Mundo ficciónIniciar sesiónA exatos oito anos, Helena deixou tudo para trás, a cidade pequena, os sonhos e, principalmente, Víctor, o único homem que ela amou. Fugiu acreditando que o tempo apagaria as cicatrizes e que a vida seria mais generosa em outro lugar. Mas o tempo não apaga tudo. Agora, divorciada, falida e com um filho pequeno pela mão, ela não tem escolha a não ser voltar. Voltar para a cidade que a julgou. Voltar para as lembranças que tentou esquecer. Voltar para os olhos de Víctor, que ainda ardem como fogo toda vez que cruzam os dela. Ele, agora um homem feito, aprendeu a enterrar os sentimentos. Mas quando vê Helena de novo, percebe que alguns amores não morrem, apenas adormecem. E, às vezes, basta um olhar para despertá-los. Entre segredos, mágoas e um amor que nunca deixou de existir, Helena terá que decidir se está pronta para enfrentar o passado… e, talvez, descobrir que o seu verdadeiro lar sempre esteve nele.
Leer másA clínica estava quase pronta, Tomás era muito rápido e eficiente e o espaço estava ficando maravilhoso. Entrevistei o médico e fechei com ele na hora. Era um dermatologista com muitas especializações, doutor Hermes Ribeiro. Eu estava muito feliz porque o quadro de médicos estava completo, só faltava agora contratar uma secretária para o dr. Hermes. Quando o homem saiu já tinha passado da hora de ir para casa e Tomás ainda estava trabalhando. Fechei as portas e fui procurá-lo, para avisar que ia para casa. Procurei por toda a clínica e o encontrei no depósito, revisando o desenho de um móvel que tinha sido entregue com as medidas erradas. — Esses funcionários… se a gente não estiver junto com eles, nada sai como o planejado! — resmungou. — Por que você não vai para casa? — sugeri. — Descansa, amanhã você volta, com a mente tranquila, já está tarde! — Acho que vou fazer isso mesmo… e você? O que faz aqui até essas horas? — Bem… — suspirei. — Longa história… O Víctor apare
Entrei em casa e pedi ao Tiago que fosse tomar banho e fui à procura de Renato, o encontrei no escritório tomando conhaque e olhando pela janela. Suspirei quando o vi, ele tinha esse poder sobre mim, de me deixar sem fôlego, eu queria muito ser a mulher fiel que ele merecia, mas não estava conseguindo, meus sentimentos me dominavam. Eu era fraca. Bati de leve na porta e ele virou-se. Estava abatido, com olheiras. Havia chorado.— Entre… — foi tudo o que disse.— Renato eu queria conversar com você!— Pode falar! — ele foi seco.— Quero que saiba que eu não entrei em contato com o Víctor, eu não queria que ele nos encontrasse, e nem que o Tiago ficasse sabendo da verdade, mas fugiu do meu controle…— Como tudo na sua vida, não é, Helena? — Ele foi sarcástico. — Na sua vida nada tem controle, e nada é sua culpa.— Não estou dizendo isso, eu sou inteiramente responsável pelas coisas que acontecem, eu sei que causo problemas, que sou inconsequente, mas eu te amo, Renato!— Me ama? — Ele
Nos próximos dias, o silêncio dentro da clínica pesava como chumbo.Eu ainda sentia o gosto do beijo que dera em Tomás, um gesto que não planejei, não quis, mas que aconteceu como se o coração tivesse agido antes da razão. Os olhos dele, confusos e cheios de culpa, tentavam dizer algo, mas as palavras ficaram presas no ar. Para piorar a situação, Víctor apareceu novamente e Renato teve um pequeno surto, expulsando-o a socos de dentro da clínica, sem ao menos escutá-lo. Depois me culpou como se eu tivesse o levado até a clínica. Passou o dia sem olhar na minha cara. — Renato, você não tem o direito de me tratar assim, como se eu fosse ficar com todos os homens que se aproximam! — gritei mais tarde, perdendo a paciência. — Tenho, sim! — ele gritou, o rosto vermelho, os olhos faiscando. — Tenho porque você realmente fica com todos os homens que se aproximam! Tenho porque sou o homem que te acolheu quando ninguém mais quis. Que te deu um lar, uma chance, uma família! Tenho porque o teu
Os dias seguintes à briga foram um castigo silencioso. Renato mal falava comigo. Dormíamos na mesma cama, mas era como se houvesse um abismo entre os lençóis. Ele acordava cedo, saía antes do sol nascer e voltava tarde, exalando perfume caro e exaustão. Às vezes fingia dormir para evitar conversa, outras vezes me olhava com uma expressão fria, calculada, que me fazia lembrar o Leonardo nos seus piores dias.No início, tentei me aproximar. Preparei jantares, passei roupa, fiz tudo o que uma mulher tola e culpada faz quando quer ser perdoada. Mas ele continuava distante. Quando o Tiago perguntava por que o “papai” não jantava mais com a gente, eu dizia que ele estava ocupado com o trabalho. Mentira. O problema era eu.Na clínica, o clima era diferente. Tomás vinha todos os dias, sempre com um sorriso no rosto e uma piada pronta. Quando eu passava pelo corredor, ele dizia “bom dia, doutora Helena”, do mesmo jeito brincalhão de sempre, e aquilo me arrancava um sorriso que eu já não sabia










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