Mundo ficciónIniciar sesiónSerena, uma estudante em formação em pediatria, criada sob a proteção rígida do pai e sustentada à distância pelo melhor amigo dele. voltou ao Brasil diferente: mais mulher, mais livre e perigosamente vulnerável. O que ela não esperava era se apaixonar justamente pelo homem que jamais deveria desejar. Caetano, o amigo poderoso de seu pai. O homem que ela chamava de “tio” quando criança. Ao reencontrá-lo, algo nela muda. E, ao perceber o quanto ele é desejado, disputado e inacessível, Serena decide lutar por ele mesmo sabendo que não deveria. Em uma noite de luxo, impulsos e escolhas irreversíveis, Serena entrega mais do que seu corpo: entrega sua inocência, sua esperança e seu futuro. O que deveria ser esquecido se transforma em consequência. O que deveria ser silêncio vira destino. Obrigada a ir embora, ela descobre a gravidez longe de tudo e de todos. Traída pelo próprio pai e convencida de que perdeu sua filha ao nascer, Serena retorna a São Paulo acreditando que tudo acabou. Até aceitar um emprego como babá. Na casa do homem que ela nunca esqueceu. E para uma criança que, sem saber, é sua. Entre segredos, mentiras e uma paixão que insiste em sobreviver, Serena e Caetano terão que enfrentar o que o destino tentou enterrar. Porque algumas verdades não morrem. Elas apenas esperam.
Leer másÀs vezes o destino se disfarça de convite
A mansão de Caetano Siqueira Gouveia estava em movimento desde o início da tarde. Funcionários iam e vinham em silêncio coordenado, como se cada passo tivesse sido ensaiado. Arranjos florais eram posicionados com precisão milimétrica, mesas altas de vidro recebiam taças de cristal, e luzes indiretas começavam a ser ajustadas para criar uma atmosfera sofisticada, intimista e perigosamente sedutora. A casa, localizada dentro do Condomínio Iporanga, no Guarujá, não era uma casa de praia comum. Era um monumento ao poder. Vidros do chão ao teto, paredes em pedra clara, escadas suspensas e um deck que avançava sobre a areia como se quisesse tocar o mar. Tudo ali era pensado para impressionar sem jamais parecer que estava tentando. No andar superior, Caetano permanecia fechado em seu escritório. Sentado atrás da mesa de madeira escura, ele analisava relatórios no tablet com a concentração de quem não tolerava falhas. Sandro, o secretário, permanecia de pé à sua frente, segurando uma pasta contra o peito, esperando o momento exato de falar. — O sheik chegou há vinte minutos. Ele está acomodado na ala leste. Sandro informou, com a voz neutra, mas atento a cada microexpressão do chefe. Caetano não levantou os olhos. — Quantas pessoas com ele? perguntou, sem alterar o tom, como se aquilo fosse apenas mais um detalhe administrativo. — Cinco acompanhantes. Todas jovens. Um músculo discreto se contraiu na mandíbula de Caetano. Ele inspirou devagar antes de responder. — Não era necessário. Mas não me surpreende. Comentou, mais para si do que para Sandro, como se já estivesse acostumado com esse tipo de espetáculo. — Ele perguntou se o senhor pretende recebê-los no salão principal ou no deck. Disse que prefere algo mais… descontraído. Sandro escolheu a palavra com cuidado, consciente do efeito que ela poderia causar. Caetano pousou o tablet sobre a mesa e, finalmente, ergueu o olhar. Seus olhos não carregavam irritação. Carregavam decisão. — Essa palavra não existe no meu vocabulário. Será no salão. Sandro assentiu, mas não se moveu. — Senhor… o sheik Al-Fayed fez questão de trazer presentes. Disse que é parte da cultura dele. Caetano inclinou levemente a cabeça, pensativo. — Desde que não tragam problemas. Só isso me interessa. Sandro abriu a boca para responder, mas foi interrompido quando a porta do escritório se abriu sem aviso. Afonso entrou, sorridente, vestindo um terno claro que destoava do minimalismo frio da casa. — Ele chegou, Caetano. E veio animado. Comentou com leveza, como se estivesse falando de um velho conhecido. — Ótimo. Mantenha-o assim. — Ele trouxe cinco mulheres. Todas modelos, pelo visto. Caetano se levantou, ajustando o paletó com um gesto automático, quase mecânico. — Não me interessa. Ele veio assinar um contrato, não desfilar. No salão principal, o sheik Al-Fayed caminhava lentamente, observando cada detalhe da arquitetura como quem avalia uma obra de arte. Alto, de barba bem aparada e sorriso fácil, ele parecia mais um astro de cinema do que um investidor internacional. Atrás dele, cinco mulheres o seguiam. Vestidos longos, pernas