Mundo de ficçãoIniciar sessãoElara Quinn jurou que nunca mais deixaria um homem atrapalhar sua carreira. Mas o destino tem um senso de humor duvidoso — e agora ela vai dividir o teto com Asher DeLuca, o jogador de hóquei mais insuportavelmente atraente do campus. Ela é disciplinada, controlada e com fama de difícil. Ele é o caos em pessoa — sarcástico, provocador e dono de um sorriso que deveria vir com aviso de perigo. O plano era simples: coexistir até o fim da temporada. Mas quando o gelo entre os dois começa a derreter, a linha entre ódio e desejo se torna perigosamente fina. E o que antes era implicância vira algo que nenhum dos dois sabe como lidar. Porque, às vezes, o inimigo que você mais odeia... é o único capaz de te tirar do chão.
Ler maisChego em casa por volta das seis da tarde, com Max logo atrás. Hoje foi um dia puxado. Depois do desastre que aconteceu com Elara e seu parceiro, tivemos que ouvir uma longa e entediante “palestra preventiva contra irresponsabilidades físicas durante a temporada”, o que acabou atrasando nosso treino. Por isso, tivemos que ir direto para as aulas.Ainda bem que eu tinha uma roupa reserva no meu armário do vestiário — alguns caras tiveram que ir para as aulas ainda com a roupa de treino e levaram uma bronca do reitor.Abro a porta e sou tomado pela escuridão da casa. Não há ruído algum.— Será que ela saiu? — Max pergunta, entrando e acendendo a luz da sala.— Acho que não. Eu tinha aula de Finanças com ela hoje, mas ela não apareceu. Além disso, o carro está na vaga dela — respondo.— Você acha que ela está bem? Tipo, foi um baque e tanto, cara. Ela vai ser desclassificada por W.O. — diz, seguindo em direção à cozinha.Coloco minha mochila no chão, perto do sofá, e faço o mesmo caminho
O portão do ginásio de treinamento surge à minha frente, e, pela primeira vez em dias, sinto uma pequena—minúscula—sensação de alívio no peito. Aqui, pelo menos, minha mente costuma focar no que importa: disciplina, suor, controle.Encosto o carro na vaga mais próxima da entrada e desligo o motor. Quando estou prestes a sair, noto pelo retrovisor a caminhonete preta ocupando o espaço ao lado.Claro.Asher encosta tão perto do meu carro quanto seu ego permite. Abro a porta com força, sem me dar ao trabalho de esperar por ele, e saio batendo-a mais alto do que o necessário.Não olho. Não cumprimento. Não respiro perto.Ignorar é a única maneira de manter minha sanidade intacta.Começo a caminhar em direção à entrada principal, ouvindo logo atrás de mim passos familiares. Pesados. Irritantemente próximos.— Você sempre caminha assim rápido ou é só quando sente minha presença? — ele pergunta, carregado daquele tom despreocupado que me dá vontade de cometer um crime.— Eu caminho rápido qu
O cheiro de panquecas recém-feitas invade minhas narinas assim que entro na cozinha — um aroma quente, doce, irritantemente acolhedor. Max está sentado na banqueta do balcão central, despejando quase a garrafa inteira de calda por cima das panquecas, como se aquilo fosse socialmente aceitável. Asher está de frente para o fogão, só de calção de treino e um avental verde, jogando uma panqueca para o alto como se estivesse em um comercial de margarina.Max me nota parada na porta e levanta a mão num aceno exagerado. — Bom dia, flor do dia — diz ele, com a boca já semi ocupada por panqueca.Asher se vira ao ouvir o amigo. Ele ergue a sobrancelha para mim, mas não diz nada — claro — apenas coloca a panqueca recém-virada na pilha ao lado do prato de Max com uma eficiência quase irritante. Depois volta ao fogão, derramando mais massa na frigideira.— Não sabia que você sabia cozinhar — digo, tentando parecer mais surpresa do que… outra coisa.Max dá uma garfada enorme antes de falar: — Com
Passara uma hora desde que eu voltara para o centro de treinamento, mas minha cabeça ainda estava naquele quarto. A cena voltava em loop, irritante e perfeita, queimando atrás das pálpebras. Eu não conseguia me concentrar em nada. Meu corpo denunciava isso mais do que eu gostaria — uma persistente meia-bomba e um incômodo crescente que só piorava.Vejo o disco emborrachado vindo direto na minha direção e, claro, minha reação foi lenta demais. Ele acertou em cheio a minha coxa direita. Tentei me desvencilhar e perdi o equilíbrio por um segundo, mas graças aos meus três longos e obrigados anos de patinação artística — uma das vontades da minha irmãzinha — não fui parar de bunda no gelo. Às vezes, pagar mico no passado salva a dignidade no presente.— DeLuca! Que porra foi essa? — o treinador rugiu do outro lado do acrílico. — Você não tá com a cabeça no gelo!— Foi mal, treinador — respondi, arfando enquanto a coxa ardia. — Eu só tô… distraído.— Isso aí eu já percebi. Aliás, todo mundo
Na segunda-feira de manhã, meu quarto novo finalmente está totalmente arrumado. Fiquei surpresa por Asher não ter dito uma só palavra enquanto voltávamos para casa no sábado. E mais ainda quando ele me ajudou a trazer tudo para cima em silêncio. Não fez nenhuma provocação, nem mesmo quando entrou com a última caixa no quarto e eu estava de joelhos para pegar minha luminária em formato de lua, que havia caído embaixo da cama. Bom, talvez ele não seja babaca sempre.Entro no banheiro para tomar um banho longo e quente. Começo a lavar os cabelos e, depois de passar a máscara hidratante, saio debaixo da água e começo a me ensaboar. De repente, faíscas começam a surgir dos fios do chuveiro e uma fumaça preta com fogo se espalha pelo aparelho. Giro o registro para desligar e, num estalo, uma mini explosão acontece. A água esfria e o fogo cessa.Não acredito!Me enrolo na toalha e saio do banheiro com a máscara ainda no cabelo e cheia de espuma. O que eu faço agora? Nem ferrando que vou me e
— Faz um favor pra mim? A voz de Max surge pela porta do quarto, atrapalhando a minha leitura do trabalho de filosofia.— Depende — respondo, sem nem olhar pra ele. — Se envolver criança, cachorro ou drama alheio, tô fora.— Relaxa, é só ir até o apartamento da Elara — ele diz, calmo demais pro próprio bem. — Ela tá com problema pra mover uma mesa.Levanto uma sobrancelha, devagar. — Elara? Tipo… Elara Quinn?— Aham. — Ele dá de ombros, pegando as chaves do carro no bolso. — Ia te avisar antes, mas ela já sabe. Ou quase isso.— “Quase isso”? — pergunto, desconfiado.— Eu só disse que você tava em casa e que podia ajudar.— Você o quê? — largo o livro na cama, incrédulo. — Max, você é um grande filho da…Mas ele já saiu, fechando a porta atrás de si com aquele sorrisinho de quem adora ver o circo pegar fogo.Suspiro, passando a mão pelo rosto. Claro. Tinha que ser ela.Elara Quinn é o tipo de mulher que consegue me tirar do sério em menos de cinco minutos — e o pior é que parece se





Último capítulo