Mundo ficciónIniciar sesiónForçada a assinar um contrato de casamento para salvar a própria família, Callysto nunca imaginou que seu marido seria conhecido no submundo como Quimera — o executor mais frio e letal da máfia. Frágil por fora, marcada por uma doença que pode matá-la a qualquer momento, Cally sempre foi tratada como alguém que precisava ser protegida. Mas o que ninguém sabe é que, por trás do sorriso doce, existe uma mulher que já sobreviveu a traições cruéis — inclusive da própria irmã, que roubou seu noivo e sua vida perfeita. Dante Theron Valestri nunca quis uma esposa. Muito menos uma imposta pelo pai. Acostumado a resolver tudo com violência e distância emocional, ele vive nas sombras, onde sentimentos são fraquezas fatais. Para ele, aquele casamento é apenas um acordo. Um contrato. Nada mais. Mas quando Cally começa a invadir sua rotina, sua casa e, pior, sua mente, Dante percebe que está perdendo o controle pela primeira vez. E quando o corpo dela falha e ele é o único capaz de segurá-la nos braços enquanto ela luta contra a dor, algo muda. Só que o mundo da máfia não permite finais simples. Entre ameaças, segredos médicos suspeitos, sequestros e uma conspiração que pode custar vidas, Cally será arrancada de tudo o que conhece.
Leer másCally soube que estava sendo substituída antes mesmo de abrir a porta.
A risada de Isadora vinha de dentro do quarto de hóspedes — baixa, íntima, o tipo de som que não se compartilha com visitas. O salto alto de Cally parou a poucos centímetros da madeira branca. Seu coração começou a bater rápido demais, não por causa da anemia, mas porque algo dentro dela já sabia.
Ela empurrou a porta.
Jason estava sem camisa. Isadora usava o vestido que deveria ser ajustado para o jantar pré-casamento daquela noite. As mãos dele estavam na cintura da irmã. A boca dele estava no pescoço dela.
O mundo não desmoronou. Ele simplesmente ficou silencioso.
— Cally… — Jason se afastou primeiro, como se tivesse sido flagrado roubando algo pequeno, não traindo a própria noiva.
Isadora não parecia surpresa. Só ajeitou o cabelo, lentamente, e sorriu.
— Você sempre entra sem bater. — A voz dela era doce demais para a cena.
Cally sentiu o ar rarear. Durante meses ela acreditou que, finalmente, teria algo que fosse só seu. Um noivo. Um casamento. Um futuro que não girasse em torno de consultas médicas e bolsas de sangue raríssimo.
— Desde quando? — a voz dela saiu baixa, mas firme.
Jason suspirou, como se estivesse cansado da situação.
— Desde sempre, Cally. Eu tentei. Mas não posso passar a vida inteira cuidando de alguém frágil. Eu preciso de uma mulher de verdade.
Isadora deslizou os dedos pelo peito dele, marcando território.
— E eu nunca tive medo de competir com você, irmãzinha.
Competir.
Cally sentiu algo rasgar por dentro. Não era só traição. Era confirmação. Ela nunca fora escolha. Sempre foi obrigação.
Ela saiu antes que as lágrimas descessem.
Correu pelo corredor, ignorando o aperto no peito, ignorando o formigamento nas mãos. Desceu as escadas e entrou direto no escritório do pai sem bater.
Don Gusmão ergueu os olhos do charuto.
— O que é isso?
— Jason está com a Isadora. — A voz dela tremia, mas ela se recusava a parecer fraca. — Eles estão juntos. No meu quarto.
O pai não pareceu surpreso.
Isso doeu mais que a traição.
— E daí?
A pergunta pairou no ar como um disparo.
— Ele é meu noivo.
Don Gusmão levantou-se devagar, contornando a mesa pesada de madeira escura.
— Era. — Ele se aproximou. — Você realmente acreditou que eu entregaria um acordo importante para alguém na sua condição?
Condição.
Cally sentiu o rosto queimar.
— Eu sou sua filha.
— Você é um risco financeiro desde que nasceu.
O tapa veio rápido. Não por ela ter respondido — mas por ela ter olhado nos olhos dele.
— Escute com atenção — ele disse, segurando o queixo dela com força. — Jason nunca foi sua escolha. Ele era uma transição. Um teste. E você falhou.
