Adam Petrov é um militar de elite com um passado que se recusa a ficar para trás. Frio, calculista e implacável em campo, ele nunca imaginou que sua missão mais difícil seria reconquistar a mulher que um dia amou e que foi cruelmente arrancada de seus braços por uma mentira devastadora. Sophia Scoot é brilhante, doce e marcada por cicatrizes que não se veem. Durante cinco anos, ela sobreviveu aos traumas que destruíram seu futuro ao lado de Adam. Agora, forçados a trabalhar juntos em uma operação secreta, verdades esquecidas vêm à tona... junto com sentimentos que nunca morreram. Entre balas, códigos e perseguições, o verdadeiro inimigo está mais perto do que imaginam. E a maior missão de suas vidas não será contra o crime será lutar pelo amor que quase perderam.
Ler maisO silêncio era quase absoluto no hangar principal da base tática. Só o som ritmado das botas ecoava pelos corredores estreitos enquanto o relógio digital marcava 06:47.
Adam Petrov caminhava à frente, imponente como uma tempestade contida. O uniforme impecável, os ombros largos, o olhar glacial. Cada passo seu exalava autoridade. Era como se o chão se curvasse sob ele.
— Fico impressionado como você consegue parecer ameaçador antes mesmo do café — disse Mike com seu eterno tom debochado, ajustando o rifle no ombro enquanto caminhava ao lado do amigo.
— E você ainda vive pra comentar — Adam respondeu, seco, mas com um canto de sorriso que quase ninguém notaria… exceto Mike.
Mike sorriu mais largo, como se tivesse ganhado um prêmio. Ele era o atirador de elite mais ousado da força, e o único que conseguia provocar Adam sem morrer tentando.
— Ouvi dizer que nossa mente brilhante da tecnologia chega hoje. Aposto cinquenta que é um nerd espinhento com problemas sociais.
— Desde que saiba fazer o trabalho, não importa — Adam respondeu, estalando os dedos com a luva tática. Sua mente estava totalmente na missão que tinham em mãos. Não havia espaço para distrações. Nem para o passado.
Ou era o que ele achava… até a porta abrir.
O som metálico da porta automática se abrindo reverberou pela sala de comando.
Silêncio.
Ela entrou com passos hesitantes, os olhos observando tudo com cuidado. Os cabelos castanhos avermelhados estavam presos em um coque baixo, e os olhos verdes-acinzentados, outrora vivos, agora pareciam carregados de neblina.
Sophia Scoot.
O nome ecoou na mente de Adam como uma explosão surda. Por um segundo, o mundo ficou em câmera lenta. Ela parecia menor. Mais magra. Havia sombras novas sob seus olhos e uma rigidez em seu corpo que ele nunca conheceu. Mas era ela.
— Capitão Petrov — a voz dela cortou o silêncio, firme, porém contida. Sem emoção. Sem tremor. Como se ele fosse apenas mais um rosto entre tantos.
Adam engoliu seco.
— …Scoot?
Mike, do lado, arregalou os olhos e sussurrou baixinho como quem pressente o caos:
— Ah, merd@…
Sophia mantinha o olhar fixo em Adam, mas seu corpo estava levemente tenso, como se estivesse pronta para fugir se ele se aproximasse. Era a postura de quem construiu barreiras altas demais para deixar qualquer um atravessar.
— Eu serei responsável pela análise forense e monitoramento tecnológico desta unidade — continuou ela, sua voz impecável, mas o coração acelerado denunciava o contrário. Ele ainda conseguia escutar os batimentos dela... mesmo depois de tudo.
Adam olhou para o chefe, confuso, traído pela surpresa.
— Você não me disse que seria ela.
O superior apenas deu de ombros.
— Achei que sua experiência pessoal não interferiria no profissionalismo da equipe.
Mike pigarreou alto, cortando o clima pesado:
— Bom, pelo menos agora sabemos que nossa nerd da tecnologia não tem espinhas. Só um passado em chamas com o chefe.
A tensão era densa o suficiente pra ser cortada com uma faca.
Horas depois, Adam se encontrava sozinho no seu gabinete. A sala escura era iluminada apenas por telas com dados da missão, mas ele não conseguia se concentrar em nada.
Ela estava ali.
