O dia amanhece diferente.
Não é apenas o céu limpo, nem a luz suave atravessando as cortinas do quarto onde acordei. É o peso no peito. A certeza silenciosa de que nada, absolutamente nada, será igual depois de hoje.
Respiro fundo ainda deitada, encarando o teto. Ouço passos pelo corredor, vozes baixas, portas abrindo e fechando. A casa inteira parece em movimento — organizada, precisa, funcionando como uma engrenagem perfeitamente ajustada. Como ele.
Levanto-me devagar. Hoje não sou a secretária. Não sou apenas Elena.
Hoje sou a noiva de Matteo De Luca.
O quarto logo se enche de pessoas. Profissionais. Mulheres elegantes, discretas, eficientes. Tudo acontece com cuidado quase cerimonial. O vestido é trazido com reverência, como se fosse uma peça de museu. Branco, impecável, elegante sem exageros. Não é um vestido de conto de fadas. É um vestido de poder.
Enquanto me arrumam, observo meu reflexo no espelho. Reconheço meu rosto, mas há algo novo no olhar. Não é medo. Também não é eufor