Mundo de ficçãoIniciar sessão"— Eu, Damon, futuro Alpha, rejeito você, Aria, como minha companheira... — As palavras dele ecoaram pelo salão, enquanto ele puxava a minha irmã pela cintura e sorria. Eu deveria ter morrido naquela noite na floresta. Mas o Diabo tem olhos prateados, e ele tinha outros planos para mim." Aria passou a vida inteira sendo tratada como a escória da Alcatéia Lua Crescente. Sem uma loba desperta, sua única esperança era o dia do seu aniversário de 18 anos. Mas o destino tem um senso de humor cruel. Rejeitada e humilhada publicamente pelo próprio companheiro em favor de sua irmã, ela foge para as terras sombrias para morrer. Em vez da morte, ela esbarra na criatura mais perigosa do continente: Kael, o impiedoso Alpha Supremo. Cruel e temido por todos, Kael precisa de um escudo contra um casamento arranjado. Aria precisa sobreviver. Ele não a mata, ele lhe oferece um pedaço de papel. Um contrato de um ano. As regras são simples: Ela finge ser a companheira dele para afastar o Conselho. Ele a protege e dá a ela o poder para destruir aqueles que a humilharam. É proibido se apaixonar. Mas a convivência forçada começa a mudar as coisas entre eles. O que Kael não sabe é que a loba de Aria não está morta, apenas adormecida. E quando o poder antigo dentro dela começar a despertar, o cheiro de Aria enlouquecerá o lobo mais perigoso do mundo. Enquanto seu ex-companheiro percebe o erro que cometeu e tenta reivindicá-la de volta a força, Kael descobre que um contrato de papel não será suficiente para segurar seu instinto de posse , e que proteger sua "companheira de mentira" pode custar uma guerra contra todas as alcatéias.
Ler maisO tecido barato do meu vestido pinicava a minha pele, mas esse era o menor dos meus problemas. Minhas mãos suavam tanto que eu tive que seca-las pela quinta vez em menos de dois minutos. Encarei meu reflexo no espelho manchado do banheiro que me deram no porão da Casa da Alcatéia.
Dezoito anos. Hoje era o dia.
Aproximei o rosto no espelho, procurando qualquer sinal. Um brilho dourado nos olhos, um rosnado preso na garganta, um calor repentino no peito. Nada. Meus olhos castanhos continuavam opacos, comuns. Humanos. Engoli em seco, sentindo um nó na garganta. Minha loba não tinha despertado. De novo.
Eu era a chacota da Alcatéia Lua Crescente desde os meus dezesseis anos, quando a primeira transformação deveria ter acontecido. Dois anos de atraso. Dois anos sendo empurrada contra os armários, tendo minha comida roubada, ouvindo os sussurros cruéis de que eu era um fardo. Uma aberração que só desperdiçava os recursos do Alpha.
A defeituosa. Era assim que eles me chamavam.
Fechei os olhos com força, respirei fundo. Respirei o ar mofado do porão. Eu não podia desmoronar agora, não hoje. A Cerimônia de Maioridade não era apenas sobre a primeira transformação. Era o momento em que os lobos que completavam dezoito anos finalmente podiam reconhecer seus companheiros.
A Deusa da Lua não comete erros. Esse era o meu único mantra. A Ela não me deixaria sofrer para sempre. O vínculo de companheiros é sagrado, inquebrável por natureza. Meu companheiro me amaria pelo que eu sou. Ele não se importaria com a minha loba adormecida. Ele me protegeria das garras dessa alcatéia que me odiava. Ele seria minha passagem só de ida para longe desse inferno.
Com as pernas tremendo, abri a porta do banheiro e caminhei em direção as escadas. A música alta fazia o chão vibrar sob os meus saltos gastos. O cheiro de carne assada, cerveja, perfume forte e dezenas de lobos eufóricos subiam pelos degraus.
Assim que pisei no grande salão, todos pararam ao meu redor.
Grupos que riam alto pararam para me encarar. Não precisei de audição sobrenatural para ouvir as risadas contidas e os comentários venenosos ao fundo da música que tocava.
- A humana teve a coragem de aparecer.
- Olha o estado dela. Parece que roubou as roupas de um mendigo.
- Será que ela acha mesmo que alguém vai querer uma loba morta?
Encolhi os ombros, abaixando a cabeça enquanto tentava desaparecer atrás da mesa de bebidas. Meu coração batia tão rápido que doía nas costelas. No centro da pista de dança, brilhando com os lustres de cristal, estava Chloe. Minha irmã adotiva.
O cabelo loiro ondulado, o vestido vermelho que grudava em suas curvas e que custava mais do que eu ganharia em dez anos limpando o chão daquela casa. Ela ria, jogando a cabeça para trás, o centro das atenções.
A loba perfeita. O orgulho da família que me adotou apenas por caridade.
