Mundo de ficçãoIniciar sessãoContratada para cuidar dos sete filhos de um dos mafiosos mais temidos da cidade, ela achou que o maior desafio seria o caos de uma casa grande demais para o silêncio. Ela estava errada. Doce, determinada e longe de ser submissa, a babá entra em um mundo de regras, segredos e perigo — governado por um homem frio, dominante e obcecado pelo controle. Um viúvo poderoso que não confia em ninguém… muito menos nela. Entre ameaças, olhares proibidos e crianças que precisam de amor, nasce uma conexão perigosa. Porque, em um mundo onde amar é fraqueza, ela pode ser o maior pecado do mafioso.
Ler maisGiulia MorettiDepois do hospital, nada voltou a ser simples.O som do tiro ainda mora em mim. Às vezes surge quando fecho os olhos. Outras, quando o silêncio da casa fica pesado demais. Quase sempre, quando escuto os passos firmes de Matteo Mancini atravessando os corredores como se fossem extensão do próprio corpo.Tenho medo dele.Medo real. Consciente. Que aperta o estômago e deixa a respiração curta.E, mesmo assim… não consigo ir embora.Não é só por causa da minha mãe.É por causa deles.Das crianças.É nelas que eu me agarro para continuar respirando.Naquela manhã, estamos no jardim com os menores. O sol atravessa as copas altas das árvores e desenha sombras irregulares no gramado impecável. Leonardo corre atrás de Tommaso, rindo alto. Francesca tenta ensinar Sophia a jogar uma bola pequena, enquanto a caçula segura o ursinho contra o peito com uma concentração séria demais para alguém de três anos.— Giulia! — Tommaso grita. — Olha!Ele se joga no chão de propósito, exageran
Giulia MorettiEu nunca tinha entrado em um carro daqueles.Os vidros eram escuros demais. Grossos demais. Não feitos para conforto, mas para resistir a balas. O silêncio dentro dele era pesado, quebrado apenas por códigos murmurados no rádio. Dois homens na frente. Dois atrás. Todos armados. Nenhum sorriso. Nenhuma tentativa de conversa.E, no centro de tudo isso… eu.Uma babá.Ou pelo menos era o que eu pensava ser antes de cruzar o caminho de Matteo Mancini.Seguro a bolsa com força no colo enquanto o carro desliza pelas ruas de Nápoles. A cidade que sempre conheci agora parece hostil, cheia de ângulos perigosos. Cada esquina parece esconder algo. Cada moto que passa rápido demais faz meu coração disparar.— Está tudo bem? — pergunta o motorista pelo retrovisor.Assinto, mesmo sabendo que não está.Nada está.O hospital surge à frente, grande, branco demais para o tipo de homem que decidiu que eu precisava de escolta armada. Os seguranças descem primeiro, analisam o entorno, falam
Matteo ManciniO beijo não deveria ter acontecido.Não porque foi errado — eu não penso nesses termos. Errado é perder território. Errado é baixar a guarda. Errado é permitir que alguém enxergue a fissura antes do golpe.E eu permiti.Desde aquele corredor, minha mente não encontra silêncio. O gosto de Giulia insiste como uma afronta. Não foi desejo simples. Foi impulso. Perda de cálculo.Eu não ajo sem cálculo.Quebro copos.Quebro homens.Quebro alianças.Mas não quebro regras.E Giulia Moretti atravessou uma que eu mesmo desenhei… porque deixei.Estou no escritório quando o telefone vibra.— Don, temos confirmação — diz Salvatore. — Não são boatos.Fecho os olhos.— Fale.— Os russos. Três pontos da costa. Armas entrando por rotas novas.Aperto o copo de uísque.— Figli di puttana.A máfia russa não se move sem paciência. Se estão avançando, acreditam que estou vulnerável. Talvez estejam certos.— Eles querem Nápoles — digo. — Não negociação. Invasão.— Sim, Don. E há mais.O silên
Giulia MorettiA casa de Matteo Mancini não dorme.Ela vigia.Aprendi isso rápido demais. Os corredores são longos e silenciosos, frios como se as paredes tivessem ouvidos. Mesmo quando estou sozinha, sinto presença. Passos contidos. Portas que se fecham sem ruído. Homens de terno em pontos estratégicos demais para serem apenas funcionários e seguranças. Famílias normais não precisam deles.Foi ali que a ficha começou a cair. As vozes baixas, o respeito excessivo. O modo como diziam o nome dele, sempre precedido por um título que não se explica.— Sì, Don Mancini.— Come preferir, Don.Não era admiração. Era submissão.E isso me deu medo.Desde a humilhação silenciosa na sala, meu corpo vive em alerta. Obedeço tudo: horários, distância, postura. Não pego Sophia no colo a menos que seja necessário. Não sorrio demais. Não falo além do essencial. Tento desaparecer.Mas o medo não vai embora.Ele se instala.À noite, no quarto simples dos funcionários, penso na mamma. No hospital. Nos ex
Matteo Mancini Observar sempre foi uma das minhas armas mais eficazes. Homens acreditam que o perigo mora na ameaça explícita, no punho fechado, na arma visível. Estão errados. O verdadeiro poder está em ver sem ser visto. Em compreender antes de atacar. Em antecipar. E Giulia Moretti ainda não entende o quanto está sob o meu olhar. Estou no andar superior, encoberto pela sombra do corredor, enquanto observo a sala abaixo. Não faço ruído. Nunca fiz. Esta casa reconhece minha presença antes mesmo de eu surgir. Ela está ali. Sentada no tapete, cercada pelas crianças como se fosse o eixo silencioso em torno do qual tudo gira. Francesca desenha concentrada. Tommaso constrói algo caótico demais para se sustentar. Leonardo observa, atento, absorvendo mais do que demonstra. Isabella finge indiferença, mas escuta cada palavra. Dante permanece à margem, inquieto demais para admitir interesse. E Sophia. Sophia está no colo de Giulia. Minha filha mais nova, pequena demais para compreen
Matteo ManciniO silêncio da minha casa sempre foi uma extensão do meu domínio.Ele não questiona. Não hesita. Apenas existe, firme e obediente.Por isso eu sinto quando algo sai do lugar.Não é um som — é um deslocamento interno. Um erro no ritmo. Um desconforto antigo que aprendi a respeitar porque, no meu mundo, ignorar sinais custa vidas.Estou no corredor quando Enzo se aproxima. O passo dele é contido demais.— Don… — começa.— Fala — ordeno, sem parar.— É sobre a bambina… Sophia.Meu corpo reage antes da mente. O maxilar trava.— O que houve?Ele hesita. Erro grave.— Ela chamou a nova babá de… mama.Paro, travou naquele momento. Não por choque.Por controle absoluto.O ar fica denso. O mundo se estreita. Há coisas que simplesmente não são permitidas dentro do meu território.— Cosa? — minha voz sai baixa, perigosa.— Na frente dos outros — completa Enzo. — Ela estava no colo dela.Territorialidade. É isso que me invade. Não raiva cega — precisão. Um instinto antigo que não a





Último capítulo