O chão parecia instável sob os pés dela.
— O que isso significa?
Don Gusmão soltou o rosto dela e voltou para trás da mesa. Abriu uma pasta de couro preto.
— Significa que você vai assinar um contrato de casamento hoje.
Cally ficou imóvel.
— Com quem?
— Com o cão dos Valestri.
O nome não significava nada.
Até que ele completou:
— Também conhecido como Quimera.
O ar sumiu.
Todo mundo em Chicago que orbitava o submundo conhecia esse nome. O cão da máfia. O executor. O homem que fazia desaparecer problemas.
— Não.
— Não é uma opção.
Ele virou a pasta em direção a ela. Papéis organizados, cláusulas marcadas, assinaturas faltando apenas uma.
— Este contrato oficializa a união entre você e o herdeiro Valestri. Em troca, garantimos estabilidade territorial e proteção estratégica.
Ela mal ouvia.
— Você está me vendendo.
— Estou salvando sua vida.
Ele puxou outro documento.
— Theron possui o mesmo tipo sanguíneo que você. RH nulo. Compatível. Raríssimo. Você precisa de transfusões constantes. Nós precisamos de segurança política. Esse casamento resolve ambos os problemas.
A palavra casamento soava suja.
— Ele sabe disso?
— Ele sabe o suficiente.
Cally deu um passo para trás.
— Eu não vou assinar.
Don Gusmão caminhou até a porta e a abriu.
Dois homens entraram.
— Você vai.
Eles seguraram seus braços. Não machucaram — não era necessário. O peso da decisão já esmagava.
Ela foi conduzida até a sala principal da mansão. Uma mesa já estava preparada. Do outro lado, um homem grisalho de terno impecável aguardava.
Don Valestri.
— Senhorita Cally — ele cumprimentou com leve inclinação de cabeça.
Ela não respondeu.
O contrato estava ali. O documento que transformava sua vida em moeda.
— Leia — disse o pai.
Ela leu.
Cláusulas frias. Deveres conjugais. Transferência de residência imediata. Responsabilidade médica integral assumida pelos Valestri. Confidencialidade absoluta. Anulação de direitos patrimoniais próprios.
Ela estava deixando de ser filha.
Estava virando acordo.
— Assine — ordenou Don Gusmão.
A caneta foi colocada entre seus dedos.
Por um segundo, ela pensou em rasgar o papel. Pensou em gritar. Pensou em correr.
Mas então lembrou da frase de Jason.
Mulher de verdade.
Ela assinou.
A tinta parecia mais escura que deveria.
Don Valestri assinou em seguida.
— Está feito — declarou ele calmamente. — O contrato de casamento está válido a partir deste momento.
Contrato de casamento.
Não houve pedido. Não houve promessa. Não houve escolha.
Só assinatura.
Os homens soltaram seus braços.
— O carro está esperando — disse o pai.
— Eu nem arrumei minhas coisas.
— Não vai precisar de muito, a criada já arrumou algumas coisas que você pode precisar e seus remédios.
Ela caminhou até a porta como quem atravessa um funeral.
Do lado de fora, um carro preto aguardava com o motor ligado.
Quando entrou, não olhou para trás.
O portão da propriedade se abriu lentamente, rangendo como algo antigo despertando.
Enquanto o carro avançava pela estrada escura, Cally encostou a cabeça no vidro frio.
Ela não sabia quem era o Quimera, mas sua fama de maníaco homicida o precedia.
Não sabia como era seu rosto.
Não sabia se ele sabia que estava se casando naquela noite.
Mas sabia de uma coisa:
Se estavam transformando seu sangue em moeda, ela aprenderia a controlar o valor.
O carro virou na estrada que levava ao território dos Valestri.
E, pela primeira vez desde que nascera frágil e descartável, Cally não sentiu medo.
Sentiu raiva.
E raiva era uma forma de força.
À frente, os portões de ferro dos Valestri começaram a se abrir.
Ela estava oficialmente casada com um homem que nunca viu.
E ainda não fazia ideia de que, naquele mesmo instante, alguém dentro daquela família já discutia quanto o sangue dela valia no mercado negro.
O portão fechou atrás do carro.
Sem volta.
