Mundo ficciónIniciar sesiónVendida pelo próprio pai para selar uma aliança entre máfias, Anya Morozova não escolheu o casamento. Escolheu sobreviver. Para proteger a irmã caçula, ela aceita se tornar esposa de Lorenzo Moretti — o herdeiro implacável da máfia italiana, um homem conhecido por nunca repetir mulher… e nunca perder o controle. Lorenzo precisava de uma esposa para assumir o trono. Não precisava de sentimentos. Mas a jovem russa que ele esperava dominar não se curva. Anya carrega um passado que ele não consegue decifrar… e um segredo que pode destruir a aliança entre suas famílias. No altar, ele a rejeita. Na noite de núpcias, ele promete não tocá-la. Mas basta uma ameaça para que o Dom descubra algo que nunca planejou sentir: obsessão. Em um casamento construído por contrato, onde confiança é fraqueza e amor pode custar sangue… quem vai ceder primeiro? Ele comprou o sobrenome dela. Mas jamais imaginou que perderia o controle por sua própria esposa.
Leer másEu soube que algo estava errado antes mesmo de tocar a maçaneta. A casa estava mergulhada em um silêncio que já faz parte da nossa rotina. O habitual peso da mansão Morozov, mas algo mais sombrio. Parecia que as paredes prendiam a respiração, aguardando o impacto.
Ando pelos corredores gelados, luxuosos mas sem o brilho de felicidade. O Pakan mandou me chamar, e ele nunca pode esperar.
Dois guardas barravam o caminho. Mantinham as colunas rígidas e evitavam meu olhar.
Não esperei por autorização para entrar. Empurrei a porta pesada de carvalho e o cheiro familiar de couro e tabaco me atingiu como um aviso. Meu pai estava sentado atrás de sua mesa maciça. A postura era impecável. O relógio de parede marcava os segundos com uma lentidão torturante.
— Sente-se, Anya — ele disse. A voz estava calma demais.
— Onde está minha irmã? — Eu não me movi.
A pergunta saiu cortante. Em resposta, ele apenas deslizou um envelope pardo pela superfície da mesa. Minha mão tremeu quando meus dedos tocaram o papel. Dentro dele, o meu pior pesadelo ganhou forma.
Eram fotografias: Kira sentada em uma cama estreita. Kira olhando para a lente com os olhos arregalados de medo. Minha irmã confinada em um quarto cujas janelas ostentavam grades de ferro.
— Você a tirou de casa — sussurrei. O ar começou a me faltar.
— Eu a protegi — ele corrigiu, inclinando-se levemente para a frente. — Protegerei inclusive de você, se for necessário.
A fúria subiu pela minha garganta como ácido, mas eu a engoli. Eu queria gritar. Queria avançar sobre a mesa. No entanto, eu sabia que, naquele universo, a emoção era uma fraqueza que ele usaria contra mim.
— Traga-a de volta pai, por favor — implorei. A voz agora era baixa. Ao longo dos anos aprendi que era mais fácil ser submissa do que ir contra ele, isso evitava socos e costelas quebradas.
— Não — ele respondeu, cruzando as mãos com uma naturalidade terrível. — Mas podemos negociar. Afinal, sua irmã não é tão forte quanto você, Anya. Ela não sobreviveria muito tempo longe do conforto que conhece.
Entendi o golpe antes mesmo de ele ser desferido. Eu não era mais sua filha. Eu era uma mercadoria, uma peça de câmbio em um jogo cujas regras eu sequer conhecia.
— Como assim negociar? O que você deseja?
Ele pegou uma última foto e a colocou diante de mim. Um homem de terno escuro, com uma postura que exalava autoridade absoluta. O olhar era frio e parecia atravessar o papel.
— Lorenzo Moretti — o nome saiu da boca do meu pai como uma sentença de morte. — Seu futuro marido e o próximo Dom da Máfia Italiana.
Olhei para a imagem do homem que agora era dono do meu destino. Compreendi, enfim, a extensão da minha ruína. Eu não estava sendo convidada para um casamento. Eu estava sendo entregue como um tributo de guerra.
— Ele sabe?
— É lógico que não, para todos os efeitos você é pura e perfeita, e você vai fingir na noite de núpcias, esse contrato é importante demais para você por tudo a perder. A vida da sua irmã depende disso.