Depois de cinco anos.
Viva. Mais bonita. Mais triste. E tão distante quanto a última vez que ele a viu — naquele maldito quarto, onde seu mundo desabou.
“Ela não tentou se explicar”, ele pensou. “Nem sequer correu atrás. Como se fosse mesmo culpada.”
Mas então… por que a dor nos olhos dela parecia tão verdadeira?
Sophia, por outro lado, digitava códigos freneticamente na sala ao lado. A mão tremia levemente enquanto analisava as rotas de extração. Ela sabia que aquele momento chegaria, mas nunca pensou que o impacto de vê-lo de novo seria tão devastador.
Adam não mudou. Continuava alto, perigoso, dominante… e absurdamente bonito. Mas os olhos dele… ah, os olhos não mentiam. Ele ainda a odiava.
E por mais que parte dela gritasse que era inocente, outra parte... ainda se culpava.
Na sala de monitoramento, Mike apareceu na porta com uma xícara de café.
— Eu devia entregar isso pro Adam, mas decidi que você merece mais — disse, entregando a bebida e se encostando no batente com seu sorriso característico. — E, sinceramente? Você é dez vezes mais simpática.
Sophia esboçou um sorriso fraco.
— Obrigada, Mike…
Ele inclinou a cabeça.
— Faz cinco anos, né?
Ela assentiu, encarando o café como se ele tivesse todas as respostas.
— Eu sempre achei estranho… aquela história. Aquela noite. Aquela “coincidência” absurda.
— Não fala disso, por favor — sussurrou ela, apertando a xícara com força.
Mike suspirou.
— Ok. Mas só quero que saiba... nem todo mundo acreditou no que pareceu.
Sophia olhou para ele com os olhos marejados.
E Mike, pela primeira vez, não brincou.
— Eu só espero que o "Wolf" ainda saiba farejar a verdade.
Cinco anos depois...O som de passos pequenos ecoava pelos corredores da base militar.— ISABELLA SCOOT PETROV! VOLTA AQUI AGORA! — Mike gritava, correndo atrás de uma menininha de cachinhos castanhos avermelhados e olhos absurdamente azuis, vestida com uma capa de super-heroína improvisada com um jaleco da mãe.A menina olhou para trás, gargalhando com toda a travessura que só alguém com o sangue de Adam e Sophia podia carregar.— Nunca me pegará, Tio Mike! Eu sou rápida como o papai! — gritou, fazendo uma curva insana e derrubando uma pilha de relatórios no chão.Mike tropeçou nos papéis, praguejou em russo, inglês e talvez francês, e parou ofegante diante da sala principal.Ali, encostado no batente com um copo de café na mão, estava Adam.Camisa preta, expressão calma, e um sorriso que dizia tudo: “Essa é minha filha.”— Você não vai fazer nada?! — Mike esbravejou. — Essa pirralha reprogramou o sistema de segurança com a sua senha e me trancou no banheiro por três horas ontem!Ada
— De novo não... — Sophia murmurou, apoiando as mãos no balcão da cozinha enquanto o enjoo subia como uma maré traiçoeira.Era a terceira vez naquela semana.Adam entrou com uma sacola de café da manhã, parando assim que viu sua pequena pálida e suando frio.— Pequena... você tá bem? — Ele largou a sacola, aproximando-se rápido.— Tô. Só... deve ser o queijo daquele sanduíche de ontem.— Sophia, você comeu três. Com batata frita. E milk-shake.— Exatamente, deve ter sido demais — ela respondeu, emburrada, sentando-se no sofá como quem fecha o assunto.Adam a observou, desconfiado. Havia algo... estranho.Ela andava sensível, emburrada por motivos aleatórios.Na noite anterior, ficou brava porque ele abriu a última garrafinha de água com gás. Antes disso, ela chorou porque queimou a torrada. E agora, o humor oscilava entre “princesa carinhosa” e “tempestade emocional”.Mike, ao fundo, murmurou:— Ou a Sophia tá treinando pro Oscar... ou tem algo acontecendo.Adam não respondeu. Mas o a
