A Policial e o Bandido

A Policial e o BandidoPT

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Última actualización: 2026-03-27
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Resumen
Índice

O que pode acontecer quando o mundo de uma policial encontra o mundo de um chefe de gangue? Como agir quando você se vê diante de alguém que é tudo o que você deveria abominar em uma pessoa, mas os seus sentimentos não seguem a mesma linha da sua mente? Assassinatos, roubos, tráficos, drogas, falsas identidades, cassinos... todos os delinquentes que cometem esses tipos de crimes, e muitos outros, merecem ser presos e pagar por seus erros, mas por que tudo aconteceu de forma contrária e Kylie Bartlett se viu completamente presa a um homem que ela quem deveria prender? Como ela vai conseguir lidar com um mundo totalmente oposto do seu, e com os sentimentos que desenvolve por alguém que era suposto ela odiar? Óbvio que, com tantos crimes, esses tipos de criminosos precisam se manter o mais longe possível de profissionais responsáveis pela lei e pela ordem, mas por que toda vez que Zayn tem a oportunidade de fugir, ele corre para o lado contrário e acaba preso nas algemas da mesma detetive da polícia? Por que ele sempre arrisca a sua segurança, e da sua própria gangue, para poder ver a mesma e única mulher que consegue arrancar absolutamente todas as informações privadas de sua vida, sem que, ao menos, ela pergunte? Por que ele sente tanto a necessidade de estar perto de alguém que pode, literalmente, acabar com a sua vida? Seja o prendendo ou o matando, ela pode o destruir completamente. Por que eles acabam se amando se existem todos os motivos pra se odiarem? Por que Os Opostos se atraem tanto? 》 - Eu sou seu hoje, amanhã e por toda a eternidade, Kylie Bartlett.

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Capítulo 1

1

》 Kylie Bartlett

- Você quer o caso? - pergunto.

Cruzo os meus braços abaixo do peito e me ajeito na cadeira.

- Quero - meu parceiro sorri.

- O senhor pode dar o meu caso pra ele, capitão. Eu tenho coisas pra resolver do meu caso ainda - falo.

- Ok. Turner, o caso é seu. Bartlett, você vai resolver o seu caso hoje? - capitão.

- Sim, senhor. Eu garanto - falo.

- Tudo bem. Você pode sair - a mais alta autoridade aqui diz.

Levanto, peço licença e saio da sala. Pego alguns papéis na minha mesa, dou uma olhada nas minhas anotações e sigo o meu caminho até a sala onde uma pessoa me espera pra depor.

Jack Mullingar é um dos suspeitos do assassinato de Alicia Harffer, sua ex mulher. Peguei esse caso ontem e confesso que está sendo fácil, as coisas estão correndo bem.

Alguns colegas de trabalho abrem a porta pra mim e eu agradeço passando por ela e entrando na sala. Me aproximo da mesa onde está o suspeito e me sento a sua frente. Arrumo os meus papéis nas minhas mãos e olho pra frente.

- Senhor Mullingar - o cumprimento séria.

- O que eu estou fazendo aqui?

- O senhor é um dos suspeitos pelo assassinado da sua ex mulher, Alicia Harffer - falo - eu sinto muito.

O homem assente e se ajeita na cadeira.

- E vocês acham que eu a matei? - ele aumenta o tom - ela era minha mulher, eu estive casado com ela por dez anos!

- Não precisa se alterar, senhor Mullingar, eu apenas vou te fazer perguntas, e se o senhor for inocente, vai ser liberado - falo e cruzo os meus braços - posso começar?

- Pode - ele diz com os olhos marejados.

Respiro fundo.

- O senhor e Alicia moravam juntos a quase treze anos, e são casados a dez - falo olhando na minha ficha - anteontem o corpo dela foi encontrado com dez facadas, no quintal da casa de vocês. Onde o senhor estava quando isso aconteceu?

- Eu... - ele para.

- Onde o senhor estava entre duas e três horas da manhã? - olho pra ele.

Ele se mexe inquieto e começa a chorar mais. Sem nem me comover, espero ele se recuperar e pergunto mais uma vez.

- Onde o senhor estava na hora do assassinato de Alicia Harffer?

- Eu estava.... num bar. Sim, estava num bar - ele diz tentando se convencer com as próprias palavras - saí pra beber de tarde e passei a noite toda lá.

- A noite toda?

- A noite toda - ele assente.

- Que horas o senhor foi embora?

- Umas cinco da manhã - ele fala devagar.

- Então o senhor está confirmando que deixou o bar às cinco horas? - ele assente - é o seu álibi? - ele assente de novo - com quem posso confirmar?

- Com... o dono do bar. O dono do bar pode confirmar - ele diz e eu sorrio.

O que ele não sabe, é que eu já refiz todos os seus passos. Já fui no bar, já interroguei pessoas, já olhei câmeras de segurança das ruas do bar e de onde fica a casa dele.

Jack Mullingar saiu do bar às uma hora da manhã e três minutos, foi pra casa, e vizinhos me disseram que ouviram gritos. Eles estavam discutindo e brigando. Os vizinhos também me disseram que ele batia nela e que as vezes a feria com alguma coisa afiada. Disseram que ele bebia muito e isso o deixava agressivo.

Algumas pessoas ouviram a briga deles no dia do assassinato e as suas digitais estão na arma do crime.

- Então o Clives pode confimar que você saiu às cinco da manhã mesmo que você tenha saído às uma? - falo e seus olhos arregalam.

- O que!?

- Eu já tinha todas as provas contra você nas minhas mãos, só queria saber se você ia confessar - pego minhas coisas e me levanto.

- O que vai fazer?

