MARIA JULIA RODRIGUES Eu me esgueirei atrás do tecido, o coração batendo tão forte que parecia querer explodir. A chuva caía sem parar, encharcando minhas roupas e colando meus cabelo cacheado ao rosto. Tentei acalmar a respiração, mas era impossível.“Merda, merda, merda!” pensava sem parar. Dudu estava sozinho no apartamento apertado, esperando por mim. Ele devia estar com fome, assustado, desenhando o que mais amava “carros”. Eu não podia morrer, não hoje. Não desse jeito.Olhei desesperada ao redor, procurando uma saída. Vi uma casa velha com a porta da cozinha entreaberta. Luz amarela fraca escapava para o beco. Era minha chance. Corri abaixada, o mais silenciosa possível, mas meu pé tropeçou em um vaso de flores velho que estava no caminho. O vaso caiu e se espatifou no chão com um barulho alto que ecoou na noite.— Merda! — sussurrei.Imediatamente ouvi passos correndo. Dois soldados apareceram de um lado, o terceiro veio por trás. Eles me cercaram rápido como lobos.Tentei lu
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