Mundo ficciónIniciar sesiónApós assumir o comando do império deixado por seu pai, Alejandro Montoya faz uma proposta capaz de evitar uma guerra entre duas famílias: um casamento. A escolhida deveria ser Rosa Villani. Mas Rosário Villani decide ocupar o lugar da irmã. Ela acredita estar se entregando a um monstro. Ele acredita estar recebendo uma esposa obediente. Os dois estão completamente errados. O que começa como um acordo perigoso logo se transforma em algo muito mais intenso, provando que, às vezes, o amor pode surgir nos lugares mais improváveis.
Leer másAlejandro
O celular vibrou sobre a mesa, quebrando o ritmo da reunião online que eu já lutava para encerrar. Olhei a tela. O nome de Erick brilhava no visor abaixei a tela do notbook e Atendi no mesmo segundo. — Fale. O silêncio do outro lado me fez franzir a testa. Erick não era homem de hesitar. Nunca. — Chefe... — a voz dele veio baixa. Algo estava muito errado. Levantei da cadeira num impulso! — O que aconteceu? — É sobre o Ramón. Meu peito contraiu. — O que houve com meu pai? Ouvi o sopro pesado da respiração de Erick antes que ele soltasse as palavras: — Ele está morto. O mundo ao redor pareceu perder o som. Fiquei estático, os olhos fixos na janela do escritório, processando o impossível. Ramón Ramírez. O homem que projetava uma sombra sobre toda a cidade, o sujeito que se julgava intocável. Morto. Apertei o aparelho contra o ouvido com tanta força que os nós dos meus dedos embranqueceram. — Quem foi o louco? — A mulher que ele foi buscar no Brasil. Fechei os olhos. O peso do óbvio desabando sobre mim. — Rossandra Villani? — Sim. Passei a mão pelo rosto, sentindo o suor frio. — Eu avisei. Droga, Erick, eu disse para ele não ir. — Minha voz saiu num sussurro tenso. — Disse para deixar essa história no passado. — Eu sei. — Anos se passaram. Mas ela virou uma obsessão maldita para ele. Erick não respondeu. Não precisava. Nós dois sabíamos que o velho nunca aceitou ter perdido o controle sobre ela. Deixar Rossandra escapar tinha sido a única derrota da vida de Ramón. E agora, a última. Respirei fundo, forçando a adrenalina a dar lugar à frieza. O luto teria que esperar; as consequências não iam cooperar. — Quero tudo sobre essa mulher. — Tudo? — Cada detalhe — comecei a marchar pelo escritório, o cérebro trabalhando a mil por hora. — Onde ela mora, com quem deita, quem são os amigos, a rotina, o maldito marido se ela tiver um. Quero um dossiê completo na minha mesa. — Certo, chefe. Chefe. O peso do título bateu forte no meu estômago. Aquela cadeira agora era minha, por bem ou por mal. — Precisamos avisar o conselho sobre a baixa — Erick continuou, a voz retomando o tom profissional. — Eu sei. — E você vai ter que assumir o controle imediatamente. Soltei um sopro de risada, totalmente sem humor. — E metade deles vai testar a minha autoridade na primeira hora. — Alguns vão tentar — Erick assentiu do outro lado. — E eu vou estar bem atrás de você quando caírem. Parei diante do vidro. A chuva castigava Bogotá lá fora, borrando as luzes da cidade. O tabuleiro tinha mudado completamente. Sem o velho, os abutres iam voar baixo para arrancar um pedaço do império. — Obrigado, Erick. — Quando quer que eu volte? — Hoje. Pegue o primeiro voo. — Entendido. — E Erick? — o impedi de desligar. — Sim? Olhei para o reflexo do meu próprio rosto no vidro molhado. O cara que eu era até cinco minutos atrás já não existia mais. — Não esqueça o dossiê da Villani. — Pode deixar. A linha ficou muda. Continuei encarando a tempestade lá fora. Meu pai estava morto, e uma mulher que eu sequer conhecia acabava de ditar as regras do resto da minha vida. Horas depois!... O clima na sede estava sufocante. A notícia da morte do meu pai ainda nem tinha sido oficializada, mas eu já conseguia sentir o cheiro de sangue atraindo os tubarões. Para os velhos barões do cartel, eu não passava de um moleque. Um herdeiro jovem, solteiro, sem a casca ou a crueldade que Ramón Ramírez usava para manter as feras na coleira. Na cabeça deles, o império estava prestes a ruir, e a partilha do meu território era questão de tempo. Eles achavam que Alejandro Ramírez ia entregar tudo de bandeja só porque não tinha uma esposa ou cabelos brancos. Coitados. O bipe do elevador ecoou no meu andar, interrompendo meus pensamentos. A porta se abriu e Erick entrou na minha sala com os passos firmes de sempre, sem sequer ter passado no hotel para deixar as malas. Logo atrás dele vinha Miguel, nosso subchefe — o homem que controlava cada rota de escoamento e cada homem armado da organização. Os dois pararam diante da minha mesa. Eu continuei de pé, observando a chuva embaçar o vidro, antes de me virar devagar para encará-los. — Erick. Miguel — cumprimentei, mantendo a voz firme, sem transparecer o peso das últimas horas. — Relatório. Erick deu um passo à frente e jogou uma pasta preta sobre a madeira maciça. O dossiê de Rossandra Villani. — O trabalho no Brasil está feito, chefe. Mas o problema real está aqui dentro agora — Erick começou, o semblante tenso. — Acabei de alinhar a situação com o Miguel lá embaixo. O conselho já está farejando