- Jackson Mullingar, você está preso pelo assassinato de Alicia Karen Harffer - falo e outros policias entram pra prender ele.

Sorrio por mais um caso resolvido e saio da sala antes que tirem o homem daqui. Vou até a minha mesa e ponho minhas coisas em cima dela.

- Bartlett? - ouço me chamarem e olho pra ele.

- Sim, capitão?

- Um grupo foi flagrado traficando de novo - ele diz - você pode ir lá?

- Posso sim, já concluí o meu caso - ajeito o meu uniforme - onde é?

- Na mesma rua de sempre. Hernandez vai com você - ele diz e eu assinto.

A viatura para e eu desço puxando o revólver. Vou com o Hernandez em passos lentos até um grupo de homens e suspiro.

- Mãos pra cima - falo alto.

Os homens levantam as mãos e viram pra mim.

Os homens que vieram comigo vão até eles e começa a os algemar.

- Me solta, filho da puta! - o moreno xinga se debatendo.

- Deixa comigo, Hernandez - falo e ele assente soltando o homem.

Me aproximo do moreno que veste camiseta preta, short da mesma cor e tênis. Seu corpo magro é coberto por tatuagens e ele possui um cigarro entre os lábios.

Pego seus pulsos atrás do seu corpo e pego minhas algemas.

- Sentiu saudades, gatinha? - ele diz e eu reviro os olhos.

- Você não sabe ficar sem aprontar? - resmungo empurrando o corpo ele contra o capô da viatura - já é a terceira vez nesse mês.

- É que eu gosto de ver você, você sabe - ele dá um sorriso.

Coloco as algemas nele.

- Então vamos logo, senhor eu-gosto-de-ver-você - puxo ele pelo braço e o levo até o fundo do carro.

Ele nunca se debate ou luta contra mim toda vez que venho prender ele. Quando qualquer outra pessoa o pega, ele se debate ou foge. Mas não faz isso comigo. Nunca fez.

- Gostei do apelido - ele diz entrando na mala do carro. Outros amigos dele também entram.

Hernandez fecha o lugar e eu entro na viatura. Nós viemos com dois carros, e o meu é o primeiro. O meu companheiro nessa tarde entra no veículo e dirige pra delegacia.

Chegamos lá depois de um tempinho, eu desço, pego o moreno pelo braço e o levo pra dentro da delegacia.

Assim que entramos, alguns deles vão pra cela e o moreno vai pra sala pra ser interrogado. Vou também e me sento de frente pra ele.

Como isso não foi planejado, não tem mais ninguém assistindo ao interrogatório, até porque, não vou fazer isso de verdade. Não agora.

- Então, quanto tempo vão demorar pra te tirar dessa vez? - cruzo os braços.

- O mesmo tempo de sempre. Eles pagam hoje e amanhã eu estou solto - ele diz.

- Eu tô começando a achar que você faz mesmo isso como desculpa pra me ver - brinco, apesar de estar séria.

- Acertou em cheio, gatinha - ele sorri.

- Não me chama de gatinha - reviro os olhos - é detetive Bartlett pra você.

- Mais sexy ainda - ele diz.

Levanto a sobrancelha.

- Você quer que eu te dê um soco? Me respeita - falo e ele se inclina pra frente.

- Você pode tudo, faz o que você quiser. Você é a lei - ele fala baixo.

- Você não se importa em perder todo o seu dinheiro pagando fiança? - mudo o assunto.

- Tem muito mais de onde eles saem. E outra, eu vou arrumar um jeito de recuperar tudo - ele diz - não se preocupe.

Faço careta pelo cheiro da maconha.

- Você está fedendo a maconha - falo sem esconder a careta.

- E você está linda.

- Por que você tá dando em cima de mim pela milésima vez?

- Por que não estaria? Você é uma gata.

- Não consegue entender que eu sou a autoridade e que você pode se encrencar? Você é o bandido aqui - encaro ele.

- Eu tenho a perfeita noção de que você está no comando, detetive Bartlett. Inclusive, devo admitir que tenho curiosidade pra saber como é o seu corpo abaixo disso tudo - ele fala e eu arregalo os olhos incrédula.

Que cara de pau!

- Você não tem medo do perigo? Eu tenho uma arma.

- Eu sou o perigo, gatinha. Achei que já soubesse - ele morde o lábio - você tem uma arma, eu tenho várias na minha casa, e isso é normal. O problema não está só nas armas, e sim nas pessoas que vão usar, e pra quê vão usar.

- Então você tem porte de armas... - falo pensativa.

- E de drogas - ele sorri - e de um monte de coisa ilegal. Mas eu também tenho porte de pau grande e você pode ter certeza que não é nada fora da lei. Só se você quiser - ele morde o lábio.

Estou perplexa.

- Você é um bandido safado e descarado - resmungo levantando e ele ri - tchau!

- Até mais, gatinha.

Finalmente entro debaixo do chuveiro e fecho os olhos enquanto me perco em pensamentos.

O que eu estava pensando quando parei pra conversar com aquele bandido? Ele já foi suspeito de mandato de assassinato e várias outras coisas, apesar de não ter sido declarado culpado. Nunca teve provas.

Mas eu simplesmente não hesitei em falar com ele. Falei como se ele fosse apenas mais uma pessoa comum que costumo conversar.

Ele confessou ter armas e drogas, mas por que diabos eu não pensei em prender ele por aquilo também? É óbvio que aquilo não era novidade pra ninguém naquela delegacia, mas ele tinha confessado.

Tento afastar os meus pensamentos e termino o banho. Saio do banheiro enrolada na minha toalha, me visto com meu pijama e me jogo na cama.

Preciso descansar muito pra enfrentar mais um dia solucionando casos.

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