Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuando a noiva desaparece horas antes de um casamento que deveria impedir uma guerra entre alcateias, o destino escolhe a pessoa errada para ocupar seu lugar. Nyla sempre soube qual era o seu papel no mundo: ser ignorada, humilhada e descartável. Bastarda, sem nome e sem valor, ela sobrevive à sombra da irmã legítima… até que tudo desmorona. Com a fuga de Sybella, a paz entre duas poderosas alcateias está por um fio — e a culpa recai imediatamente sobre Nyla. A punição é simples e cruel: assumir a identidade da irmã e se casar no lugar dela… ou assistir à morte da própria mãe. Sem escolha, sem saída e sem tempo para escapar, Nyla é jogada em um jogo mortal onde cada olhar pode denunciá-la, cada erro pode custar sua vida e cada palavra precisa ser calculada. Agora, presa em um casamento construído sobre mentiras, ela precisa convencer um alfa desconhecido — perigoso, observador e impossível de enganar — de que é alguém que nunca foi. Mas manter essa farsa pode ser mais difícil do que sobreviver aos castigos que sempre conheceu. Porque há algo errado naquele homem. Algo que a faz tremer, que a observa demais, que parece enxergar além do que deveria. E, enquanto a tensão cresce, Nyla percebe que não está apenas fingindo para sobreviver… está caminhando diretamente para o centro de algo muito maior, mais sombrio e muito mais perigoso do que uma simples mentira. Entre ameaças, segredos e desejos que não deveriam existir, uma coisa é certa: se a verdade vier à tona, não haverá guerra capaz de ser evitada… e Nyla não sairá viva para ver o fim.
Ler maisNyla
O tapa arde em meu rosto.
“Você está querendo me dizer o que fazer, bastarda imunda?” Sybella grita. Seus olhos fulminam para mim e sua mão avança na minha direção para o segundo tapa.
Sybella sempre sente a necessidade de me desfigurar em qualquer oportunidade que surge. Talvez para que as pessoas parem de comentar que somos tão parecidas, embora só tenhamos metade do mesmo sangue.
Sendo que ela tem a melhor parte disso. Ela é legítima. A filha oficial do alfa, a escolhida e protegida.
Eu sou a bastarda, isso é pior do que ser uma escrava por aqui.
Não tenho tempo de desviar, o tapa atinge o outro lado do meu rosto e minha visão fica embaçada. Caio no chão de joelhos. Sybella me pega pelos meus cabelos, puxando-os para trás com força.
Lágrimas ameaçam cair, ardendo em meu rosto, mas sei que não posso chorar, isso só faria ela me maltratar mais ainda.
“Ei, me responde! Você acha que pode mandar em mim?” Ela indaga exaltada, puxando com mais força o meu cabelo.
“Não, senhorita Sybella. Apenas quero dizer que o casamento é dentro de cinco horas. Não acho que será possível mudar o cardápio todo em tão pouco tempo.”
“Você não está aqui para achar nada! Você está aqui para me obedecer”
Ela me empurra ainda mais para o chão antes de soltar o meu cabelo.
“Agora suma da minha frente! Vá fazer o que eu mandei você fazer!” Sybella me chuta na barriga. Me curvo com dor, gemendo de forma involuntária. Isso só a deixa mais satisfeita e feliz.
Me coloco de pé com dificuldade e saio do quarto dela. Ando com passos ligeiros pelos corredores até o andar de baixo, tento me manter invisível, o que não é muito difícil. Estão todos atarefados e agitados para o casamento da Sybella com o herdeiro da alcateia Montanha Solitária.
É o casamento mais importante que essa alcateia já teve em muitos anos.
A união da Sybella com o herdeiro Ronan é para que possa ser evitada uma guerra que pode destruir muitas vidas.
O Trato das Alcateias só vai ser assinado depois de um ano do casamento já ter ocorrido. Para garantir que nenhuma das alcateias faça um ataque a outra nesse meio tempo.
Sybella tem tentado de tudo para se esquivar de se casar e sua frustração por não conseguir é descontada em mim, sua meia-irmã bastarda.
Passo as horas tentando fazer o que ela me pediu, entretanto, é impossível.
“Ouça aqui, fedelha imunda, saia do nosso caminho!” Uma cozinheira diz com ódio, ela j**a uma colher de pau em minha direção. “É impossível mudar o cardápio e pronto!”
“Eu sei disso, mas a noiva, ela quer...” tento explicar, entretanto sou interrompida com um empurrão de um dos funcionários.
“Saia da frente!”
Me encolho para ocupar o menor espaço possível na cozinha.