à mostra, sorrisos calculados. Elas observavam tudo com curiosidade treinada, inclusive Caetano, quando ele surgiu no topo da escada. O olhar de uma delas se iluminou. Ela se inclinou e sussurrou algo para a outra, que respondeu com uma risada contida. Al-Fayed abriu os braços. — Senhor Gouveia! Sua casa é ainda mais impressionante do que eu imaginava. Disse, com entusiasmo genuíno, aproximando-se. — Fico satisfeito que tenha vindo. Espero que o contrato seja do seu agrado. Caetano respondeu com cordialidade calculada. — O contrato é excelente. A companhia é que eu esperava que fosse mais… calorosa. Piscou, apontando discretamente para as mulheres. Uma delas se aproximou de Caetano, sorrindo de forma aberta, estudando-o como quem escolhe um jogo. — É um prazer conhecê-lo. Ouvi dizer que o senhor é o homem mais poderoso desta costa. Caetano sequer desviou o olhar do sheik. — O prazer é meu. Se me permite, estamos aguardando alguns convidados. A mulher piscou, sem entender o desprezo elegante. Caetano se afastou, ignorando completamente o grupo. Assim que chegou ao bar interno, puxou o celular do bolso e discou um número. — Augusto. Você está vindo? perguntou, apoiando o cotovelo no balcão, observando o movimento da casa. Do outro lado da linha, a voz do amigo soou animada. — Claro que sim. Já estou me arrumando. — Ótimo. Vou mandar o motorista buscá-lo. — Caetano… Tenho uma surpresa. — Não gosto de surpresas. Mas diga. — Serena chegou hoje de viagem. De surpresa. Caetano ficou em silêncio por meio segundo. O suficiente para que algo dentro dele se reorganizasse. — Ela vai vir comigo. Se não for problema. O olhar dele se perdeu por um instante, fixando o mar além das paredes de vidro. — Não é problema algum. Traga-a. — Ela te chamava de tio quando era pequena. Lembra? — Lembro. Traga. O motorista chega em quinze minutos. Em São Bernardo do Campo, Serena mal havia terminado de subir a mala pela escada quando ouviu a voz do pai. — Serena! Você chegou na pior hora. Ela apareceu no topo da escada, cabelos presos de qualquer jeito, camiseta larga e tênis. — Eu cheguei agora. Como assim pior hora? — Tenho uma festa importante hoje. E você vai comigo. — Eu estou morta. Acabei de chegar de viagem. Disse, já sentindo o cansaço pesar no corpo. — Não importa. O seu tio Caetano está esperando. O coração dela deu um salto involuntário. — O tio Caetano? — Sim. Ele. Serena ficou imóvel por um segundo. — Eu não vejo ele há anos. — Pois é. Agora vai ver. — Pai, eu nem tenho roupa… — Vai levar roupa de banho e roupa de gala. É na casa de praia dele. Ela abriu a boca para reclamar, mas fechou. Algo dentro dela já tinha acordado. No quarto, Serena abriu a mala e começou a jogar roupas em cima da cama: biquínis, vestidos, sandálias, uma bolsa pequena. O espelho refletia uma versão dela que ela ainda não conhecia direito. Mais mulher. Mais livre. Mais vulnerável. Ela parou por um instante, encarando o próprio reflexo. Você está boba. É só uma festa. Mas o coração não concordava.Quando a História Não Acaba No Até LogoSERENA GALLO ARAGÃO Ele estava impecável, o rosto sério, mas os olhos dele me procuravam como se nada mais existisse. Quando me encontrou, algo nele suavizou, como se ele tivesse esquecido todo o resto.Eu senti meu coração apertar de um jeito bom.Aquela cena era romântica. Era linda. Era o tipo de imagem que parece propaganda de felicidade.E por um instante eu acreditei que, talvez, a vida estivesse me dando uma segunda chance.O cerimonialista falava palavras formais, mas eu quase não ouvia. Eu só via Khalid. Eu só sentia minha própria respiração.Quando ele segurou minha mão, eu senti o calor dele atravessando minha pele.O mundo ficou menor.O mundo coube.Então veio a pergunta.— Há alguém que se oponha a este casamento?Silêncio.Um silêncio pesado, elegante, como se até o ar soubesse que aquele era o ponto de não retorno.E foi nesse silêncio que a porta se abriu.Não foi um estrondo. Não foi um drama exagerado.Foi só o som seco de um
