Mundo de ficçãoIniciar sessãoAmanda passou a vida inteira dentro da mansão dos Albuquerque, mas nunca como parte da família. Neta da governanta, ela cresceu entre corredores luxuosos que nunca lhe pertenceram. Desde pequena aprendeu qual era o seu lugar: trabalhar em silêncio, ajudar a avó e ser invisível diante das pessoas poderosas que ali passavam. Exceto para uma pessoa. Orlando Albuquerque, patriarca da família, sempre teve um carinho especial por Amanda. Desde menina ele via nela algo raro naquele mundo de luxo e ambição: lealdade, coragem e um coração verdadeiro. O mesmo não podia ser dito de André Luís, Herdeiro da fortuna e do sobrenome mais temido da região, André nunca escondeu o desprezo que sentia por ela. Frio, arrogante e acostumado ao poder, foi criado para assumir o lugar do avô não apenas nos negócios, mas também no comando de algo muito mais perigoso. Orlando Albuquerque não era apenas um empresário poderoso. Ele era o Don de uma das organizações mais temidas do submundo. Quando o velho patriarca adoece, é Amanda, agora estudante de enfermagem quem permanece ao lado dele até o último momento. Tocando-se pela dedicação da jovem que sempre tratou como uma neta, Orlando toma uma decisão inesperada antes de morrer. Uma decisão que mudará o destino deles Após sua morte, o testamento revela uma cláusula chocante: para herdar tudo e assumir o lugar de Don, André deverá se casar com Amanda e permanecer casado com ela por 365 dias. Sem divórcio. Sem exceções. Presos a um casamento forçado, cercados por poder, perigo e ressentimentos antigos, os dois serão obrigados a conviver sob o mesmo teto. Durante 365 dias, Amanda estará presa ao homem que sempre desprezou. Mas talvez o verdadeiro perigo seja descobrir que por trás da frieza do herdeiro cruel existe um homem capaz de mudar tudo, inclusive seu coração.
Ler maisCapítulo 1
Amanda Salles A mansão dos Albuquerque nunca pareceu tão silenciosa e fria. Mesmo com a casa cheia de pessoas importantes, advogados e homens de terno escuro espalhados pela sala principal, o ar parecia pesado demais para respirar. Talvez porque ele não estivesse mais ali. Meu olhar subiu lentamente até o enorme retrato do senhor Orlando pendurado acima da lareira. O homem que havia sido como um avô para mim agora era apenas uma lembrança em uma moldura dourada e fria. Ainda era difícil aceitar. Minhas mãos estavam trêmulas enquanto eu segurava o tecido simples do meu vestido preto. Minha avó Teresa estava ao meu lado, apertando meus dedos com força, como se temesse que eu desmoronasse a qualquer momento. — Fique calma, minha menina — ela murmurou baixinho. — Ele descansou, ele estava sofrendo demais. Tentei sorrir para tranquilizá-la, mas meus olhos foram puxados, quase contra minha vontade, para o outro lado da sala, onde estava aquele ser asqueroso. André Luís Albuquerque. Ele estava encostado próximo à janela, vestindo um terno preto perfeitamente ajustado ao corpo alto e forte. O olhar frio estava fixo no advogado à frente da sala, mas eu sabia que, a qualquer momento, aqueles olhos escuros poderiam cair sobre mim. E quando isso acontecia… Nunca era algo bom. André sempre me odiou. Desde que éramos crianças. Talvez porque eu fosse apenas a neta da governanta. Talvez porque o senhor Orlando sempre tivesse demonstrado carinho por mim. Ou talvez porque André precisasse de alguém para descarregar toda a amargura que carregava dentro de si. — Vamos começar — anunciou o advogado, ajustando os óculos. O silêncio na sala ficou ainda mais pesado. Meu coração acelerou. — Como é do conhecimento de todos, estamos aqui para a leitura do testamento do senhor Orlando Albuquerque de Sá. Um dos homens ao lado de André assentiu discretamente. Eu conhecia cada um daqueles homens. Eles não eram apenas empresários. Eram parte do mundo que sempre existiu nas sombras daquela família. O mundo que André agora comandava com punho de ferro. O advogado abriu o envelope lentamente. — Grande parte dos bens do senhor Orlando Albuquerque será transferida para seu único herdeiro, André Luís Albuquerque. André não demonstrou reação. Como se aquilo fosse apenas o esperado. Mas então o advogado continuou. — Entretanto, para que essa transferência seja efetivada, existe uma cláusula específica que deverá ser cumprida. Um murmúrio percorreu a sala. Senti a mão da minha avó apertar a minha com mais força, como se ela soubesse o que viria a seguir. O advogado limpou a garganta antes de continuar: — Para receber o controle total da herança e do império Albuquerque, André Luís