de meias verdades havia acabado.
— O ataque não foi improvisado — dizia o investigador. — Foi uma execução que falhou.
— Falhou porque erraram o alvo principal — Dante respond