Mundo ficciónIniciar sesiónGisele aprendeu desde cedo que, se quisesse sobreviver, precisaria contar apenas consigo mesma. Aos dezenove anos, batalhando como bartender em um resort luxuoso de Cancún, ela trabalha dia e noite para pagar as contas e sonhar com uma vida melhor, mas tudo muda na noite em que um furacão atinge o litoral. Em meio ao caos de hóspedes em pânico e ventos que ameaçam virar o mundo ao avesso, o destino cruza seu caminho com o de Rodrigo Corleone, um bilionário enigmático que está na cidade para um encontro proibido com sua amante casada. Isolados pela tempestade e pelas circunstâncias que nenhum deles planejou, duas vidas opostas se conectam. Entre segredos, turbulência e a incerteza da madrugada, Gisele e Rodrigo compartilham uma única noite intensa e se despedem ao amanhecer, acreditando que jamais irão se ver novamente. Alguns dias depois, Gisele descobre que aquela noite deixou marcas muito mais profundas do que lembranças: ela está grávida. Sem nenhuma informação além de um nome e um lenço bordado com as iniciais R.C., ela decide recomeçar a vida em outra cidade, acreditando que o pai do bebê permanecerá apenas como um estranho no passado. O destino, porém, tinha outros planos. Ao se mudar para a capital em busca de trabalho e um futuro digno para seu filho, Gisele acaba esbarrando inesperadamente em Rodrigo Corleone, agora chefe de um império, noivo e prestes a tomar decisões que podem ruir com um único sopro. Ela não traz apenas um bebê nos braços. Ela traz a verdade que mudará para sempre a vida de ambos e a prova de que uma única noite pode reescrever um destino inteiro.
Leer másRODRIGO NARRANDO:
Eu sempre acreditei que o dinheiro era a chave para abrir qualquer porta no mundo. E até agora, nunca estive errado. Aos trinta e um anos, sou um bilionário, sócio de um dos maiores escritórios de mercado financeiro na Bolsa de Valores, com sede na vibrante Cidade do México. Mas essa é apenas uma parte da minha vida. A outra, mais sombria e perigosa, é a herança de sangue que carrego. Meu pai é um poderoso mafioso italiano e minha mãe faz parte de um dos maiores cartéis mexicanos. Cresci no meio do luxo e do crime, aprendendo desde cedo a usar minha inteligência e charme para manipular qualquer situação a meu favor. Isso fez de mim um mestre na arte da duplicidade, vivendo uma vida dupla como um magnata bilionário e um homem que desfruta das sombras da sociedade. Com meu nome estampado nas revistas de negócios, sou o homem que todos admiram e temem. Minha coleção de carros esportivos e relógios de luxo é invejada por muitos, mas há algo que me atrai mais do que qualquer bem material: mulheres. E não qualquer mulher, mas aquelas que são casadas e comprometidas. Mulheres que não têm tempo para ligar de volta ou criar problemas. O problema é que, ultimamente, uma mulher em particular tem me feito questionar todas as minhas regras. Micaela. Loira, com pele branca como leite e olhos azuis que parecem perfurar minha alma. Ela é um redemoinho de paixão na cama, e me deixa louco. Mas ela é casada com um dos nossos maiores clientes, um empresário que gera milhões anuais para a minha empresa. E eu, imprudentemente, coloco tudo em risco por ela. Não consigo evitar. Faz quatro meses que estamos dormindo juntos. Nosso caso é um segredo bem guardado, nossos encontros sempre longe da Cidade do México. Desta vez, nos encontramos em Cancun, um paraíso que oferece o anonimato que precisamos. Eu estava ansioso para vê-la, mas antes de nos encontrarmos no quarto como de costume, ela quis me encontrar no bar do resort. Cheguei ao bar do resort e a encontrei sentada no balcão, com um vestido vermelho justo moldando seu corpo perfeito. Ela sorriu ao me ver, e aquele sorriso foi como um golpe no meu estômago. Micaela era a combinação perfeita de perigo e desejo, e isso me atraía como uma mariposa para a chama. — Rodrigo — ela disse suavemente, com seu sotaque italiano me fazendo estremecer. — Micaela,— respondi, tentando manter minha compostura. — Você está