17. Tristeza
Meu fim de semana foi simples.
Passei a maior parte do tempo com a Ângela. Filme ruim no sofá, comida atrasada, risadas fora de hora e aquela sensação boa de normalidade — daquelas que a gente só percebe quando não tem mais.
Na segunda-feira, a mansão me recebeu do jeito de sempre: grande demais, silenciosa demais.
Passei a manhã com Alice. Brincamos no tapete da sala, desenhamos, e Luna dormiu aos nossos pés como se fizesse parte daquela casa desde sempre.
Lucas chegou da escola diferente.
Largou a mochila perto da porta, respondeu meu “oi” com um aceno curto e foi direto pro quarto.
— Ei… — chamei. — Aconteceu alguma coisa?
— Nada — respondeu rápido demais.
Esperei. Quando é “nada”, quase nunca é nada.
Alguns minutos depois, ele voltou e se sentou no sofá, encarando a TV desligada.
— Lucas, você tá se sentindo bem?
— Uhum — resmungou, balançando a cabeça.
— Tem certeza? Você pode falar comigo. Sobre qualquer coisa.
Ele me olhou por um segundo, depois voltou a encarar o nada.
— Por qu