Albuquerque deverá se casar legalmente com Amanda Salles. Meu coração simplesmente parou. …Amanda Salles, puta que pariu isso não pode estar acontecendo... Um silêncio mortal caiu sobre a sala. Todos os olhares se voltaram para mim. Senti meu rosto queimar enquanto meu estômago afundava. Isso… não podia estar certo. Mas como em um pesadelo ele continuou: — O casamento deverá durar 365 dias completos — continuou o advogado. — Durante esse período, o casal deverá permanecer legalmente unido e residindo na mesma casa. Caso o contrato seja quebrado antes do prazo, toda a herança será automaticamente destinada a instituições de caridade. Assim como o poder sobre a máfia será passado para o próximo da linha de sucessão. A sala explodiu em murmúrios. Mas eu não conseguia ouvir nada. Porque o olhar de André estava cravado em mim. Frio. Sombrio. Assustador. Por um segundo, tive a impressão de estar olhando diretamente para o próprio diabo. Ele caminhou lentamente até o centro da sala. Cada passo parecia ecoar dentro do meu peito. E quando parou diante de mim, fui obrigada a erguer o rosto. O sorriso dele era cruel, diabólico. — Você só pode estar brincando… — disse ele, com a voz baixa e perigosa. Meu coração batia tão forte que doía meu peito, podia jurar que a qualquer momento ele pularia pra fora. — Eu… eu não sabia disso. Não fazia ideia. Ele nunca me disse nada… — sussurrei demonstrando o pavor que ele me fazia sentir. Os olhos dele se estreitaram. — Um ano inteiro casado com a neta da empregada? Ele soltou uma risada seca, cheia de desprezo. Algo comum vindo dele. — O velho finalmente enlouqueceu antes de morrer. Cada palavra era como uma punhalada certeira. Mas o advogado ainda não havia terminado. — Há mais alguns detalhes — disse ele. Todos voltaram a olhar atentos para ele. — Caso Amanda aceite o casamento e permaneça nele pelos 365 dias exigidos, ela receberá um milhão de reais… e a posse definitiva da casa, e de um espaço de terra, onde cresceu nesta propriedade, que será averbado da mansão. Minha respiração falhou. A casa. A casa da minha avó. Ela amava aquele lugar mais do que qualquer coisa no mundo. André passou a mão pelos cabelos escuros, claramente irritado. — Isso é ridículo, não faz sentido algum eu ter que me rebaixar a isso. Ele soltou um suspiro impaciente. — Não faz o menor sentido. Ele repetia completamente irritado. Como se eu tivesse culpa daquilo, eu fiquei tão surpresa e indignada quanto ele... Então ele olhou novamente para mim. E dessa vez havia algo muito pior em seu olhar. Decisão. — Mas é isso então, está tudo bem — disse ele, enquanto me fuzilava com os olhos. Meu coração afundou ainda mais no peito. — Se é isso que o velho Albuquerque queria… eu vou me casar com essa pobre coitada. Ele se inclinou levemente na minha direção. A voz dele saiu em um sussurro baixo, que só eu consegui ouvir, mas que queria não ter ouvido. Pois cada palavra atravessou meu peito como uma lâmina afiada me rasgando. — Mas não se engane, Amanda. Seus olhos estavam escuros como a própria noite. —Não espere uma vida de rainha e de luxo, garota. Esses 365 dias vão ser o maior inferno que você possa imaginar, vou cuidar disso pessoalmente!Capítulo 7Amanda Salles AlbuquerqueAlguma coisa me acordou.Não foi um barulho alto.Foi mais uma sensação.Aquela estranha sensação de que eu não estava mais sozinha no quarto.Meus olhos se abriram devagar no escuro, ainda pesados de sono. Por alguns segundos fiquei imóvel, tentando entender onde eu estava.Então lembrei.A mansão.O contrato.O casamento.E ele.Meu coração acelerou quando percebi uma silhueta perto da janela.André.Ele estava ali.Parado, olhando para fora, como se a noite inteira estivesse acontecendo do outro lado do vidro.A luz fraca da varanda desenhava o contorno largo dos ombros dele. A camisa ainda estava no corpo, mas os primeiros botões estavam abertos e as mangas dobradas até os antebraços.Ele parecia cansado.Mas ainda assim… perigoso.Eu me mexi um pouco na cama sem pensar.O colchão fez um leve som.E ele percebeu.— Acordei você?A voz dele saiu baixa, rouca, quebrando o silêncio do quarto.Engoli em seco antes de responder.— Não… eu já estava
