15. Fechadura
Eliza
Eu estava saindo de casa com a Ângela quando o celular vibrou no bolso. Mensagem do meu chefe.
— Vê se educa essa cachorra. Ela está sem limites. Isso agora é responsabilidade sua e das crianças.
Li em voz alta.
Ângela parou no meio da calçada e caiu na gargalhada.
— Meu Deus… ele fala como se a Luna tivesse invadido o Senado.
— Se eu não conseguir adestrar essa cachorra, eu tô oficialmente ferrada — murmurei.
— Você dá conta. Passou a noite vendo vídeo de adestramento no YouTube — ela provocou. — Quero ver é você adestrar seu chefe.
— Nosso chefe — corrigi. — Você trabalha na loja dele.
— Mas quase não vejo o Rafael. — Ela deu de ombros.
— Só vê o Henrique. — Levantei a sobrancelha.
— Para com isso, Eliza.
— Ué, mas ele é um gato, né? Por que tanta resistência?
Ela bufou, me deu um tapa de leve no braço.
— A gente é só amigo.
— Claro — respondi rindo. — Amizade pura e inocente.
***
Assim que entrei na casa, fui recebida por Márcia, que parecia ter passado a manhã inteira guarda