Mundo de ficçãoIniciar sessãoEliza Martins chega à cidade grande sonhando com a moda, mas acaba trabalhando como babá dos filhos de Rafael Monteiro, um bilionário viúvo que transformou a dor em frieza. Determinada, alegre e ousada, ela vira o mundo dele do avesso, e desperta uma obsessão tão inesperada quanto incontrolável. Mas quando o ex-namorado abusivo de Eliza ressurge, Rafael precisa encarar seus próprios limites entre proteger e controlar. Entre traumas, segredos e uma paixão arrebatadora, eles descobrem que amar só vale a pena quando cura… não quando aprisiona.
Ler maisHenrique sentou ao meu lado.— Ai, meu Deus… — murmurei, passando a mão pelos cabelos. — Agora acabou.Talvez eu devesse ter me calado. Talvez tivesse falado com mais cuidado. Mas já não dava mais. Tinha transbordado.— Desempregada de novo — soltei, com um riso nervoso.— Você não está desempregada — Henrique disse sério, pousando a mão no meu ombro. — Ele não vai te demitir.— Ele acabou de fazer isso.Laura, uma das empregadas, surgiu com um copo d’água e me entregou.— Não se preocupe. Foi coisa do momento. Eu vou falar com ele.— Não tenho tanta certeza — murmurei, bebendo um gole. — Já vou indo. Marta, por favor, me mantenha informada sobre a Alice?— Pode deixar, querida. O Roberto te leva.— Não precisa. Eu vou pra estação.— Nesse estado? Nem pensar.— Eu levo — Henrique já estava de pé. — E nem tente dizer que não.Suspirei.— Tudo bem.Me despedi de Marta e dos outros. O ar da tarde bateu no meu rosto assim que saímos, lembrando que o mundo não parava, mesmo quando tudo den
O olhar dele percorreu a sala inteira até parar em mim. Os passos pesados ecoaram pelo piso, carregados de uma raiva que dava pra sentir antes mesmo de ele abrir a boca.— O que aconteceu com a Alice? — perguntou, a voz dura, cortante. — Por que ninguém me avisou?Henrique se aproximou com cautela, como quem tenta apagar um incêndio com palavras.— Rafa, calma…— Calma, Henrique? — ele o interrompeu, sem tirar os olhos de mim. — Por que a babá dos meus filhos achou melhor mandar mensagem pra você em vez de me avisar direto?Engoli em seco. Meu coração martelava no peito.— Eu tentei falar com o senhor. Liguei várias vezes. A sua secretária disse que o senhor estava em reunião e não podia ser interrompido.Ele foi até Marcia pegando Alice do colo dela.— Devia ter insistido mais — retrucou, seco, como se a falha fosse exclusivamente minha.O calor subiu pelo meu corpo. Tudo bem ele ser todo cheio de si, mas me culpar por algo que é culpa dele já é demais.— Eu insisti! — falei, sem con
Meu fim de semana foi simples.Passei a maior parte do tempo com a Ângela. Filme ruim no sofá, comida atrasada, risadas fora de hora e aquela sensação boa de normalidade — daquelas que a gente só percebe quando não tem mais.Na segunda-feira, a mansão me recebeu do jeito de sempre: grande demais, silenciosa demais.Passei a manhã com Alice. Brincamos no tapete da sala, desenhamos, e Luna dormiu aos nossos pés como se fizesse parte daquela casa desde sempre.Lucas chegou da escola diferente.Largou a mochila perto da porta, respondeu meu “oi” com um aceno curto e foi direto pro quarto.— Ei… — chamei. — Aconteceu alguma coisa?— Nada — respondeu rápido demais.Esperei. Quando é “nada”, quase nunca é nada.Alguns minutos depois, ele voltou e se sentou no sofá, encarando a TV desligada.— Lucas, você tá se sentindo bem?— Uhum — resmungou, balançando a cabeça.— Tem certeza? Você pode falar comigo. Sobre qualquer coisa.Ele me olhou por um segundo, depois voltou a encarar o nada.— Por qu
Eliza*O restante do dia correu surpreendentemente tranquilo.Luna dormiu quase a tarde inteira depois de gastar toda a energia correndo atrás de Alice pelo corredor. Lucas fez a lição sem reclamar, e Márcia parecia menos tensa, embora ainda observasse a cachorra como quem espera o caos a qualquer momento.No começo da noite, Ângela e eu nos arrumamos para ir à escola do Lucas. Eu estava nervosa. Não por mim. Por ele.— Você tá parecendo mãe indo ver o filho no primeiro recital — ela provocou, ajeitando o cabelo diante do espelho.— Para — respondi, rindo. — Isso é importante pra ele.E era mesmo.Quando chegamos ao pátio da escola, Lucas estava sentado com a turma, balançando as pernas. Assim que nos viu, os olhos dele se arregalaram.— Eliza! — levantou quase pulando da cadeira.— Oi, campeão — falei, me abaixando à frente dele. — Promessa é promessa.— Você veio! — Ele sorriu grande, depois olhou pra Ângela. — E trouxe sua amiga!— Essa é a Ângela — apresentei. — Minha melhor amiga
ElizaEu estava saindo de casa com a Ângela quando o celular vibrou no bolso. Mensagem do meu chefe.— Vê se educa essa cachorra. Ela está sem limites. Isso agora é responsabilidade sua e das crianças.Li em voz alta.Ângela parou no meio da calçada e caiu na gargalhada.— Meu Deus… ele fala como se a Luna tivesse invadido o Senado.— Se eu não conseguir adestrar essa cachorra, eu tô oficialmente ferrada — murmurei.— Você dá conta. Passou a noite vendo vídeo de adestramento no YouTube — ela provocou. — Quero ver é você adestrar seu chefe.— Nosso chefe — corrigi. — Você trabalha na loja dele.— Mas quase não vejo o Rafael. — Ela deu de ombros.— Só vê o Henrique. — Levantei a sobrancelha.— Para com isso, Eliza.— Ué, mas ele é um gato, né? Por que tanta resistência?Ela bufou, me deu um tapa de leve no braço.— A gente é só amigo.— Claro — respondi rindo. — Amizade pura e inocente.***Assim que entrei na casa, fui recebida por Márcia, que parecia ter passado a manhã inteira guarda
O jantar virou uma daquelas cenas que não estavam no planejamento… e que simplesmente acontecem.Márcia organizava tudo com a eficiência de quem já desistiu de entender a lógica daquela casa. Isabela sentada à mesa, Henrique encostado no balcão mexendo no celular, Leandro observando tudo com aquele olhar atento demais para alguém “de folga”. As crianças falavam ao mesmo tempo. — Ela pode ficar aqui? — Alice perguntou, apontando para debaixo da mesa.— Não — respondi automaticamente.— Ela fica quietinha — Lucas garantiu.Henrique riu.— Relaxa, Rafael. Deixa a cachorra viver.— Ela pode viver, só não pode ficar aqui.— Porque não? Ela ta quietinha.Isabela ergueu a taça.— Um brinde à coragem do meu irmão — disse. — Que adotou um cachorro quase contra a própria vontade.— A unica coisa que estou fazendo contra minha vontade é receber vocês três aqui nesse momento.Eles riram.— Então um brinde a Eliza que convenceu você a arrumar um cachorro — Henrique completou, divertido.Leandro e










Último capítulo