maravilhosa. — Você também,— ela disse, olhando-me com aqueles olhos azuis que me deixavam sem fôlego. — Precisamos conversar. Isso me preocupou. — Sobre o que? — Sobre nós,— ela disse simplesmente. — Não podemos continuar assim. A ansiedade e a excitação se misturaram dentro de mim. — O que você quer dizer? — Eu não posso mais mentir para meu marido,— ela confessou, com seus olhos cheios de conflito. — Mas também não posso ficar longe de você. Seu dilema era o meu também. Eu sabia que cada encontro com ela era um risco, mas o desejo era insuportável. — Vamos resolver isso,— prometi, segurando sua mão. — Vamos para o quarto e conversamos. — Não, Rodrigo, vamos beber alguma coisa, pode ser? — Micaela sugeriu, tentando manter a calma. Aceitei a ideia, apesar da tensão crescente entre nós. Chamamos a bartender do bar, uma jovem atraente com cabelos curtos pretos soltos, cobrindo parcialmente seus olhos, ela usava um uniforme com os botões ligeiramente abertos em seu decote médios, parecia estar se esforçando para manter o bar limpo e atender os clientes sozinha. O lugar estava vazio, provavelmente por causa da chuva e dos alertas de furacão. — Um mojito, por favor,— Micaela pediu, enquanto eu optei por duas doses de tequila. Ela insistiu que não queria beber tequila, mas eu insisti. A garçonete, sem manter contato visual, nos serviu rapidamente e voltou a limpar o bar, arrumando as mesas ao redor. Concentrei-me na beleza de Micaela, tentando entender como ela podia dizer que queria terminar e ao mesmo tempo querer me embebedar. Eu estava louco para levá-la para o quarto. Num determinado momento, levantei-me para ir ao banheiro. A tempestade lá fora estava ficando mais forte. Micaela pediu algumas porções para comermos antes de irmos para a suíte. Lavei as mãos e, ao sair, percebi que os raios, trovões e a chuva estavam mais intensos. Decidi que era melhor chamar Micaela para irmos direto para a suíte. Quando me aproximava, vi Micaela e Renan, seu marido, discutindo com vozes alteradas. — Merda, merda,— pensei, desesperado.GISELE NARRANDO:Ele, sempre cavalheiro, abriu a porta para mim, o que atraiu ainda mais olhares. Ele cumprimentou os curiosos com um aceno antes de entrar no carro e começar a dirigir.— Ela parece ser uma mulher muito boa — ele comentou, referindo-se à Dona Sueli.— Ela é, sim. Sempre me ajuda muito. Fica acordada até tarde esperando o filho dela chegar do trabalho, então cuida do Rodriguinho para mim sem problemas — respondi.Rodrigo assentiu, pensativo. Depois de um tempo, ele estendeu a mão. — Me dá seu celular.Eu hesitei por um segundo, mas entreguei o aparelho surrado. Ele digitou rapidamente enquanto dirigia e fez uma ligação para si mesmo, salvando o meu número. — Agora você pode me ligar direto se precisar de qualquer coisa.— Obrigada — respondi, ainda tentando processar tudo. Ele parou o carro um pouco antes do bar, virando-se para me olhar de frente. — Gisele, eu quero recuperar o tempo que perdi. Quero estar presente na vida do Rodriguinho, acompanhar tudo. E, a par
GISELE NARRANDO:— Vou deixar Rodriguinho com Dona Sueli— eu disse enquanto pegava a bolsa dele e a minha jaqueta. — Você quer conhecê-la?— Claro — ele respondeu com aquele sorriso que, eu sabia, tinha o poder de conquistar qualquer pessoa. Suspirei e segurei a porta, já pensando nas perguntas curiosas que Dona Sueli faria.Rodrigo segurou Rodriguinho no colo, e eu dei uma última olhada rápida pela casa. Fechei as janelas, ajeitei algumas coisas e trancamos a porta. Enquanto caminhávamos até o final do corredor, Rodrigo brincava com Rodriguinho, fazendo sons de motor com a boca. O som da risada de meu filho era música para os meus ouvidos.Quando chegamos à porta de Dona Sueli, ela já estava aberta. A senhora terminava de tirar o pó dos móveis e sorriu ao nos ver. — Boa tarde, Dona Sueli — eu disse, batendo de leve na porta para chamar sua atenção.— Boa tarde, Gisele! — Ela olhou para Rodrigo e para Rodriguinho no colo dele, surpresa. — Esse é o pai do Rodriguinho — eu disse— N