O bar não tinha nome.Nunca precisou.A placa de neon falhava como sempre, metade acesa, metade morta, tingindo a fachada com um rosa cansado. Lá dentro, o ar era pesado, lento, cheio de conversas que ninguém queria terminar.Cally estava atrás do balcão.Copos alinhados.Garrafas no lugar certo.Movimentos precisos.Nada sobrando.Nada chamando atenção.Ela já não vendia mais nada além de bebida.O turno corria estável. Nem cheio, nem vazio. O tipo de noite que não deixa marca.Ela limpou o balcão sem necessidade real. Só pra manter o corpo ocupado. Tudo já estava decidido.Quarto limpo.Dinheiro fora.Documentos prontos.Faltava pouco.Muito pouco.—A porta abriu.O som foi comum.Mas o ambiente… não.Algo mudou.Não no bar.Nela.Cally não olhou.Continuou o movimento.Mas já sabia.Os passos não eram hesitantes.Nem perdidos.E não pararam para observar.Vieram direto.Pararam na frente dela.— Whiskey.A voz veio baixa.Familiar.Sem esforço.Cally pegou um copo.Serviu.Deslizo
A mansão Valestri não era um lugar onde se chegava.Era um lugar onde se era permitido entrar.Portões altos, ferro pesado, segurança visível e invisível. Câmeras expostas. Homens atentos demais para errar.E ainda assim…a moto parou na frente.Cally desligou o motor.O som baixo morreu rápido, engolido pelo silêncio controlado do lugar.Ela ficou ali por um segundo.Imóvel.Depois tirou o capacete.Sem pressa.Sem hesitação.Sem esconder o rosto.O vento leve da noite moveu uma mecha do cabelo, mas ela não ajustou. Não havia nada nela tentando parecer outra pessoa.Desceu da moto.Deixou o capacete preso no guidão.E caminhou.Um dos homens da guarita se aproximou.Parou.Avaliou.Não reconheceu.Claro que não reconheceu.— Você tem autorização?Ela olhou direto para ele.Sem esforço.Sem pressão.Só presença.— Diz pra ele que a Calisto tá aqui.O nome caiu no ar sem peso.Mas o jeito como ela disse…fez o homem hesitar.Não reconhecimento.Instinto.Ele voltou para dentro.Ligação
Dante não tentou entender.No minuto em que teve certeza de que era ela, entender deixou de importar.Ele não queria explicação. Não queria versão. Não queria memória reorganizada para doer menos.Queria controle.E, pela primeira vez em meses, tinha um ponto para pressionar.Ghost Blood.As entregas pararam por dois dias depois do beco. Não por muito tempo — só o suficiente para confirmar que o sistema dela sentia impacto quando ele chegava perto. No terceiro dia, reapareceu uma movimentação pequena. Um cliente antigo. Um carro que devia estar em um hotel de luxo e apareceu numa rua industrial às duas da manhã. Um envelope preto recolhido por mãos nervosas. Nenhum rosto. Nenhuma chance de interceptar.Mas era suficiente.Ela ainda estava operando.Dante transformou a cidade num mapa vivo.Não oficialmente.Não com grandes ordens públicas.Sem espetáculo.Esse não era o tipo de guerra que ele queria tornar visível.Era pior.Silenciosa.Metódica.Pessoal.No fim da semana, becos espec
Perfeito — ajustei o momento-chave para deixar claro que ela sabe que é o Dante, mantendo toda a tensão e sem perder o ritmo: Capítulo 42 – O Primeiro Olhar O beco não existia para quem não sabia olhar. Entrada estreita, iluminação falha, saída lateral escondida por um portão enferrujado que nunca fechava direito. Um lugar esquecido — exatamente por isso, útil. Dante estava ali antes de todos. Não no centro. Não exposto. Na sombra. Encostado na parede lateral, onde a luz não alcançava completamente. O casaco escuro absorvia o pouco brilho que existia. Os olhos, não. Observavam. Sempre. A equipe estava espalhada. Duplas. Movimento mínimo. Comunicação reduzida. Nada que chamasse atenção. Nada que quebrasse o padrão da rua. Era assim que se pegava alguém cuidadoso. Sem pressionar demais. Sem mostrar o cerco. Só… fechando. Dante não falava. Não precisava. O plano já estava rodando. Baseado na foto. Nos pontos. Nos horários. Nos erros. Sempre havia um. Hoje, el
Último capítulo