Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla acreditava conhecer o homem para quem trabalhava. Um CEO poderoso, reservado, cercado por reuniões às quais nunca podia assistir e decisões que não eram explicadas. Até o dia em que ele lhe fez uma proposta impossível de recusar. Um casamento por contrato. Sem amor. Sem perguntas. Sem escolhas. Agora, ela ocupa o lugar de esposa ao lado de um homem que controla mais do que empresas — e cuja verdadeira vida permanece envolta em segredos, silêncio e perigo. Quanto mais se aproxima dele, mais percebe que existem verdades que não podem ser ignoradas… e sentimentos que jamais deveriam nascer. Porque, em um mundo onde alianças valem mais que promessas, ser a esposa do mafioso pode custar muito mais do que ela imaginava.
Ler maisSolto um suspiro cansado e passo a mão pelo rabo de cavalo, já no limite da paciência. Meu couro cabeludo parece implorar por liberdade. Estou a um passo de soltar o cabelo, de sentir os fios caírem sobre os ombros, mas não posso. Aqui, isso não é uma escolha. É regra. Um padrão da empresa: todas as mulheres devem manter os cabelos presos. Sem exceções.
Volto o olhar para o computador à minha frente, onde a agenda impecavelmente organizada de Matteo De Luca ocupa a tela. CEO da DeLuca Corps. Cada horário milimetricamente ajustado, cada compromisso anotado com precisão quase cirúrgica. Trabalho com o senhor De Luca há um ano e meio e, se existe algo que não posso negar, é o quanto sua disciplina impressiona. Ele não foge de responsabilidades, não adia decisões, não delega o que considera essencial. É um CEO extremamente dedicado à corporação — talvez até mais do que deveria. Ainda assim, há detalhes que despertam minha curiosidade. Existem reuniões específicas do senhor De Luca que acontecem sempre após o expediente. Diferente das outras, não sou eu quem as agenda. Ele mesmo se encarrega disso. Tudo o que faz é me pedir, de forma objetiva, que o lembre do compromisso quando o horário se aproxima. Nessas ocasiões, também não posso participar das reuniões como faço normalmente. Sou orientada a permanecer fora da sala… mas, ao mesmo tempo, não posso ir embora. Preciso esperar. Sempre esperar. Nunca o questionei. Essa foi a única exigência que ele deixou clara quando me ofereceu a vaga de secretária: jamais perguntar sobre essas reuniões. Jamais comentar. Sigilo absoluto sobre as pessoas que entram naquela sala com ele. Olhares sérios, passos firmes, portas que se fecham. O que acontece lá dentro permanece um completo mistério para mim. De canto de olho, percebo alguém se aproximando e, apenas pela maneira descontraída de andar, sei exatamente quem é. — É muito solitário aqui, não? — escuto a voz familiar de Patrícia. Ergo o olhar e encontro minha amiga vestida exatamente como eu: o mesmo conjunto social, o mesmo corte sóbrio, o mesmo penteado preso. Mordo levemente os lábios antes de me recostar na cadeira. — Não muito. Você sempre aparece para me fazer companhia — respondo, com um leve sorriso. Ela retribui o sorriso e se apoia na minha mesa, inclinando-se com naturalidade. — É por isso que você me ama — diz, piscando para mim. — Vamos para uma balada hoje? Estou louca para me divertir! Lanço um olhar rápido para a agenda aberta na tela. — Hoje não vai dar. Tem reunião depois do expediente — explico. Patrícia solta um resmungo descontente, revira os olhos e se endireita, cruzando os braços. — O senhor De Luca abusa demais da sua boa vontade — reclama. — Você trabalha demais para ele. Antes que eu possa responder, o som de uma porta se abrindo ecoa pelo ambiente. E Patrícia se cala imediatamente. A presença de Matteo De Luca chega antes mesmo dele. Intimidante para alguns. Estimulante para outros. Como Patrícia me disse uma vez — quase em tom de confissão —: De Luca exala masculinidade. E então ele surge diante dos meus olhos. E, sinceramente, é impossível não prender a respiração. Matteo De Luca é um homem alto, de postura firme, corpo musculoso moldado por disciplina. A pele bronzeada contrasta perfeitamente com o terno escuro feito sob medida, que realça ainda mais seus braços fortes e largos. Cada centímetro dele parece calculado para impor respeito. A barba por fazer é desenhada com precisão, acompanhada de um bigode e um cavanhaque impecáveis, como se até o descuido tivesse sido planejado. Os cabelos estão perfeitamente alinhados com gel, sem um fio fora do lugar. E então há seus olhos… verdes, intensos, penetrantes — capazes de arrancar confissões, segredos e até o maior dos pecados de