GISELE NARRANDO:Enquanto eu me concentrava no banho de Rodriguinho, Rodrigo, sem que eu pedisse, começou a arrumar a mesa do café, juntar as coisas e guardar na geladeira. Fiquei um pouco envergonhada, imaginando que ele estivesse analisando cada detalhe, mas me senti aliviada por ter feito as compras no dia anterior. Não tinha fartura, mas sempre dei prioridade para a alimentação do meu filho.Rodriguinho estava especialmente agitado naquela manhã. Ele sempre foi hiperativo, nunca parava quieto por muito tempo. Enquanto eu o banhava, ele ria, jogava água para todos os lados, e minha camiseta já estava completamente molhada. Quando finalmente o tirei do banho, o deitei na cama e comecei a vesti-lo. Era um dia quente, então escolhi uma bermuda leve e uma camiseta azul, penteei seus cabelos molhados e coloquei um sapatinho confortável, passando um pouquinho de perfume, deixando-o bem arrumado.Rodriguinho engatinhou direto para a sala, indo na direção de Rodrigo, que estava sentado no
GISELE NARRANDO:A presença de Rodrigo no meu pequeno apartamento me deixava completamente desconfortável. Era impossível não notar como ele observava cada detalhe, analisando tudo, como se estivesse tentando encaixar as peças de um quebra-cabeça invisível. O olhar dele parecia querer atravessar minha fachada, mas o que mais me incomodava era a pergunta constante na minha cabeça: o que ele está pensando?Eu não tinha nada a esconder, nada a mentir. Rodrigo não era alguém de quem eu precisasse para sobreviver ou para criar meu filho. Era como um estranho curioso demais no meu espaço, mas fui o mais sincera que consegui.Guardei o lenço novamente na caixinha de recordações. Ele não sabia, mas me sentia uma completa idiota por ainda ter sentimentos por aquele pedaço de tecido que, de alguma forma, ainda representava algo para mim. Suspirei, desviando o olhar. Comecei a contar mais alguns detalhes sobre os primeiros meses de vida de Rodriguinho. Rodrigo fazia perguntas, parecia genuiname
RODRIGO NARRANDO:Ela suspirou antes de responder, como se estivesse revivendo aqueles momentos difíceis.— Foi uma grande surpresa para mim também. Eu estava trabalhando em dois turnos no resort, então nem percebi que minha menstruação estava atrasada. Só descobri dois meses depois, quando comecei a passar mal. Foi um momento de desespero porque eu não sabia nada sobre você. Nunca... nunca me relacionei de forma íntima com ninguém antes ou depois daquela noite de furacão. Não tinha dúvidas de que você era o pai, então pedi a uma colega que trabalhava na recepção do resort para me ajudar a procurar seu nome entre os hóspedes naquele dia. Mas não havia nenhum 'Rodrigo ou alguém com a primeira letra R'. Foi aí que pensei que você tinha mentido sobre seu nome verdadeiro, e pensei que nunca mais fosse te encontrar de novo — explicou ela, enquanto Rodriguinho empurrava a mamadeira para longe, sinalizando que estava satisfeito. Ela o colocou no chão novamente, e ele foi correndo em direção
RODRIGO NARRANDO:Ela abriu. Estava com o cabelo preso em um coque bagunçado, um shorts simples e uma camiseta que caía pelo ombro, descalça. Havia algo nela, uma simplicidade que contrastava com o caos do meu mundo, mesmo assim os traços de seu rosto delicado, eram lindos.Antes que eu pudesse dizer algo, vi Rodriguinho engatinhando em direção aos meus pés, usando fraldas com a pequena camiseta azul clara balançando enquanto ele batia as palminhas. Aquele sorriso e a inocência pura daquela criança, fez meu coração tremer de uma forma que eu não sabia que era possível.— Eu não sabia se já tinham tomado café... — murmurei, oferecendo as sacolas para Gisele. — Comprei algumas coisas.Ela sorriu, pegando as sacolas e levando-as até a pia. Enquanto isso, me abaixei e peguei Rodriguinho no colo. Ele bateu mais palminhas e riu para mim, um som que parecia dissolver todas as minhas dúvidas. Quando eu estava com ele, não havia incerteza de que era meu menino.— Entre, por favor — Gisele dis





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