Mundo de ficçãoIniciar sessãoRuggero D'Angelo, o implacável Don da poderosa família mafiosa D'Angelo, reina sobre o submundo italiano com punho de ferro e charme letal. Aos 35 anos, ele é temido e desejado, um homem que não hesita em matar para proteger seu império. Maria Julia "Maju" Rodrigues, uma brasileira linda e feroz, vive como imigrante ilegal nas periferias de Nápoles, sustentando o irmão menor Dudu com furtos de carros. Com o passado marcado por trauma e um perseguidor misterioso, ela sobrevive fingindo ter um namorado perigoso. Quando Maju tenta roubar o carro errado no lugar errado, ela testemunha Ruggero executando um traidor. Capturada pelos homens do Don, ela esperava a morte. Mas algo na garota de cabelo cacheado curto, tatuagem de rosa e dragão e olhar desafiador desperta a curiosidade — e o desejo — do mafioso. Em vez de matá-la, Ruggero a leva como sua prisioneira, transformando-a em sua "escrava" particular. Entre Nápoles e a luxuosa mansão da família na Campânia, nasce um jogo perigoso de poder, atração, segredos e rendição. Maju guarda segredos que podem destruir tudo. Ruggero nunca imaginou que se apaixonaria pela única mulher capaz de desafiá-lo. Uma história de amor proibido, obsessão, redenção e perigo no coração da máfia italiana.
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A coisa que mais odeio nesse mundo são traidores. E pior que isso são os traidores que comem do nosso pão, sentam à nossa mesa, bebem do nosso vinho e ainda sorriem como se fossem família. Esses são os piores. Parasitas que se alimentam da nossa confiança e depois vendem nossa alma para o diabo. Eu estava recostado no banco de couro preto do SUV blindado. A chuva fina batia contra o vidro escurecido, criando um véu que separava meu mundo do caos lá fora. Aos 35 anos, eu, Ruggero D’Angelo, Don da família D’Angelo, controlava boa parte do sul da Itália. Meu nome era sussurrado com medo e respeito nas ruas, nos portos e nas salas de poder. Mas traição... traição era algo que eu não tolerava. Meu telefone vibrou no bolso interno do terno italiano feito sob medida. Atendi sem pressa. — Senhor, achamos ele — disse a voz firme do meu soldado, carregada de expectativa. Um sorriso frio curvou meus lábios. Finalmente. — Perfeito. Segurem o desgraçado aí. Não deixem ele abrir a boca até eu chegar. Desliguei e guardei o aparelho. Enzo, meu motorista de confiança há oito anos, me olhou pelo retrovisor. — Scampia, chefe? O beco atrás do prédio abandonado? — Isso mesmo. E dirija com calma. Quero saborear cada segundo dessa noite. Enquanto o carro avançava pela periferia, a paisagem mudava. Os luxuosos bairros do centro davam lugar a construções decadentes, grafites nas paredes e sombras que escondiam vícios e desespero. Scampia era um dos bairros mais perigosos de Nápoles, terreno fértil para a Camorra e para homens como eu. Olhei pela janela, observando as luzes fracas dos postes refletindo nas poças. — Mas eu sei como acabar com esses parasitas — murmurei, quase para mim mesmo, a voz baixa e grave ecoando dentro do carro. — Conheço o melhor tipo de veneno para esses ratos. Uma bala bem colocada. Rápida. Definitiva. Sem segundas chances. Meu sangue fervia de raiva controlada. Luca Rossi tinha sido meu consigliere por quatro anos. Ele sentava à minha mesa, participava das reuniões familiares, conhecia rotas de carregamentos, nomes de contatos no porto e acordos com políticos corruptos. E o que fez? Vendeu tudo para a família rival dos Vitale. Traiu o sangue. Traiu a honra. Traiu a mim. A chuva aumentou de intensidade, tamborilando mais forte no teto do SUV. Eu ajustei os punhos da camisa branca, sentindo o peso da pistola carregada no coldre sob o paletó. Não era sempre que eu sujava as mãos pessoalmente, mas esta noite era diferente. Esta era uma mensagem. Quando o Don executa a sentença, todos entendem que a família D’Angelo não perdoa. Enzo parou o carro no final do beco escuro. O lugar cheirava a lixo úmido, urina e concreto molhado. Desci do veículo, sentindo a chuva fina tocar meu rosto e ombros. Meus olhos varreram o ambiente. Dois dos meus melhores soldados seguravam Luca ajoelhado na lama. Ele estava patético. Roupas encharcadas, rosto inchado depois do “carinho” que meus homens aplicaram e o melhor de tudo: pânico, pelos expressão no olhar era visível perceber. O homem que um dia eu considerei quase um irmão agora tremia como um cão abandonado. — Ruggero? Meu Don... por favor... — balbuciou ele, cuspe misturado com chuva escorrendo pelo queixo. — Foi um erro... eles me ameaçaram... eu tenho família... Eu me aproximei devagar, cada passo ecoando no beco como uma sentença. Parei diante dele, olhando de cima. A chuva escorria pelo meu terno, mas eu não me importava. — Família? — Minha voz saiu como um rosnado baixo e controlado. — Você pensou na sua família quando vendeu nossas rotas para os Vitale? Quando comeu meu pão e planejou minha queda? Traidores como você não merecem piedade. Merecem exemplo. Luca tentou se debater, mas os soldados o seguraram com firmeza. Um deles, Marco, pressionou o joelho nas costas dele. — Chefe, ele confessou tudo — informou Marco. — Os Vitale pagaram bem. Eu assenti, tirando a pistola da cintura. O metal frio e pesado era familiar na minha mão. Não havia prazer sádico