O som das ondas era constante, como uma melodia suave que embalava o silêncio confortável entre eles.O bangalô de madeira, cercado por vegetação e com vista para o mar, tinha sido um presente de Mike — que jurava de pés juntos que queria "sossego dos pombinhos".Adam suspeitava que era mais uma forma de garantir que sua pequena finalmente descansasse.Sophia estava sentada em uma espreguiçadeira, com os pés descalços encostando na areia. Vestia apenas um vestido leve, florido, que se movia com o vento. Os cabelos soltos voavam em ondas suaves, os olhos fixos no horizonte.Adam a observava de dentro, encostado na porta, com um sorriso raro — aquele que ele guardava só para ela.— Você tá vigiando ou apreciando a vista, lobo mau? — ela perguntou, sem olhar para trás.— Os dois. — Ele se aproximou, abaixando-se ao lado dela. — Mas confesso que a vista mais bonita tá aqui.Ela corou, ainda tímida apesar de tudo que já viveram.— Eu pensei que ia demorar pra me sentir inteira de novo. — S
O alerta soou às 03h42 da madrugada.Sophia não estava no alojamento.O café esfriava intocado na bancada. A manta dobrada no sofá. A cadeira do laboratório, vazia.Adam sentiu. Ele soube antes mesmo de confirmarem. O silêncio ao redor era... errado.A câmera do corredor foi cortada às 03h07.— Eu vou atrás dela. — A voz de Adam era uma lâmina afiada.— Adam... — o chefe tentou intervir. — Não temos localização exata. Não temos permissão oficial.— Não me interessa.Mike se adiantou, com o olhar sério pela primeira vez em muito tempo.— Eu tô com você. Sempre estive.Horas depois, em uma sala escondida num galpão isolado...Sophia estava amarrada. Os pulsos machucados, os lábios rachados, e a cabeça latejando.O homem à sua frente sorria.— Você se lembra de mim?Ela o reconheceu. A voz. Um dos nomes que Rafael sussurrara no interrogatório. Um dos monstros por trás da noite que mudou sua vida.— Você sobreviveu à primeira vez… — disse ele, arrastando uma cadeira para mais perto. — Mas
A noite caiu suave sobre a base.As luzes baixas no alojamento de elite criavam um clima aconchegante, quase íntimo.Do lado de fora, o mundo parecia distante.Ali dentro, o tempo pertencia apenas a eles.Sophia estava sentada no sofá, enrolada em uma manta fina.A xícara de café — sem açúcar, como sempre — descansava em suas mãos, já quase vazia.Adam a observava em silêncio, sentado na poltrona em frente, os cotovelos nos joelhos, o olhar fixo nela… como se quisesse decorá-la mais uma vez.— Você tá me olhando como se eu fosse sumir — disse ela, com um sorriso pequeno.— É que por um tempo… eu achei que tinha mesmo te perdido.Ela não respondeu de imediato. Apenas abaixou os olhos e soprou o restinho do café.— Eu também me perdi, Adam. No meio daquela noite, das dores… e de não ter você pra me ouvir.— Eu errei. — A voz dele saiu baixa, rouca. — E não tem desculpa que apague isso. Eu deveria ter escutado você. Eu deveria ter olhado nos seus olhos… porque era ali que sempre encontre
O carro preto cortava a estrada com a velocidade de alguém que tinha pressa de chegar ao destino.Adam estava ao volante, a mão direita apertando o volante com força, a esquerda entrelaçada à de Sophia, repousando no colo dela.— Tem certeza que não quer avisar ninguém? — ela perguntou, com um leve sorriso.— Três dias. Só eu e você. Não quero chamadas, relatórios, nem Mike batendo na porta fingindo que esqueceu alguma coisa. Hoje, pequena, você é só minha.Sophia sentiu o arrepio antes mesmo das palavras terminarem.Aquele tom baixo, firme, que Adam usava quando o Lobo estava à flor da pele. Quando o homem que ela amava cedia ao instinto de posse e desejo.Eles chegaram a uma cabana de madeira isolada, cercada por árvores e silêncio.Adam não perdeu tempo. Desligou o carro, contornou o veículo e a puxou para seus braços antes que ela abrisse a porta.— Nem adianta fingir que vai entrar andando sozinha. Você é minha. E eu tô faminto.Ela riu, tímida, e ao mesmo tempo… incendiada.Dent
Último capítulo