Mundo de ficçãoIniciar sessãoGisele aprendeu desde cedo que, se quisesse sobreviver, precisaria contar apenas consigo mesma. Aos dezenove anos, batalhando como bartender em um resort luxuoso de Cancún, ela trabalha dia e noite para pagar as contas e sonhar com uma vida melhor, mas tudo muda na noite em que um furacão atinge o litoral. Em meio ao caos de hóspedes em pânico e ventos que ameaçam virar o mundo ao avesso, o destino cruza seu caminho com o de Rodrigo Corleone, um bilionário enigmático que está na cidade para um encontro proibido com sua amante casada. Isolados pela tempestade e pelas circunstâncias que nenhum deles planejou, duas vidas opostas se conectam. Entre segredos, turbulência e a incerteza da madrugada, Gisele e Rodrigo compartilham uma única noite intensa e se despedem ao amanhecer, acreditando que jamais irão se ver novamente. Alguns dias depois, Gisele descobre que aquela noite deixou marcas muito mais profundas do que lembranças: ela está grávida. Sem nenhuma informação além de um nome e um lenço bordado com as iniciais R.C., ela decide recomeçar a vida em outra cidade, acreditando que o pai do bebê permanecerá apenas como um estranho no passado. O destino, porém, tinha outros planos. Ao se mudar para a capital em busca de trabalho e um futuro digno para seu filho, Gisele acaba esbarrando inesperadamente em Rodrigo Corleone, agora chefe de um império, noivo e prestes a tomar decisões que podem ruir com um único sopro. Ela não traz apenas um bebê nos braços. Ela traz a verdade que mudará para sempre a vida de ambos e a prova de que uma única noite pode reescrever um destino inteiro.
Ler maisGISELE NARRANDO:Às vezes eu paro e penso em como a vida pode mudar tão rápido.Fazia alguns meses que nossa pequena Tatiana havia chegado ao mundo, e a mansão parecia ter ganhado uma nova luz. Ela era a alegria da casa inteira. Eu não conseguia passar um dia sem pegar minha neta no colo, sentir seu cheirinho de bebê, ouvir aqueles barulhinhos fofos que ela fazia quando estava satisfeita. Rodriguinho estava completamente apaixonado pela filha, trocava fraldas no meio da noite, cantava baixinho para ela dormir, carregava ela pelo jardim enquanto contava histórias que ele mesmo inventava. Thalia, mesmo ainda se recuperando emocionalmente da perda do primeiro bebê, era uma mãe carinhosa e dedicada. Minha nora brilhava quando olhava para Tatiana, e eu via nos olhos dela uma força que me enchia de orgulho.Rodriguinho e Thalia haviam se mudado para a casa nova ao lado da nossa, conectada por uma passagem privada que Madah mandou construir, era lindo ver os dois construindo seu próprio
THALIA NARRANDO:O dia do primeiro mês de vida da nossa pequena Tatiana foi especial de um jeito que eu nunca imaginei viver.Fizemos uma festa íntima, só para a família e os amigos mais próximos, no jardim da mansão. Eu prometi a mim mesma que iria me permitir sentir alegria plena naquele dia, não queria que a tristeza do passado roubasse nem um segundo da vida da nossa filha, o sol estava brilhante, o céu azul, e o jardim tinha sido decorado com delicadeza: balões brancos e rosados flutuando, flores suaves espalhadas pelas mesas, uma mesa central com um bolo pequeno de um andar só, coberto de flores comestíveis e o nome “Tatiana” escrito em letras douradas.Todos se reuniram para prestigiar nossa pequena e tudo o que Rodriguinho e eu estávamos construindo. Nunca me senti tão amada. Dona Madah comprou um presente enorme, um carrinho de bebê de luxo, Dona Gisele preparou um álbum de fotos personalizado com as primeiras imagens da neta. Meu sogro e meu avô Raphael compraram brinqued
ALINE NARRANDO:O último ano foi o pior da minha vida, um inferno que parecia ter durado dez anos.Passei o primeiro mês inteiro na solitária, um cubículo cinzento, úmido, com uma cama de concreto coberta por um colchão fino que cheirava a mofo. A luz ficava acesa 24 horas por dia, um zumbido constante que me enlouquecia. Não tinha janela, só uma fresta no alto da porta por onde passava a comida, uma papa insossa e fria que mal dava para engolir. Eu gritava por ajuda, batia na porta até os punhos sangrarem, chorava dizendo que era injusto, que eu não tinha matado ninguém, ninguém respondia. O silêncio era pior que os gritos.Quando me tiraram da solitária, fui para o convívio comum. Foi aí que o verdadeiro inferno começou. As outras detentas nos odiavam desde o primeiro dia “vadias mimadas”. Uma turma se juntou e nos deu uma surra brutal no pátio, chutavam minha barriga, meu rosto, minhas costelas, tu tentava proteger a cabeça, mas os golpes vinham de todos os lados, Renata levou
THALIA NARRANDO:Os últimos meses da minha gravidez foram um misto de ansiedade, amor e uma paz que eu nunca havia sentido antes.Depois da inauguração da academia, minha barriga cresceu rápido. Aos sete meses, eu já sentia dificuldade para me movimentar, mas cada chute da nossa pequena Tatiana era como um lembrete de que a vida continuava, forte e teimosa, dentro de mim. Rodriguinho estava ainda mais protetor. Ele praticamente não saía do meu lado quando estava em casa, dormia com a mão na minha barriga, acordava no meio da noite para me trazer água ou ajustar os travesseiros.— Você e ela são tudo pra mim — dizia ele baixinho, beijando minha barriga todas as noites.Minha madrinha também não me deixava sozinha, preparava chás calmantes, massagens nos pés inchados e me contava histórias da minha infância para me distrair. Dona Gisele e Dona Madah me mimavam todos os dias comprando muitos presentes para nossa pequena, o doutor Rodrigo e o senhor Raphael me tratavam como se eu fosse





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