qualquer um que sustente o olhar por tempo demais. Ele se aproxima de nós com passos calculados, seguros, dominando o espaço ao redor. — Bom dia, senhorita Patrícia Morgan — sua voz rouca, grave e levemente rasgada soa como um trovão contido. Vejo Patrícia endurecer imediatamente, completamente intimidada pela presença dele. — Bom dia, senhor De Luca — responde em um tom mais baixo do que o habitual. Ele então direciona o olhar para mim, sério, atento. — Sinto muito interromper a conversa de vocês, mas preciso da minha impecável secretária comigo neste momento. Não há pedido. Há uma ordem elegante. Levanto-me prontamente, pego o tablet onde anoto tudo e me posiciono ao lado dele. Matteo estende o braço de forma natural, autoritária, e apoio minha mão ali sem pensar duas vezes. Seguimos juntos na direção do elevador, sob o olhar curioso — e claramente invejoso — de Patrícia. Assim que as portas do elevador se fecham, o silêncio se instala. — Daqui até a tarde, qual é a programação? — ele pergunta, direto, sem rodeios. Ligo o tablet e acesso sua agenda. — O senhor tem um almoço com o senhor Calixto para decidir os próximos sócios da empresa. Há também uma ligação com o senhor Galero. Ele solicitou que o senhor converse na língua materna dele, já que não conseguiu um intérprete decente. E à noite… temos sua reunião, senhor — informo, mantendo o tom profissional. Ele acena levemente com a cabeça, satisfeito. — Está exercendo seu trabalho muito bem, senhorita Molleti. Sei que o elogio não se refere apenas à minha eficiência. Refere-se, sobretudo, ao fato de eu nunca questionar. Nem a reunião. Nem os segredos. Nem o mundo que ele mantém trancado atrás daquela porta. ... A sala de reuniões parece diferente à noite. Mais silenciosa. Mais fria. Mais carregada. Entro com passos contidos, segurando a prancheta junto ao corpo enquanto confiro, pela última vez, se tudo está exatamente como o senhor De Luca exige. As luzes estão ajustadas em um tom mais baixo do que durante o expediente comum, criando sombras suaves nas paredes de vidro fumê. A longa mesa de madeira escura ocupa o centro da sala, impecável, polida ao ponto de refletir o brilho discreto do lustre acima. Distribuo as pastas nos lugares corretos, cada uma posicionada com precisão milimétrica. Garrafas de água alinhadas, copos de cristal intocados, nenhum papel fora do lugar. O ar-condicionado mantém a temperatura fria, quase impessoal. É assim que ele gosta. Tudo precisa estar perfeito. As primeiras batidas na porta ecoam pelo corredor. Abro, mantendo a postura profissional, e o primeiro homem entra. Terno escuro, expressão fechada, olhar atento demais para alguém que estaria apenas em uma reunião corporativa comum. Ele não diz uma palavra, apenas inclina levemente a cabeça em minha direção antes de se acomodar em uma das cadeiras laterais. Outros chegam em seguida. Homens diferentes, mas estranhamente semelhantes. Posturas rígidas, passos firmes, silêncios longos. Alguns trocam cumprimentos discretos entre si, outros permanecem quietos, observando tudo ao redor com olhos que parecem medir o ambiente. Nenhum sorriso. Nenhuma conversa banal. Eu apenas indico os lugares, em silêncio. Um a um, eles se assentam, ocupando os lados da mesa como peças cuidadosamente posicionadas em um tabuleiro invisível. O clima na sala se torna mais denso a cada nova presença, como se o ar ficasse mais pesado. Então, ele chega. Matteo De Luca entra na sala sem pressa, vestindo um terno escuro impecável, a gravata perfeitamente ajustada. Sua presença muda tudo. Os murmúrios cessam imediatamente. Todos se levantam em sinal de respeito. Ele apenas acena com a cabeça, sem dizer uma palavra, e segue até a cabeceira da mesa. O lugar dele. Matteo se senta com calma, apoiando os antebraços sobre a madeira, os dedos entrelaçados. Seu olhar percorre cada homem presente, avaliando, dominando, impondo autoridade sem esforço. Sinto um arrepio percorrer minha espinha. — Senhoras e senhores… — ele começa, com a voz baixa e firme, mas interrompe a si mesmo ao virar o rosto levemente em minha direção. — Senhorita Molleti, se nos der licença. Não é um pedido. Nunca é. Assinto imediatamente. — Claro, senhor De Luca — respondo, recolhendo a prancheta contra o peito. Dou meia-volta e saio da sala, fechando a porta atrás de mim com cuidado. O clique suave da fechadura ecoa mais alto do que deveria no silêncio do corredor. Me sento na cadeira do lado de fora, como faço sempre. Sozinha. Cruzo as pernas, apoio as mãos no colo e encaro a porta fechada à