“Não importa agora o que ela quer!” A cozinheira rebate, brava. “O cardápio foi aprovado e já está sendo finalizado. Se vira para lidar com ela, mas não venha encher nosso saco, bastarda!”
Sou expulsa da cozinha com desprezo, gritos e ameaça de agressões.
Quando volto para o quarto da Sybella, pronta para a nova onda de maus-tratos dela, sou surpreendida com um quarto vazio.
Há uma bagunça pelo ambiente e o mais importante: a ausência da Sybella.
Em cima da cama dela, há um bilhete. É curto, direto e totalmente cruel.
“Decidi que não quero me casar. Adeus.”
A assinatura da Sybella logo abaixo demonstra que foi realmente ela que escreveu tamanha sentença contra todos nós.
Seguro o bilhete nas mãos, quase catatônica. Sem a Sybella para casar, a guerra entre nossa alcateia, Ventos do Norte, e a alcateia Montanha Solitária, é praticamente certa.
“Preciso encontrar a Sybella...” murmuro comigo mesma o comando.
“Não, nós precisamos fugir!” minha loba, Willa, dispara em minha mente desesperada. “Ela fugiu e não temos condições de encontrá-la. Eles vão pensar que a gente a ajudou e você sabe o que vão fazer conosco? Arrancar nossa pele!”
Minha loba tem razão. No momento em que perceberem que Sybella foi embora, a culpa recairá sobre mim. A guerra é um fato distante, a minha morte está muito mais próxima se eu não encontrar Sybella.
“Melhor avisarmos! Se eu falar que ela fugiu, isso pode nos poupar de um castigo ainda pior do que eles pensarem que eu a ajudei.”
“É, chicotes em vez de uma espada, é nossa melhor alternativa.” Willa responde temerosa em minha mente.
Saio em disparada em direção aos aposentos do alfa, entretanto, antes que eu chegasse em meu objetivo, sou interceptada pelo beta e alguns soldados.
“Nosso alfa, Hallstein, quer vê-la imediatamente, bastarda.” O beta declara com frieza e desprezo.
O alfa Hallstein está de pé em seu escritório, sua posição imponente preenche o cômodo de uma forma que arrepia os meus ossos e me faz sentir minúscula.
“Alfa, a senhorita Sybella, ela...” começo a falar, o nervosismo atropelando meu raciocínio, embaralhando minhas palavras e roubando de mim qualquer tentativa de parecer firme.
“Ela fugiu, estou ciente disso, Nyla.” Hallstein responde com uma calma que me surpreende. Não é uma calma que conforta, mas uma que assusta, porque parece anunciar algo pior do que um grito.
Ele anda pelo escritório e para em frente à janela. Com um movimento curto e rápido, ele dispensa os soldados, ficando apenas nós dois.
“Você devia sempre ficar ao lado da minha filha, era essa a sua função!” Ele braveja, seu tom é controlado, frio.
Sua mão atinge o meu rosto com um baque forte e rápido. Cambaleio para trás, zonza com a força com que ele me atingiu.
“Você sabe o que vai acontecer se esse casamento não for para frente, Nyla?” Hallstein indaga, encarando-me com desprezo.
Temos a mesma cor dos olhos, acinzentados. É o único traço que me liga diretamente a ele. Que o envergonha saber que teve uma filha com uma qualquer de rank baixo.
“Uma guerra, senhor...”
“Exatamente! Pelo jeito, você não é tão burra quanto eu imaginava que seria.” Ele responde com desprezo e frieza. “Nossa alcateia não suportará uma guerra sangrenta contra a alcateia Montanha Solitária.”
Hallstein anda na minha direção.
Ele pega meu queixo com força e gira meu rosto de um lado para o outro. Sinto que ele está me avaliando.
“Por causa da sua incompetência, Nyla, de manter minha filha segura para cumprir o papel dela, você terá que fazer isso.” Hallstein declara com desdém e frieza.
Congelo no lugar, catatônica, por um instante.
“O quê?” digo, chocada.
Hallstein me olha com arrogância e repulsa.
“Você vai se casar com o herdeiro da alcateia Montanha Solitária.”
Nego com a cabeça rapidamente, meu coração saltando do meu peito com tamanha incredulidade.
“Não, não. Isso é impossível!” respondo, agitada, beirando a histeria. “É loucura!”
“É a única opção que temos e você vai obedecer, Nyla!”
“Não!” respondo nervosa. “Eu não sou a Sybella. Ronan vai perceber isso, todos eles vão, e isso vai ser ainda pior! Eles podem me matar se descobrirem! Eu não vou fazer isso, você não pode me obrigar!”
