9. Um pai?
A manhã passou num ritmo estranho. Não foi ruim. Também não foi boa. Foi… silenciosa.
Ver Rafael na mesa com o filho era como não ver nada. Tudo distante. Lucas falava pouco comigo, mas falava na minha presença, age como a criança que é na minha presença. Com o pai, era diferente. A postura mudava. A voz ficava firme demais. Educada demais. Como se estivesse diante de alguém que não podia errar.
Perto de Rafael, Lucas não era criança. Era soldado.
Quando Henrique chegou, tudo mudou.
Lucas correu até ele com um sorriso que eu só vi na presença do homem alegre que chama meu chefe de amigo. Falava rápido, gesticulava, ria. Alice fez o mesmo. Era outro menino. Outra criança. Aquela que devia existir ali o tempo todo.
E aquilo apertou meu peito de um jeito estranho.
O almoço foi… curioso. Henrique falou da vaga na loja pra Ângela ir la e eu claro amei a noticia, tomara que de certo.
— Lucas, você já entregou o convite pro Henrique?
— Não, tio, eu vou fazer um teatro, vou ser o principe — F