Maria Julia RodriguesEu ainda estava encolhida dentro daquele maldito armário, o coração batendo tão forte que tinha medo que eles ouvissem.A voz feminina perguntou de novo, suave, quase delicada:— Querido, você está aí?— Sim, Antonella, estou — respondeu Ruggero, visivelmente frustrado.A porta se abriu. Eu espiei pela fresta mínima.— O que deseja? — perguntou ele, seco.— Ora, querido… — O tom dela mudou lentamente. A delicadeza foi derretendo como cera quente, revelando algo sombrio, afiado. — Quero o que toda esposa deseja quando o marido passa o dia inteiro trabalhando. Sem ver, sem conversar…— Antonella, me poupe. Não estou para os seus joguinhos.— Não para mim… mas está para outras mulheres, não é?Ruggero soltou uma risada cínica.— Quem são as pessoas que você botou no quarto dos fundos? — ela insistiu. — A mulher estranha e o menino? Prisioneiros? Não parece. Você não os trata com tanto luxo.— Não são prisioneiros. São meus convidados. E a você não interessa o que sã
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