Hallstein solta um suspiro longo e impaciente. Em um movimento rápido, ele agarra o meu cabelo com força e puxa para trás.
“Você vai fazer isso ou então a sua mãe, Kayla, morre.” Ele ameaça com o tom sombrio.
QUATRO ANOS DEPOISQuatro anos.Às vezes, ainda parece estranho pensar em quanto a minha vida muda em tão pouco tempo.Se alguém me dissesse, quando eu ainda vivia escondida atrás do nome de Sybella, que um dia eu estaria aqui, sentada na varanda da minha própria casa, ouvindo meus filhos discutirem sobre quem encontrou primeiro uma concha na areia, eu provavelmente teria rido.Talvez nem sequer acreditasse.Minha vida nunca foi minha de verdade durante muito tempo.Eu cresci acreditando que preciso sobreviver a cada dia. Aprendi a abaixar a cabeça, a aceitar ordens, a esconder quem sou e, principalmente, a não esperar nada de bom do futuro.Agora, olhando para tudo o que construímos, percebo que a vida consegue ser surpreendente de maneiras que nem mesmo a minha imaginação seria capaz de alcançar."Robin! Você pegou a minha!"A voz de Liliane atravessa a varanda e me faz fechar os olhos por um segundo.Respiro fundo. Lá está. A paz que tanto desejo. Ou quase."Eu não peguei!" Robin g
Nyla A festa começa com música, risadas e o cheiro delicioso de comida espalhado pela brisa do mar.As mesas estão distribuídas perto da areia, decoradas com flores claras, conchinhas, velas protegidas por pequenos vidros e tecidos leves que se movem com o vento. Lanternas penduradas entre as árvores iluminam tudo com um brilho dourado e suave, como se a própria ilha tivesse decidido celebrar conosco.Olho ao redor e sinto meu peito se encher.Lobos, feiticeiros, crianças, antigos mercenários, pessoas da ilha e da antiga Montanha Solitária estão todos juntos. Alguns dançam perto do píer. Outros comem, conversam, riem, brindam. Não existe medo no ar. Não existe tensão. Existe apenas uma felicidade barulhenta, viva, quase inacreditável.Por muito tempo, achei que nunca faria parte de algo assim.Agora estou no centro disso.Com um vestido de noiva, uma aliança no dedo e Ronan segurando minha mão como se não quisesse me soltar nunca mais.“Você está quieta.” Ronan comenta perto do meu o
NylaUma batida na porta nos tira daquele momento íntimo e faz meu coração acelerar de imediato. Sinto minhas mãos quase suarem enquanto a realidade me alcança de uma vez só. Está na hora.“Já estamos prontos, luna Nyla.” Kylan informa da porta.Ele abre um pouco mais e pisca, surpreso ao me ver. Por um instante, fica sem reação. Então um sorriso largo se abre em seu rosto.“Está lindíssima, luna Nyla.” Ele elogia.Sinto o rosto aquecer.“Obrigada, Kylan.”Mamãe se coloca ao meu lado e estende o braço para que possamos sair do quarto já na posição correta.Eu olho para o gesto dela e depois para seu rosto, e a emoção volta com força, preenchendo meu peito de um jeito que quase me faz perder o fôlego.É ela quem vai me conduzir até Ronan. Não um pai que me usa, nem uma família que me rejeita, mas minha mãe, a mulher que me ama antes de qualquer título, antes de qualquer poder, antes de qualquer destino.Seguro seu braço com cuidado, sentindo naquele simples toque tudo o que ela represe
Nyla“O que será que esse casamento vai trazer para nós?” Kaede questiona, ansiosa e animada.“Só espero que não seja mais nenhuma nova entidade. Aqui já está ficando muito cheio.” Willa comenta, humorada.Solto uma risada baixa, tentando não mexer demais o rosto enquanto Gabe passa mais um toque de cor em meus lábios.“Vai trazer fortalecimento, confiança, amor e quem sabe alguns filhotinhos?” sugiro, esperançosa.O silêncio que vem dentro de mim é imediato.Depois sinto as duas se emocionarem.Kaede tenta esconder primeiro, mas não consegue. Willa se aquece como se tivesse recebido uma promessa antiga. E eu também me emociono. A ideia de ter filhos com Ronan ainda parece grande demais, delicada demais. Mas já não me assusta como antes. Imaginar uma criança com o sorriso dele, talvez com meus olhos, talvez com magia correndo no sangue, talvez com um lobo interior cheio de personalidade, faz meu peito se encher de uma esperança tão doce que quase dói.“Acredito que está tudo pronto.”
Último capítulo