8. Amiguinhos

Acordei antes do despertador.

Isso raramente acontece. Normalmente eu acordo porque preciso, não porque quero. Olhei o teto por alguns segundos, tentando organizar o dia na cabeça como faço com planilhas: reuniões, obra da zona leste, relatório financeiro, almoço rápido, mais reuniões. Tudo sob controle.

Levantei, tomei banho, vesti um terno escuro, e desci para o café.

Márcia já estava à mesa com Lucas. Meu filho comia em silêncio, postura reta, bem concentrado em seu misto quente. Abri o celular e comecei a responder e-mails enquanto me sentava.

— Bom dia — disse, automático.

— Bom dia.

Foi então que Eliza entrou.

Ela caminhou até a mesa com passos leves, como se estivesse tentando não ocupar espaço demais. Sentou-se numa das cadeiras vazias e ficou ali, esperando Lucas terminar. Não falou nada. Não tocou em nada. Apenas observou.

— Eliza. Coma alguma coisa — Márcia disse, servindo café.

— Obrigada, Márcia, eu já comi em casa. Vou só aceitar um café.

Ela pegou a xícara, cruzou as pe
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