nisso. Apenas justiça. Regras. O mundo da máfia era cruel, e eu era o seu rei. — Traidor só tem um destino — declarei, a voz grave cortando a chuva. O tiro ecoou alto, seco, final. O corpo de Luca caiu para o lado, sangue quente misturando-se à água suja que corria pelo chão. O cheiro de pólvora se espalhou no ar úmido. Guardei a arma com calma, como quem guarda um acessório comum. Negócios resolvidos. Voltei para o carro, mas algo chamou minha atenção. Um movimento rápido, quase imperceptível, atrás de um contêiner enferrujado a uns vinte metros. Olhos. Alguém havia visto tudo. Meu instinto de sobrevivência acendeu como um interruptor. — Enzo! Tem alguém ali! — ordenei, apontando com o queixo. Os soldados já sacavam as armas e corriam na direção. Eu permaneci parado, sentindo a chuva molhar meu rosto. Quem quer que fosse aquela sombra, tinha acabado de testemunhar a execução de um traidor. Ninguém saía vivo de algo assim. Enquanto os homens se aproximavam do esconderijo, eu sentia uma estranha mistura de irritação e curiosidade. Esta noite, que deveria terminar com uma morte limpa, acabara de ganhar uma complicação. E algo me dizia que essa testemunha mudaria todos os meus planos para aquela noite. Eu era Ruggero D’Angelo. E ninguém escapava de mim.MARIA JULIA (MAJU)O SUV cortava a noite escura de Nápoles. Eu estava algemada no banco de trás, imprensada entre dois soldados brutos que nem olhavam na minha cara. Ruggero ia no banco da frente, silencioso. Aquele maldito nem se dignava a virar a cabeça para trás.Meus pulsos doíam. Meus lábios também — devia ter um corte no canto da boca, do depor daquele desgraçado. O gosto de sangue seco me enjoava.Eu não sabia para onde estávamos indo. Só sabia que não era para um lugar bom.Quando o carro finalmente parou, levantei a cabeça e vi.Muros altos. Portões de ferro enormes. Uma mansão branca e imponente que mais parecia um palácio — mas para mim uma prisão. Jardins bem cuidados, câmeras em cada canto, seguranças armados em cada porta.Eu entendi naquele momento: não havia escapatória.Meu coração afundou.Um segundo carro estacionou atrás do nosso. A porta abriu e eu vi Dudu sendo trazido por outro soldado. Ele estava pálido, o rostinho assustado, os olhos marejados. Mas parecia ile
RUGGERO D'ANGELOMaldição.Ela já me pertencia antes mesmo de eu decidir. E quando eu ponho algo na mão, ninguém mais tira. Essa é a regra. Essa sempre foi a regra.Mas geralmente são coisas que realmente valem a pena. Propriedades. Negócios. Terrenos. Vidas, quando convém. Essa garota, porém, é apenas uma ladra de carros. Nada mais. Uma brasileira imunda, escondida nos becos de Scampia, que teve o azar de testemunhar o que não devia.E agora é uma testemunha que precisa morrer."Precisa."Foi o que pensei enquanto entrava no carro. A chuva tinha parado, mas o cheiro de sangue ainda impregnava minhas roupas. O corpo do traidor ficaria ali até que alguém tivesse coragem de recolhê-lo. Ninguém teria. Scampia aprendeu há muito tempo o que acontece com quem se mete com um D'Angelo.E foi por isso que quando Marco me perguntou o que devia fazer com ela, eu olhei.Olhei para ela ajoelhada, submissa no chão sujo, os braços presos por dois dos meus homens. Com o cabelo grudado no rosto por ca
MARIA JULIA RODRIGUES — Chefe, o que fazemos com ela? A voz do soldado cortou o ar pesado do beco como uma lâmina. Eu ainda estava ajoelhada na lama fria, o corpo tremendo da chuva, da corrida e do tapa que aquele homem havia me dado minutos antes. Meu rosto ardia no lugar onde ele havia me acertado. O canto da boca ainda tinha gosto de sangue. Eu levantei o olhar devagar. Olhando para o maldito homem de terno escuro — ele me encarava com o mesmo olhar frio que eu o tinha visto, encarar, o corpo daquele homem após executa-lo a sangue frio — me observava com aqueles olhos castanhos escuros profundos. E aparentemente não tinha pressa. Parecia estar decidindo meu destino como se fosse um Deus cruel. E talvez fosse. Para mim, naquele momento, ele era. Meu coração martelava tão forte que eu mal conseguia respirar. Dudu. Meu irmãozinho estava sozinho naquele apartamento apertado, esperando por mim. Ele devia estar com medo, talvez chorando baixinho como fazia quando eu demorava demais.
RUGGERO D’ANGELO Eu francamente não entendi a minha própria reação. Nem meus homens pareciam entender. Quando os soldados jogaram a ladra aos meus pés e a luz do poste iluminou seu rosto, eu senti algo que raramente sinto: surpresa misturada com desejo bruto. A desgraçada era linda como um demônio. Ajoelhada ali na lama, com aquela cabelo castanho cacheado e curto grudado no rosto, piercing no nariz, traços delicados e aquela boca perfeita... Porra. Minha cabeça viajou direto para o pau. Imaginei aqueles lábios inchados ao meu redor, imaginei marcando aquela pele morena, dobrando aquele corpo pequeno e feroz. Ela era como uma pintura viva, selvagem, fora do lugar naquele beco sujo de Scampia. Eu já pensava em dar um tiro na cabeça dela. Testemunhas não sobrevivem. Mas primeiro precisava matar aquele desejo que a putinha havia acendido em mim. “Só por isso”, repeti para mim mesmo, tentando me convencer. Depois eu a mataria. Primeiro, eu precisava disso. Quando os soldados tentaram





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