minha frente. Atrás dela, decisões estão sendo tomadas. Vozes baixas começam a se misturar, indistintas, impossíveis de compreender. Palavras que não me pertencem. Verdades que não me são permitidas. O que exatamente acontece ali dentro? Por que essas reuniões sempre à noite? Por que tantas regras, tanto sigilo, tantos olhares atentos? Trabalho para Matteo De Luca há tempo suficiente para saber que nada em sua vida acontece sem um motivo. E, ainda assim, essa parte permanece envolta em sombras. Suspiro baixo, apoiando as costas na cadeira. Talvez eu não devesse pensar nisso. Talvez eu devesse apenas continuar fazendo o que faço melhor: não perguntar. A reunião termina após uma hora e meia. Elena percebe antes mesmo de olhar para o relógio. O peso no ar muda. As vozes, antes abafadas pela porta, cessam de repente. Um silêncio espesso se instala, como o prenúncio de algo definitivo. A porta da sala de reuniões se abre. Os homens começam a sair, um a um, exatamente como sempre fizeram. Ternos escuros, expressões fechadas, passos firmes ecoando pelo corredor silencioso. Elena se levanta automaticamente, mantendo a postura profissional que já se tornou um reflexo. Como de costume, eles passam por ela sem dizer nada. Ou melhor… quase como de costume. O primeiro homem diminui o passo e inclina levemente a cabeça em sua direção. — Boa noite, senhorita Molleti. Elena pisca, surpresa, mas responde imediatamente. — Boa noite. O segundo faz o mesmo. O terceiro. O quarto. Todos, absolutamente todos, fazem questão de cumprimentá-la antes de seguir para o elevador ou para a saída lateral. Alguns com um aceno breve, outros com um “boa noite” dito em tom baixo, respeitoso demais para ser casual. Seu estômago se contrai. Isso nunca havia acontecido antes. Ela acompanha os últimos homens com o olhar até que desapareçam pelo corredor. O silêncio retorna, agora ainda mais incômodo. A porta da sala se fecha atrás do último deles, restando apenas ela… e Matteo De Luca do outro lado. Como sempre, Elena sabe que pode ir embora antes dele. Essa é uma das poucas concessões que ele faz. Ela pega sua bolsa, ajusta a alça no ombro e dá um passo na direção do elevador. — Senhorita Molleti. A voz dele a alcança como um comando direto. Elena congela por um segundo. Seu coração acelera instantaneamente, batendo forte contra o peito, como se pressentisse que algo está prestes a sair do controle. Ela se vira devagar. Matteo De Luca está à porta da sala de reuniões, uma das mãos apoiada no batente, o paletó ainda perfeitamente ajustado ao corpo. O olhar verde está fixo nela, atento demais. — Entre, por favor. Preciso falar com você por um momento. O tom é calmo. Controlado. E ainda assim, definitivo. — Claro, senhor — responde, tentando manter a voz firme. Ela atravessa o corredor em passos contidos, cada som de seu salto ecoando alto demais no silêncio da noite. Ao entrar na sala, sente imediatamente a mudança de atmosfera. O cheiro discreto de madeira, couro e um perfume masculino sutil ainda paira no ar. As cadeiras estão levemente afastadas da mesa, marcas da reunião recém-encerrada. Matteo fecha a porta atrás dela.Capítulo Extra — CasaA casa nunca foi tão silenciosa… e ao mesmo tempo tão viva.Aurora estava deitada no tapete da sala, sobre uma manta macia, mexendo as perninhas com aquela concentração séria que só bebês têm. Os olhos grandes acompanhavam cada movimento, como se o mundo fosse algo completamente novo — e, para ela, era.Matteo estava estendido no chão, de lado, apoiando a cabeça no braço, totalmente fora do seu habitat natural de poder, reuniões e decisões. Vestia uma camiseta simples, cabelos levemente bagunçados.Meu marido.Meu homem perigoso.Reduzido a um sorriso bobo.— Guarda la mia principessa… — ele murmurou em francês, esticando o dedo para Aurora.Ela agarrou o dedo dele com força.Matteo congelou.— Elena… — ele sussurrou, como se falar alto pudesse quebrar o momento. — Ela está me segurando.— Ela faz isso comigo também — respondi, rindo baixo. — Parece pequena, mas manda em todos nós.Aurora soltou um som indecifrável, algo entre um balbucio e uma reclamação, e Matt
