Mundo ficciónIniciar sesión🖤 Pietro — subchefe da máfia, taciturno, prático, protetor e ciumento. Um homem moldado pela escuridão, que vive cercado por regras e lealdades. 🌼 Bianca — doce, sensível, apaixonada por flores. Uma jovem que carrega segredos íntimos capazes de abalar qualquer relação. Ele a viu uma única vez e nunca mais conseguiu tirá-la da cabeça. O destino os aproximou e, com sua objetividade fria, Pietro a escolheu como esposa. Mas o que parecia ser apenas uma história de amor marcada pela força e pela doçura, logo se transformaria em um campo minado de revelações.
Leer másBianca
Sento-me bruscamente na cama, com o coração acelerado e a respiração ofegante. Não compreendo por que voltei a sonhar com aquela noite fatídica, o dia em que todos ao meu redor tiveram suas vidas ceifadas, inclusive meus próprios pais. Não seria honesto afirmar que sinto falta daqueles homens de semblante sombrio que me aterrorizavam, tampouco dos meus progenitores, que faziam questão de manter distância de mim.
Mesmo sendo muito pequena na época, eu já tinha consciência de que só podia contar com a bondosa cozinheira, que me tratava como filha, enquanto minha mãe sequer se preocupava em saber se eu havia tomado o café da manhã. Também havia Davide, o jardineiro, que me acolheu como filha quando perdi minha família, assim como ele perdera a esposa. De Ludovica, sua amada, guardo lembranças ternas e luminosas, que contrastam com a escuridão daquela tragédia.
Até a adolescência, eu não conseguia entender o motivo pelo qual meu pai me repudiava e minha mãe só se lembrava da minha existência em raras ocasiões, como reuniões na escola ou aniversários dos filhos de algum mafioso, amigo da família.
— Bianca, se te convidarem para entrar na piscina ou brincar na cama elástica, você diz que não quer ou que não gosta — recomendava sempre que a festa era realizada na área externa da casa ou em algum clube.
— Mas eu gosto, mãe.
— Você quer me fazer passar vergonha? Imagine todas essas pessoas te vendo de biquíni ou observando o seu corpo no subir e descer do vestido. O que seria da nossa família? Seu pai é Capo, tem uma reputação a zelar. Ninguém vai querer o filho perto de uma... Esquece, apenas me obedeça.
Com certeza, a palavra que sairia de sua boca seria “aberração”. Era assim que o homem que me colocou no mundo se referia a mim. Lembranças como essa trouxeram respostas para algo que sempre foi óbvio. No fundo, eu sempre soube o motivo pelo qual nunca fui amada por aqueles que me conceberam. Uma falha, não genética, mas de caráter, os impedia de amar o próprio sangue.
Levanto-me e abro a janela. Os raios ainda tímidos do sol ajudam a espantar minhas lembranças tristes. Observo o lindo jardim e sorrio; as flores têm esse efeito sobre mim. Tenho sorte de meu padrinho ter me dado este quarto, que fica na parte mais bonita da casa, diferente do quarto do meu pai, localizado na ala dos empregados, nos fundos.
Desde os quinze anos durmo na parte superior da casa. Porém, desde o momento em que coloquei os pés aqui com meu pai, nunca fui tratada como filha de um simples jardineiro. A senhora Kira sempre me acolheu como uma filha. Acredito que parte disso venha do fato de ela ter dois filhos homens, cinco anos mais velhos que eu, que me tratam como irmã caçula e demonstram um ciúme exagerado de qualquer rapaz que se aproxima.
Mal sabem eles que nenhum homem vai querer uma mulher como eu. Meu destino é viver só.
Nunca contei aos meus padrinhos sobre minha deformidade. Tornei-me especialista em inventar desculpas para evitar situações como entrar na piscina, por exemplo. Certa vez, os meninos me jogaram na água; achavam que eu tinha medo e que, de alguma forma, estavam me ajudando.
Naquele instante, as palavras da minha mãe surgiram na minha mente. Dei graças a Deus por estar usando um macacão de tecido grosso e bem folgado, não quero nem imaginar o que teria acontecido se eu estivesse de vestido. Fiquei tão chateada que eles pediram desculpas e nunca mais repetiram aquilo.
Sinto falta daqueles bagunceiros. Os gêmeos foram estudar nos Estados Unidos, se formaram e conseguiram bons empregos. Agora, nos visitam apenas em datas comemorativas. Ainda assim, nos falamos ao menos uma vez por semana pelo Skype e, algumas vezes, pelo W******p.