Eu caminho até o armário sem intenção real de abri-lo, mas as portas já estão entreabertas, como se alguém tivesse esquecido de fechá-las por completo.Paro. Não são minhas roupas.O interior está completamente preenchido. Vestidos organizados por cores, tecidos que variam do leve ao estruturado, peças que claramente não vieram da minha mala. São peças lindas, de tecidos que eu nunca havia visto pessoalmente.Dou um passo para dentro do closet.— Pietra… — minha voz sai mais baixa do que eu esperava. — De quem são essas roupas?Ela ergue os olhos imediatamente.— São suas, senhora.Eu rio, mas o som não carrega humor.— Não são. Eu não trouxe isso.Abro uma gaveta. Lingeries dobradas com precisão, rendas delicadas, seda, cortes que não escolhi.O calor sobe pelo meu rosto.— Essas… são para as mulheres que vêm aqui? — pergunto antes de conseguir me impedir.Não olho para ela quando falo. Não quero ver pena.Pietra entende o que estou insinuando.— Não, senhora — responde com firmeza i
O mar é a primeira coisa que vejo quando o jato começa a descer, vasto, azul profundo, batendo contra falésias douradas sob o sol da Sicília. Não é o cinza pesado de Moscou, não há neve, não há gelo, apenas calor e luz demais para alguém acostumada ao inverno.A Itália não parece fria, mas também não parece gentil.Quando a porta do avião se abre, o ar quente me envolve de imediato, trazendo cheiro de sal, limão e terra aquecida. É um contraste violento com a Rússia, e, por um segundo, sinto como se estivesse respirando outro mundo.Lorenzo desce primeiro, ajustando o paletó com um movimento automático, seguro, como se cada passo dele pertencesse àquele território. Ele não me oferece a mão, apenas para no último degrau e espera, observando.Eu desço sozinha.O comboio já está posicionado na pista privada, carros pretos alinhados, homens armados à distância, postura rígida, silêncio absoluto. Não há curiosidade, não há cochichos. Apenas vigilância.A viagem até a mansão Moretti acontec
A catedral ortodoxa era um monumento à opressão dourada. O cheiro de incenso era tão espesso que parecia querer sufocar qualquer verdade entre aquelas paredes. Eu caminhava em direção ao altar sob o peso do véu de renda, mas o que realmente me esmagava era o pacto que eu fizera momentos antes, no vestiário.Meu irmão Nikolai havia chegado a tempo de me ver vestir o branco. Eu contei a ele sobre a surra, sobre a costela e os três dias no escuro, omitindo apenas o segredo que eu entregara a Lorenzo no jardim, até hoje ele não sabe sobre isso. Meu irmão quis me tirar dali à força, mas eu o impedi.— Se eu fugir, Kira morre — eu disse a ele, segurando seu rosto. — Fique. Não vá embora de novo. Proteja-a do nosso pai enquanto eu estiver na Itália. Eu vou voltar para buscá-la.Eu prometi isso a Kira em um abraço rápido antes da marcha “fúnebre” começar. "Obedeça ao papai para que ele não nos afaste, pequena. Nikolai e eu vamos dar um jeito", sussurrei no ouvido dela.Agora, vendo-a na prim
O silêncio que se seguiu à partida de Lorenzo no jardim foi cortante. Observei suas costas largas sumirem na direção da mansão, sentindo um misto de alívio e pavor. Ele não me rejeitou. Ele comprou meu segredo, mas o preço... o preço era pertencer a um homem que cheirava a perigo e poder absoluto.Respirei fundo, sentindo a pontada aguda na costela me lembrar que eu ainda estava em solo inimigo. Minha casa. Minha prisão.Quando entrei no salão principal, meu pai estava de pé, observando a neve cair pela janela. Os convidados já haviam se dispersado para o jantar, restando apenas o eco da nossa desgraça familiar entre aquelas paredes de ouro.— O que o italiano queria em particular? — a voz de Viktor soou como o estalar de um chicote.Ele se virou, os olhos frios me revistando em busca de qualquer sinal de traição. Mantive o queixo erguido, usando cada gota de força que Nikolai me ensinou para não vacilar.— Ele queria saber se eu estava de acordo com o casamento — respondi, minha voz
Ela se virou para mim. O vento bagunçou uma mecha de seu cabelo ruivo — a primeira imperfeição que vi nela desde que cheguei.— O senhor foi muito claro sobre o que seu Conselho espera, Lorenzo — ela começou. A voz era firme, embora eu pudesse ver o pulsar acelerado em sua garganta. — Eles querem uma linhagem. Querem a garantia de que o sangue Moretti se unirá a uma noiva intocada. Um troféu de pureza para validar sua paz.— É a tradição — respondi, cruzando os braços e observando-a como um falcão. — Na máfia, a honra de um Dom começa na cama de sua esposa.Anya deu um passo à frente. O olhar azul não vacilou, mas uma sombra de dor cruzou seu rosto antes de ser sufocada pelo desprezo.— Lorenzo... eu passei por um ataque cerca de dois anos atrás. Um homem invadiu esta mansão para tentar matar meu pai e acabou me encontrando no caminho.O silêncio que se seguiu foi tão denso que o som do vento pareceu desaparecer. Senti meus músculos retesarem instantaneamente.— O que você quer dizer
O jardim da mansão Morozov não trazia conforto; era apenas um labirinto de cercas vivas sob o céu cinzento da Rússia. O ar frio cortava meu rosto, mas o gelo que eu sentia nas veias era pior.O Senhor Moretti caminhava ao meu lado, o braço firme como uma viga de aço sob o meu toque. Eu sentia o peso do olhar do meu pai queimando minhas costas enquanto nos afastávamos. Aquela ameaça silenciosa era clara: seja perfeita ou morra.Paramos perto de uma rotunda de pedra, longe o suficiente para que o vento abafasse nossas vozes. Meu coração batia contra a costela quebrada, cada pulsação enviando uma onda de agonia pelo meu flanco.— Primeiro, me chame de Lorenzo. Estaremos dividindo a cama em quinze dias. Segundo: o que aconteceu com você? — a voz dele foi direta, sem o verniz da etiqueta. — Parece estar com dor.Tentei manter a expressão neutra, a máscara de porcelana que levei anos para esculpir.— Não é nada, Lorenzo. Deve ser apenas impressão sua. O cansaço dos preparativos, talvez.Ele





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