A casa nos recebe em silêncio absoluto.
Não há música, vozes, passos apressados ou o brilho exagerado da festa. Apenas o som da porta se fechando atrás de nós, pesado, definitivo. O eco desse gesto parece se espalhar pelos corredores largos, como se a própria casa reconhecesse que agora somos apenas nós dois.
Caminho ao lado de Matteo, ainda envolta no vestido de noiva. O tecido pesado desliza pelo chão de mármore, o branco impecável contrastando com o ambiente sóbrio e luxuoso. Cada passo me lembra do que aconteceu hoje. Do que eu me tornei hoje.
Esposa.
Entramos no quarto que, a partir de agora, será nosso. Tudo ali é amplo, elegante, organizado com a precisão quase obsessiva que já reconheço em Matteo. A cama imensa ocupa o centro, perfeitamente arrumada, como se ninguém jamais tivesse se deitado ali.
Matteo solta o paletó com calma, afrouxa a gravata.
— Pode tomar banho primeiro — diz, sem me olhar diretamente. — Preciso fazer uma ligação de trabalho.
Assinto com a c