Capítulo 6Amanda Salles AlbuquerqueEu não consigo entender o que ele realmente quer de mim.Mas sinto que, para aguentar um ano aqui no meio da guerra em que ele vive eu vou ter que ser forte. Algo que eu nunca fui.Porque neste mundo…Fraqueza mata.Continuei olhando para o céu escuro pela janela, tentando acalmar a respiração, mas o medo vinha aos poucos, como uma sombra que se espalha dentro do peito.Eu devia ter dito não.Devia ter recusado essa loucura desde o começo.Quem eu quero enganar?Eu nunca serei a mulher de um Don.O som dos passos dele no quarto me fez gelar. Passos firmes, seguros… perigosos. Cada um deles parecia ecoar direto dentro de mim.Meu corpo inteiro se arrepiou, como se reconhecesse o perigo antes mesmo da minha mente.Então ele se aproximou ainda mais.— Você aceitou essa porra toda, Amanda… — a voz dele veio baixa, carregada de irritação — agora vai ter que suportar.Antes que eu pudesse reagir, ele segurou meus braços com força e me puxou contra o corp
Capítulo 5André Luís AlbuquerqueDesci as escadas com passos rápidos.As vozes no salão principal estavam altas demais para uma reunião da cúpula da máfia.Isso nunca era um bom sinal.Atrás de mim, Bruno vinha em silêncio. Eu conhecia aquele silêncio. Ele estava avaliando a situação antes de agir.Quando entrei no salão, todos os olhares se voltaram para mim.Mas não foi isso que chamou minha atenção.Foi Amanda.Ela estava no centro da sala.Sozinha.Meu maxilar se contraiu.Na frente dela estava Valentina Moretti, a mesma que estava grudada em mim antes.Era conhecida por causar problemas em qualquer lugar que pisasse.Os olhos dela brilhavam com aquele tipo de diversão venenosa que algumas pessoas sentem ao humilhar os outros.E ao redor delas…Homens perigosos.Chefes de territórios.Aliados da família Albuquerque.Todos assistindo.Um espetáculo.— Olha só quem resolveu voltar — Valentina disse com um sorriso torto quando me viu.Ignorei completamente a provocação.Meu olhar es
Capítulo 4André Luís AlbuquerqueA mansão estava em silêncio.Mas dessa vez não era o silêncio do luto.Era o silêncio do poder.Eu estava no escritório do meu avô.Agora meu escritório.O mesmo lugar onde ele passou décadas comandando homens, negócios… e mortes.E provavelmente o mesmo lugar onde ele decidiu destruir a minha paz. A seu Orlando eu devia saber que aprontaria comigo até na sua morte.Casei. Que maldição.A palavra ainda parecia absurda na minha cabeça.Eu nunca planejei casar.Nunca quis isso.Relacionamentos eram complicados demais.Mulheres queriam amor.Queriam atenção.Queriam coisas que eu nunca tive para oferecer.Então sempre mantive tudo simples.Noites.Corpos.Sexo.E nada mais.Mas agora…Agora eu tinha uma esposa.E o pior, era Amanda Salles.Soltei um riso baixo, sem humor.Se alguém tivesse me dito um mês atrás que eu terminaria casado com a neta da governanta, eu teria mandado internar essa pessoa, ou matar o que fosse mais fácil.Peguei o copo de whisky
Capítulo 3Amanda SallesTudo aconteceu rápido demais.Rápido a ponto de parecer um sonho ruim do qual eu ainda não tinha acordado.Na manhã seguinte à leitura do testamento, eu estava diante de um juiz.Casando.Com André Luís Albuquerque.O mesmo homem que passou boa parte da minha vida me lembrando que eu não pertencia àquele lugar, que eu era menos que nada.Agora… eu me tornaria oficialmente parte da família dele, pior ainda esposa dele.O vestido que eu usava era simples.Branco.Nada parecido com um vestido de noiva de verdade.Parecia mais um vestido que alguém pegou às pressas em alguma loja cara da cidade.Talvez tivesse sido exatamente isso.Minha avó estava ao meu lado, segurando minhas mãos com força.Os olhos dela estavam marejados.— Você não precisa fazer isso, minha menina — ela sussurrou, eu posso ir embora.Meu coração apertou.Mas eu sorri para ela.Um sorriso fraco.— Está tudo bem, vó.Eu não queria que ela soubesse a verdade.Que eu estava com medo.Muito medo.
Capítulo 2Amanda SallesEu ainda estava tentando entender o que tinha acabado de acontecer.As pessoas continuavam murmurando ao redor da sala, como se aquela notícia absurda fosse apenas mais um detalhe em um dia comum, os olhos deles sobre mim, como se eu fosse apenas mais uma interesseira.Mas para mim…Parecia que o chão tinha desaparecido sob meus pés.Casar com André Luís Albuquerque.Meu estômago se revirou.Olhei para minha avó, que ainda segurava minha mão. O rosto dela estava pálido, os olhos marejados.— Amanda… — ela murmurou.Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma voz fria cortou o ar.— Venha comigo.Meu corpo inteiro ficou tenso.Levantei o olhar lentamente.André estava me encarando.Não era um convite.Era uma ordem.— Eu acho que vocês dois precisam conversar — disse o advogado, com um tom cauteloso.André não respondeu.Ele simplesmente virou as costas e começou a caminhar em direção ao corredor da mansão.Esperando que eu o seguisse.Meu coração disparou.





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