E A Porta Se Abriu.SERENA GALLO ARAGÃO Eu acordei antes dele.Não foi um despertar comum, daqueles em que a gente abre os olhos e já pensa no que precisa fazer, no que ficou para trás, no que ainda falta. Foi um despertar lento, morno, pesado de um jeito bom, como se o meu corpo ainda estivesse segurando a noite para não deixá-la escorrer pelos lençóis.A primeira coisa que eu senti foi a minha pele.Tudo em mim parecia mais vivo. Sensível. Não só onde ele me tocou, mas em lugares que eu nem lembrava que existiam, como se eu tivesse voltado para dentro do meu próprio corpo depois de um ano inteiro vivendo por fora, fingindo força, engolindo dor, se sustentando em pé com o que dava.Depois eu senti o cheiro.O perfume dele estava no travesseiro, na minha nuca, na parte de dentro do meu pulso, como se ele tivesse carimbado minha pele com uma promessa silenciosa.E então eu olhei.Khalid dormia de lado, de frente para mim, o rosto relaxado, a barba levemente desalinhada, os cílios long
Entre o Império e o AmorSHEIK KHALID RASHID AL-FAYEDAcordei antes dela.Não foi o sol que me despertou.Foi a consciência de que ela estava ali.Serena dormia de lado, o cabelo espalhado sobre o travesseiro, os lábios levemente entreabertos, a respiração calma depois de uma noite que tinha sido tudo, menos calma.Eu a observei em silêncio.O corpo dela ainda carregava a memória do meu toque. O meu ainda carregava o dela.Mas não era isso que me mantinha acordado.Era o peso do que eu estava sentindo.Eu, que sempre acordei com estratégias na cabeça, acordava agora com o nome dela no peito.Levantei devagar para não despertá-la. Vesti apenas a calça e desci até a cozinha da cobertura. Pedi que trouxessem café da manhã reforçado. Frutas, pães quentes, café árabe, mel, queijos, suco fresco.Nós não tínhamos comido nada na noite anterior.E não foi por falta de mesa.Foi porque o mundo tinha parado.Quando voltei ao quarto, ela começava a se mexer. A luz entrava suave pelas cortinas.E
O Amor Que Precisa Ser SentidoKhalid observou Serena parada ali, no meio do banheiro amplo, com a luz suave dançando sobre sua pele. Ele se aproximou devagar, os olhos fixos nos dela, como se quisesse gravar cada detalhe antes mesmo de tocar.Ele estendeu a mão. Dedos quentes roçaram a alça fina da lingerie preta que ainda cobria os seios dela. Não puxou. Apenas deslizou a alça para baixo, deixando-a cair naturalmente pelo ombro.— Deixa eu te ver, amor… Murmurou ele, voz rouca, quase reverente.Serena sustentou o olhar. O coração batia forte contra as costelas. Ela ergueu os braços devagar, permitindo que ele removesse o sutiã. O tecido escorregou. Seus seios se libertaram, os mamilos já endurecidos pelo ar fresco e pelo desejo que crescia entre eles.Khalid prendeu o fôlego. Seus olhos desceram pelo colo, pela curva suave da barriga, pela cintura que ele conhecia bem vestida mas agora, nua. Ele não falou nada por alguns segundos. Apenas admirou. — Você é perfeita… Sussurrou final
O Que Não Pode Mais Esperar.Khalid estava em reunião quando o telefone vibrou sobre a mesa de mármore escuro.Ele ignorou a primeira vez.Na segunda, olhou.Serena.O canto da boca dele se moveu quase imperceptível.Ele pediu licença, saiu para o corredor e digitou.“Janta comigo hoje?”A resposta veio em menos de um minuto.“Sim.”Simples. Direta. Sem coração. Sem emoji.Ele franziu levemente a testa.Havia algo diferente naquele sim.À noite, ele voltou para a A Noor Crown Tower vestido como Khalid Al-Fayed precisava estar. Túnica impecável, tecido nobre, a postura de quem nasceu para ser visto.Quando saiu do elevador privativo e caminhou pelo corredor do andar residencial, viu algo que não esperava.Serena.De pé, na porta do apartamento dele.Vestido ajustado ao corpo. Cabelo solto. Olhos decididos.Ele parou.Não era surpresa ruim.Era surpresa elétrica.— Você chegou antes de mim.Ela deu dois passos na direção dele.— Eu vim te buscar.Ele sorriu de leve.— Buscar?— Sim. Vam
Gratidão Não Sustenta Futuro.Thiago esperou cinco dias.Cinco dias assistindo de longe o tabuleiro se mover.O noivado oficial.A cerimônia.O anúncio.A presença de Caetano em Dubai, trazer a filha, o desespero dele. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, como se o destino tivesse decidido acelerar.Ele não era impulsivo. Nunca foi.Mas também não era homem de ficar assistindo enquanto outros decidiam seu lugar.Naquela tarde, ele mandou a mensagem.“Precisamos conversar. Só nós dois.”Serena leu.Ficou olhando para a tela alguns segundos.Ela já sabia que essa conversa viria.Ela só não sabia se estava pronta.Mas fugir já não fazia mais sentido. Não depois de tudo.“Pode ser hoje.”O encontro foi discreto.Um café reservado, no último andar de um hotel próximo à A Noor Crown Tower. Vidros amplos, cidade dourada ao fundo.Thiago já estava sentado quando Serena chegou.Ele se levantou.Não sorriu como antes.Mas também não havia hostilidade.Havia algo mais perigoso.Determinação.Serena





Último capítulo