Capítulo Extra — A pequena aurora. A dor vinha em ondas. Fortes. Profundas. Mas, estranhamente, eu não estava com medo. Segurava a mão de Matteo com tanta força que cheguei a pensar que podia machucá-lo, mas ele não reclamou. Não soltou. Não desviou o olhar nem por um segundo. — Respira comigo, mon amour… — ele dizia, a voz firme, mas os olhos denunciavam o caos dentro dele. Eu via. O homem que enfrentou armas, guerras silenciosas, decisões impossíveis… estava ali, completamente vulnerável diante de mim. — Eu estou aqui, Elena. — Ele encostou a testa na minha. — Você não está sozinha. Outra contração me fez gemer alto. Meu corpo ardia, mas meu coração… meu coração estava cheio. Respiro fundo, concentrando para conseguir trazer minha filha ao mundo. Cheio de amor. Cheio de vida. — Você está indo tão bem… — ele sussurrou, beijando meus cabelos molhados de suor. — Ela já sente você. Nossa menina. Nossa menina. Essas palavras me deram força. Matteo é um canal de
Três anos se passaram desde aquela noite em que aceitei ser, de verdade, a esposa de Matteo De Luca.E às vezes ainda me pego pensando em tudo o que mudou… e em tudo o que permaneceu exatamente igual.A vida ao lado de Matteo nunca foi simples — e eu aprendi rápido que simplicidade nunca faria parte do nosso vocabulário. Mas, ao contrário do que temi no início, ela também nunca foi vazia. Foi intensa. Viva. Cheia de escolhas difíceis e promessas cumpridas.Nesses três anos, Matteo transformou o império que herdou. Não foi da noite para o dia. Houve resistência, traições silenciosas, noites em claro e decisões que pesaram mais do que qualquer arma que ele já segurou. Mas ele fez. Uma a uma, as rotas sujas foram fechadas. Pessoas foram libertadas. Organizações foram desmontadas.Ele nunca me contou tudo — e eu aprendi a respeitar isso — mas vi o suficiente para saber que ele cumpriu o que me prometeu: fazer diferente.Londres continuou sendo nossa base, mas Paris virou refúgio. Às vezes
O portão da casa de acolhimento se abre com um rangido baixo. O lugar é silencioso, limpo demais, calmo demais — aquele tipo de calma que não tranquiliza, apenas pesa. O jardim é bem cuidado, flores claras, bancos de madeira espalhados sob árvores antigas. Ainda assim, sinto um nó se formar no meu estômago. Matteo segura minha mão com força. Não é possessivo. É… vulnerável. — Ela gosta de sentar perto da janela — ele diz, a voz mais baixa do que o normal. — Diz que a luz ajuda a lembrar das coisas boas. Assinto, sem saber exatamente o que responder. Entramos. O cheiro é de chá, remédio e algo levemente adocicado. Uma enfermeira nos cumprimenta com um sorriso gentil e nos guia pelo corredor. Matteo caminha rígido, como se cada passo exigisse controle. Esse homem que enfrenta o mundo inteiro sem piscar… aqui parece um menino. Paramos diante de uma porta entreaberta. — Maman… — ele chama, em francês, antes mesmo de entrar. Ela está sentada em uma poltrona, perto da janela, como e
O carro avança pela estrada como se o mundo tivesse finalmente nos dado passagem.As luzes da cidade ficam para trás, e à nossa frente só existe o escuro pontilhado por estrelas. Matteo dirige com uma mão firme no volante e a outra entrelaçada à minha. Ainda uso o vestido da festa, agora mais simples, mas continuo me sentindo a mulher mais importante do mundo.— Para onde estamos indo? — pergunto, apoiando o queixo em seu ombro.Ele sorri de lado, aquele sorriso calmo que só aparece quando não há estratégia envolvida.— Um lugar onde ninguém nos conhece. Onde você pode respirar sem medo. Onde eu posso ser só… seu marido.O avião nos leva para longe. Quando acordo, já é manhã. O sol entra pelas janelas amplas de uma casa à beira-mar. O som das ondas é constante, quase hipnótico. Madeira clara, tecidos leves, flores frescas. Tudo ali parece pensado para descanso — e para nós.Matteo me observa enquanto caminho descalça pelo lugar, como se estivesse memorizando cada passo.— Você está fe
A igreja está em silêncio quando as portas se fecham atrás de mim. Não é um silêncio vazio — é um silêncio cheio de expectativa, de respiração contida, de corações atentos. A luz entra pelos vitrais altos, pintando o chão de tons dourados e azuis, como se o céu tivesse decidido testemunhar aquele momento. Dou o primeiro passo pelo corredor central com as mãos levemente trêmulas. Cada passo ecoa no mármore, e sinto o peso — não do vestido, mas da escolha. Ainda assim, meu coração não hesita. Quando ergo os olhos, eu o vejo. Matteo está à minha espera diante do altar. Não como o homem temido, não como o don, não como o CEO intocável. Ele está ali como um homem que escolheu amar. O terno perfeitamente ajustado não consegue esconder a emoção em seus olhos. Quando nossos olhares se encontram, algo dentro de mim se aquieta. É aqui. É com ele. Chego ao altar, e ele estende a mão. Quando nossos dedos se entrelaçam, sinto um aperto suave — não de posse, mas de certeza. O padre pigarrei





Último capítulo