Desviei o olhar, servindo um copo de água com as mãos instáveis. Só preciso aguentar até a meia-noite, pensei. Só até o ápice da lua.
E então, aconteceu.
Foi um cheiro.
Um aroma tão denso, tão perigosamente embriagador, que o copo de plástico escorregou dos meus dedos, batendo no chão e espirrando água nos meus sapatos. Cheirava a chuva em uma floresta de pinheiros, Café torrado, couro velho e terra molhada.
Meu estômago deu um solavanco. Meus pulmões aspiraram com força, puxando o ar com desespero, querendo me afogar naquele cheiro. Minha visão embaçou.
A luz do rádio piscou uma última vez antes de apagar completamente. O silêncio que se seguiu dentro da cabana foi pesado. Do lado de fora, a quietude da floresta foi coberta pelo som de passos. Dezenas deles. Mercenários fechando o cerco na escuridão.Kael não hesitou, mesmo com o rosto pálido e os músculos tremendo de exaustão após o choque que sugou o veneno das suas veias. Ele chutou um tapete velho e empoeirado no canto da sala, revelando uma porta de ferro escondida no piso: um alçapão.O primeiro tiro estourou a janela.Balas de prata começaram a furar as paredes. Estilhaços voaram em todas as direções. Kael me agarrou pela cintura e me empurrou para o buraco escuro do alçapão. Caí de pé nos degraus. O Alpha Supremo desceu também, puxando a escotilha de ferro acima de nós e girando a tranca justo quando os caçadores arrombaram a porta principal da cabana lá em cima.- Continue correndo, Aria - a voz de Kael soou rouca.Disparamos pelo corredor estreito. Mas, no terceiro lance de
A boca de Kael desceu para o meu pescoço. O calor do corpo dele era uma fornalha contra a minha pele, mas a respiração ofegante que batia no meu rosto não era apenas de desejo. Era de dor.Meus olhos estavam fixos no braço esquerdo dele. As veias negras e grossas pulsavam de forma bizarra, subindo pelo antebraço, cruzando a dobra do cotovelo e avançando agressivamente pelo bíceps rígido. A necrose estava se movendo. Rápido demais, como vermes debaixo da pele, subindo em direção ao tronco.Meus pensamentos, antes inundado e entorpecido pelo Cio da Ligação, se clareou um pouco. Se nós consumássemos aquela ligação ali, o ritmo cardíaco de Kael bateria no teto. O coração de um lobo Supremo acelera muito durante a cópula, e isso bombearia aquele veneno desconhecido diretamente para o peito em questão de minutos. Ele morreria antes mesmo de terminar de me marcar.Eu me recusei a ser a assassina do único homem que se colocou na frente da morte por mim.Kael tentou prender o meu quadril, rosn
O sorriso perverso do mercenário através do vidro rachado durou apenas um segundo.O ar dentro da cabine estava saturado com o calor do meu cio, uma tensão carnal que fazia meus ossos derreterem. Mas quando a ameaça quebrou a nossa bolha, a luxúria nos olhos de Kael desapareceu, substituída por fúria uma demoníaca. Ser interrompido no pico do Cio da Ligação não deixava um Alpha Supremo irritado. Deixava-o completamente irracional.Kael virou o rosto para mim.- Não saia daqui - ele rosnou, a voz distorcida, não mais humana.Kael puxou a perna para trás e chutou a porta blindada da SUV de dentro para fora. A força do golpe fez as dobradiças estouraram. A porta inteira foi arrancada da lataria, voando pelo ar até despencar no asfalto.Lá fora, o mercenário saltou do teto. Ele girou duas foices afiadas nas mãos, rindo alto.- O Mestre Damon manda lembranç...Ele nunca terminou a frase.Kael não se transformou em lobo. Ele sequer deu tempo para que o mercenário firmasse os pés no chão. Us
O ar ali dentro estava pesado, quase impossível de respirar. O calor que emanava da nova tatuagem na minha garganta não agia mais como um ferimento ardido, ele havia se transformado em um veneno doce, incendiando cada terminação nervosa do meu corpo.O cheiro de Kael, deixou de ser apenas um perfume no ar para se tornar uma presença. Ele encurralava meus sentidos, impregnando o banco e prendendo a minha mente em uma caixinha estreita onde só existia uma única necessidade primitiva.O sobretudo que eu usava ficou pesada. A gola alta apertava minha pele febril como uma corda. Eu precisava de ar. Eu precisava de toque.Pela primeira vez em dezessete anos de vida, o trauma que sempre me fez encolher os ombros e recuar diante da aproximação de um macho simplesmente evaporou. Minha loba não estava rosnando em alerta de perigo, ela estava uivando em exigência.Avancei.Minhas mãos agarraram o tecido da camisa de Kael. Com um puxão, forcei os ombros do Alpha Supremo para baixo, trazendo o pei
Último capítulo