Bianca— Você está grávida? Vamos ter um filho?Ele se levanta e vem em minha direção. Confirmo com um aceno de cabeça, incapaz de conter as lágrimas que já escorrem pelo meu rosto.Meu mafioso segura meu rosto com as duas mãos.— Eu vou ser pai, meu doce? Pai de um filho seu?Antes que eu responda, ele me beija. Um beijo profundo, cheio de amor e carinho. Permanecemos assim por longos instantes, presos um ao outro.Meu coração se aquece com sua reação… mas uma insegurança ainda insiste em permanecer. Quando nos afastamos, observo seu rosto.— O que foi, amor?— Tem certeza de que quer esse filho? E se ele for… como eu fui? E se—Ele silencia minhas palavras com a mão sobre meus lábios.— Por que eu não iria querer nosso filho? — sua voz sai firme, mas carregada de emoção. — Ser pai é tudo o que sempre quis. Desde o dia em que te conheci, imaginei nós dois… uma casa, filhos… uma família.Seus olhos brilham ao me encarar.— Eu te amo, Bianca. Nosso filho é o fruto desse amor. Um homem
BiancaDepois do tratamento que fiz, pensei estar livre das dores no estômago. Infelizmente, elas voltaram. Creio que terei que repetir a endoscopia. Decido procurar um médico o quanto antes: ligo para a clínica e marco uma consulta, determinada a resolver isso rapidamente.No banheiro, abro o armário e pego minha caixa de remédios. Procuro os comprimidos para dor que usei da última vez, mas encontro apenas uma cartela de anticoncepcional… intacta.Franzo a testa, tentando me lembrar da última vez que tomei meu controle de natalidade.Antes do sequestro.Com tudo o que aconteceu, simplesmente me esqueci.Deito-me na cama, o pensamento martelando.Então a ficha cai.Não menstruo há mais de dois meses.Será…?Levanto em um salto, pego o celular e quase ligo para Perla. Paro antes de discar. Não.Decido ir sozinha à clínica.Se eu estiver grávida… quero que Pietro seja o primeiro a saber.Se meu pai estivesse vivo, eu o chamaria para ir comigo. Mas não é o caso. Vou sozinha.Aviso Mattia
BiancaAproximo-me de seu rosto, e nossos lábios se encontram. O beijo é intenso, carregado de desejo. Minha boca desliza até seu pescoço, explorando sua pele com uma ousadia que nunca me permiti antes.— Cazzo… — ele murmura, enquanto minhas carícias despertam cada centímetro de sua pele. Suas mãos me puxam para mais perto. — Quero sentir você…— Você disse que o jogo era meu… então espere.Ele geme baixo, mordendo o próprio lábio.Meus movimentos são lentos, cheios de intenção. Cada reação dele me alimenta; cada suspiro, cada tensão em seu corpo me dá ainda mais confiança.— Bianca… — sua voz falha — não me provoque assim…Sorrio, sem interromper o ritmo. Pela primeira vez, sou eu quem conduz, quem dita o tempo.— O jogo é meu — repito, firme.E ele cede.Entrega-se.— Vem cá… — sua voz sai rouca quando me puxa de volta para si, acomodando-me em seu colo.Nossos lábios se encontram outra vez, agora mais urgentes, mais intensos.Meu mafioso me carrega até a cama sem interromper o bei
BiancaSeus olhos estão sobre mim. Confesso que estou nervosa. Talvez não tenha sido uma boa ideia brincar com fogo.Nossa vida íntima tem evoluído aos poucos. Já não sou aquela mulher contida, que apenas corresponde aos seus toques e investidas. Com o tempo, aprendi a expressar meus desejos — como em Florença —, mas ainda foram passos tímidos. Eu estava fragilizada, e toda a condução partiu dele.Hoje… foi diferente.Foi a primeira vez que disse, abertamente, o quanto o quero.O medo de não corresponder às suas expectativas se insinua em meus pensamentos. Pietro é um homem experiente. Tenho certeza de que não chego a um terço das mulheres que já passaram por sua vida… ou mesmo das que frequentam o clube. Até minhas cunhadas parecem mais seguras do que eu.Pare com isso, Bianca.Ele te ama.Já que começou esse jogo, vá até o fim.Meu próprio pensamento me encoraja. Não posso — e nem quero — recuar.Isso, Bi… apenas relaxe. Aproveite.Os vinte minutos dentro do carro foram suficientes
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