O silêncio entre Aurora e Ethan não era mais defensivo.
Era cansado.
Dias haviam passado desde que voltaram para casa. Dias de movimentos cuidadosos, palavras medidas, noites em quartos separados. Não havia brigas, mas também não havia o calor que antes preenchia cada espaço entre eles.
Aurora caminhava pela cobertura como quem reaprende o próprio corpo. O luto não era escandaloso — era interno, constante, pesado. Às vezes vinha como uma pressão no peito. Outras, como um vazio seco no ventre que a fazia parar no meio do caminho sem perceber.
Naquela manhã, Ethan a observava à distância.
Ela estava na varanda, os braços apoiados no parapeito, olhando a cidade como se tentasse se convencer de que ainda fazia parte dela.
Ele se aproximou devagar.
— Você não dormiu — disse, sem acusação.
— Dormi — respondeu ela. — Um pouco.
Ficaram lado a lado por alguns segundos, sem se tocar.
— Eu não sei como fazer isso direito — Ethan disse, finalmente. — Não sei como te ajudar sem te ferir mais.
Auro