fraqueza. — Eles acham que você é verde, Alejandro — Miguel endossou, cruzando os braços pesados. — Estão dizendo pelos cantos que, por você não ser casado e não ter uma família, falta estabilidade para liderar o cartel. Estão literalmente apostando na sua ruína. Chamando você de moleque. Soltei um riso amargo, caminhando calmamente até a mesa. Apoiei as mãos na borda da madeira, olhando bem nos olhos de cada um deles. — Eles subestimam o sangue do meu pai — falei, a voz baixa e cortante. — Deixem que pensem que sou um garoto. Vai ser mais fácil quebrar as pernas deles quando tentarem avançar. Miguel trocou um olhar rápido com Erick e depois assentiu, um meio sorriso de aprovação surgindo no rosto. — Se a gente não fechar o cerco agora, as hienas vão morder — Miguel alertou. — Qual é o plano? Olhei para a pasta preta e depois para os meus dois homens de confiança. O jogo tinha começado, e eu ia mostrar para aquele conselho de velhos que o "moleque" mordia muito mais forte que o pai. — O plano é simples — respondi, abrindo o dossiê. — Vamos convocar uma reunião com todos eles. Amanhã cedo. Quem vacilar na minha frente, dança.Rosário Os dias que se seguiram foram os mais felizes que a nossa casa já viu em anos. A presença da Andreia e o barulho das crianças preenchiam cada canto que antes era dominado pelo silêncio e pelo medo. Ver a mamãe com o bebê no colo, enquanto o Henrique, mesmo tímido, tentava interagir com a gente, aquecia o meu coração de um jeito que eu nem sabia ser possível.Nesses mesmos dias, a Andreia e a mamãe tiraram uma tarde para fazer uma visita muito especial: foram ver a mulher que tinha salvado a vida da minha irmã quando ela fugiu da casa do Ramirez. Era uma dívida de gratidão eterna, e a Andreia não poderia ir embora sem se despedir daquela que foi o seu anjo da guarda.Foi logo depois que elas voltaram dessa visita que a mamãe me chamou na cozinha, junto com a Rosa. O semblante dela estava sério, mas não era de tristeza; era a expressão de uma mãe que tinha tomado uma decisão definitiva.— Filhas, sentem aqui. Precisamos conversar — dona Roberta começou, olhando fixamente par
Rosário Os dias que se seguiram àquela noite foram tensos, cada passo até a biblioteca parecia carregar o peso de uma ameaça iminente. O Augusto andou rondando o lugar, os olhares dele queimando a minha pele de longe, como se estivesse apenas esperando o momento certo para dar o bote. Mas, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, o vento mudou na comuna.Ele sumiu das redondezas de repente. Não demorou para os boatos correrem pelas ruelas: o Augusto e mais alguns caras do morro caíram em uma emboscada pesada da polícia. Foram pegos de surpresa e levados algemados. Quando a notícia se confirmou, foi como se um peso de cem quilos saísse de cima do meu peito. O alívio foi tão grande que cheguei a chorar no meio dos livros. Pela primeira vez em meses, nós conseguimos respirar sem olhar para trás a cada esquina.Dois meses se passaram. Dois meses de paz, de rotina mansa e de noites bem dormidas. Até que, em um fim de tarde qualquer, a calmaria foi interrompida por batidas firmes na n
Rosário Ficamos ali, abraçadas no silêncio do quarto, até que o peso no meu peito diminuiu um pouco. Rosa se levantou com aquele sorriso doce para ir tomar banho, e eu fui direto para a cozinha fazer o jantar.Depois que comemos, a Rosa deu um pulo da cadeira, animada.— Tive uma ideia! Vamos fazer uma sessão de cinema na sala hoje? Faz tanto tempo que a gente não senta junto para ver um filme.— Ah, Rosa, o dinheiro está curto até para o aluguel, quem dirá... — mamãe começou, já suspirando.— Mas mamãe, é cinema em casa! — brinquei, puxando a dona Roberta pelo braço. — A senhora não gasta um tostão. Eu faço uma bacia de pipoca gigante e a gente usa o cobertor mais quentinho. Vamos, por favor?— Está bem, suas teimosas. Vocês me convencem muito fácil — mamãe sorriu, deixando o cansaço de lado enquanto ia para a sala.Fui para a cozinha e o barulho da pipoca estourando na panela preencheu a casa. Corri para a sala com a bacia cheia e me joguei no sofá entre as duas. A Rosa já es
Rosário — Como eu vou fazer agora, Marcinha? — perguntei, sentindo as lágrimas de puro nervosismo queimarem o fundo dos meus olhos. O pânico subia pela minha garganta. — Você ouviu o tom de voz dele? Ele me ameaçou na cara dura! Ele acha que o que aconteceu com a Rossandra e com o meu pai é só "passado", uma desculpa boba para eu dar um fora nele!— Ele é o herdeiro do morro, amiga. Eles acham que são donos de tudo, até das pessoas — Marcinha disse, olhando preocupada em direção à rua pela janela de vidro. — Todo mundo abaixa a cabeça para o Augusto, ele não está acostumado a ser rejeitado.— O sangue sumiu da minha cabeça na hora! — passei as mãos pelo rosto, tentando afastar o fantasma do medo. — O que importa é que a dona Roberta trabalha duro como empregada doméstica, a Rosa se mata de trabalhar naquela loja, e eu estou aqui tentando ter um futuro limpo. Se a minha mãe sonhar que esse rapaz veio aqui me encurralar, ela infarta. Ou pior, ela vai tentar me proteger e o pessoal d
Último capítulo