Mundo ficciónIniciar sesiónContratada para cuidar dos sete filhos de um dos mafiosos mais temidos da cidade, ela achou que o maior desafio seria o caos de uma casa grande demais para o silêncio. Ela estava errada. Doce, determinada e longe de ser submissa, a babá entra em um mundo de regras, segredos e perigo — governado por um homem frio, dominante e obcecado pelo controle. Um viúvo poderoso que não confia em ninguém… muito menos nela. Entre ameaças, olhares proibidos e crianças que precisam de amor, nasce uma conexão perigosa. Porque, em um mundo onde amar é fraqueza, ela pode ser o maior pecado do mafioso.
Leer más— Matteo ManciniO nome muda tudo.Não é superstição. É matemática pura.Quando digo Senhora Mancini, a casa recalcula rotas, pesos e riscos. Os homens não perguntam — observam. Os aliados não sorriem — medem. Os inimigos… anotam.Estou no salão principal quando a notícia termina de circular. Não precisei anunciar. Bastou entrar no quarto dela naquela manhã e dizer em voz baixa, firme, sem margem para interpretação. O resto é instinto de sobrevivência.Vejo quem baixa os olhos. Vejo quem demora um segundo a mais para obedecer. Um segundo é tempo demais.— Traga o relatório — digo.O papel chega às minhas mãos. Movimentos discretos. Comentários velados. Um aliado antigo sugerindo prudência. Não haverá.— Avise que o jantar de hoje foi cancelado — ordeno. — E que o assunto morreu.— Don… — começa alguém.Ergo a mão. Silêncio imediato.Não explico decisões que já custaram sangue para serem aprendidas.Caminho pelos corredores e sinto o peso da regra quebrada roçar minha nuca como uma lâ
Giulia MorettiAs palavras dele não desaparecem quando a porta se fecha.Elas ficam.Presas no ar. No peito. Na pele.A verdadeira senhora Mancini.Repito em silêncio, como se o som interno pudesse me ajudar a entender o peso daquilo. Não é um título bonito. Não é um sonho romântico. É uma sentença — e, ao mesmo tempo, uma escolha.Minha.Sento na beira da cama depois que Matteo sai. O quarto ainda carrega a presença dele, como se o espaço tivesse sido moldado ao redor de quem ele é. Tudo ali parece mais definitivo agora. Até o silêncio.Eu deveria estar tremendo.Mas não estou.O que sinto é mais perigoso: clareza.A ficha cai de uma vez só, sem delicadeza. Não há mais espaço para fingir que estou apenas “envolvida” ou “confusa”. Não é uma paixão passageira, nem um erro isolado.Eu amo um mafioso.Um homem que comanda vidas com a mesma facilidade com que controla uma cidade inteira. Um homem que protege com violência e ama com intensidade brutal. Um homem que não sabe existir pela me
— Matteo ManciniEu passo o dia inteiro evitando Giulia.Não porque eu queira distância — mas porque proximidade demais, agora, é fraqueza. E fraqueza custa caro no meu mundo.A mansão funciona como sempre: homens entrando e saindo, rádios sussurrando códigos, armas checadas com precisão mecânica. Nada fora do lugar. Nada visivelmente errado.Mas eu estou fora do eixo.Observo Giulia pelas câmeras mais vezes do que admitiria até sob tortura. Vejo-a na sala com as crianças. Na cozinha. No corredor que leva aos quartos. Sempre atenta. Sempre contida. Sempre tentando parecer mais forte do que realmente está.Ela não sabe que está sendo observada.E isso… isso me corrói.Não é posse pura. Não é só controle. É algo mais perigoso: preocupação genuína. Antecipação. Um instinto antigo que eu passei a vida inteira sufocando.— Don — Enzo chama, entrando na sala de comando. — Recebemos confirmação.Não tiro os olhos da tela onde Giulia aparece sentada no tapete, Sophia encostada nela.— Fale.—
— Giulia MorettiA primeira coisa que percebo ao acordar é o silêncio.Não o silêncio comum da mansão — aquele carregado de passos distantes, rádios murmurando, portas se abrindo e fechando com cuidado.É um silêncio vazio.Abro os olhos devagar.O lado da cama onde Matteo dormiu está frio. Arrumado. Nenhuma marca de corpo, nenhum amassado recente no lençol. Como se ele nunca tivesse estado ali.Meu peito aperta antes mesmo que minha mente acompanhe.Claro que ele foi embora.Matteo Mancini não acorda devagar. Não fica. Não se permite esses luxos. Eu sabia disso ontem à noite. Eu soube o tempo todo.Mesmo assim… dói.Sento na cama, puxando o lençol para mais perto do corpo como se isso pudesse me proteger de alguma coisa invisível. O quarto parece grande demais agora. Alto demais. Distante demais.Foi real?Ou eu criei tudo porque precisava que fosse?Fecho os olhos por um instante e o corpo responde antes da razão. A memória da presença dele vem inteira — o peso controlado, a forma
— Matteo ManciniO amanhecer nunca foi gentil comigo.A luz entrando pelas frestas da cortina sempre significou retomada de controle, ordens dadas em voz baixa, decisões que não admitem hesitação. Sempre foi o momento em que o mundo volta a exigir que eu seja quem sou.Hoje, ela encontra Giulia ao meu lado.Não enroscada em mim. Não entregue de forma ingênua. Dorme como alguém que ainda não confia totalmente no chão sob os pés, mesmo exausta. Há uma distância mínima entre nossos corpos — medida, inconsciente — e ainda assim, tudo nela pesa mais do que qualquer responsabilidade que já carreguei.O lençol cobre seu corpo até a cintura. Um ombro nu escapa, vulnerável demais para alguém que decidiu dormir no quarto de um homem como eu.Eu não me mexo.Homens como eu não observam mulheres dormindo com ternura. Observam com cálculo. Com posse. Com antecipação de riscos.Mas isso…isso não segue regra nenhuma.O peito dela sobe e desce em um ritmo tranquilo. Nenhum sobressalto. Nenhum sinal
Matteo ManciniO quarto está em silêncio.Não o silêncio vazio da mansão durante o dia, mas aquele silêncio pesado da madrugada — quando até os homens armados parecem prender a respiração. As paredes são grossas. As cortinas, fechadas. Nenhuma fresta de luz. Nenhuma concessão ao mundo.Este é o meu quarto.Meu território.O lugar onde ninguém entra sem permissão.E Giulia está aqui.Ela está parada perto da cama, como se ainda estivesse decidindo se aquele espaço realmente lhe pertence. Usa uma camisa simples, nada que combine com o peso do que está prestes a acontecer. O cabelo solto cai pelos ombros, denunciando nervosismo apesar da postura firme.Ela finge calma.Mas eu conheço o corpo humano demais para ser enganado.— Ainda dá tempo — digo, baixo, sem me mover. — Você pode voltar para o seu quarto.Ela não responde de imediato. Inspira fundo. Depois, levanta o olhar para mim.— Se eu sair agora… — começa, a voz controlada demais — …vou continuar fugindo de algo que já me alcanço





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