Mundo ficciónIniciar sesiónClara Martins sempre acreditou que monstros existiam apenas em histórias. Como jornalista investigativa, sua vida sempre girou em torno de fatos, provas e verdades escondidas pela elite de Ravenhold. Mas ao investigar desaparecimentos ligados ao luxuoso Baile de Inverno da Fundação Belmont, Clara acaba atraindo a atenção de homens perigosos demais para serem apenas humanos.Entre eles está Ethan Vance. Reservado, intimidante e dono de olhos dourados impossíveis, Ethan desperta nela uma sensação inexplicável, como se alguma parte de sua alma já o conhecesse. O que Clara não sabe é que Ethan pertence aos Lycans, uma raça ancestral criada pela deusa Ártemis. E no instante em que seus caminhos se cruzam, algo impossível acontece: o reconhecimento de um laço de companheiros entre um Lycan e uma humana.Enquanto Ethan luta para protegê-la de um mundo sobrenatural que deveria permanecer oculto, Clara se torna o centro de uma ameaça capaz de destruir a frágil trégua entre Lycans, vampiros e bruxas. Nas sombras, Julian McCord, um vampiro aristocrático e perigosamente obsessivo, passa a enxergar Clara como algo que deseja possuir. Ao mesmo tempo, antigas profecias começam a despertar, e a própria Ártemis parece observar Clara das sombras da lua. Agora, cercada por segredos, guerras ancestrais e criaturas que não deveriam existir, Clara precisará descobrir quem realmente é… antes que o mundo sobrenatural a destrua primeiro.
Leer másPOV: Clara Martins
“A verdade não se esconde nas sombras. Ela se esconde em quem controla a luz.”
A chuva caía fina sobre Ravenhold, desenhando reflexos dourados e tremidos no asfalto molhado. Lá do vigésimo andar da sede do jornal Ravenhold Herald, a cidade parecia bonita demais para esconder tanta coisa podre. Eu segurava uma caneca de café frio entre os dedos enquanto observava os carros cruzando lentamente as avenidas abaixo. O relógio na parede marcava quase duas da manhã, e eu ainda estava presa naquele maldito escritório.
Três pessoas desapareceram em menos de dois meses. Sem ligação aparente, sem suspeitos e sem corpos. A polícia chamava de coincidência, mas eu chamava de mentira. Suspirei profundamente, afastando algumas mechas rebeldes do cabelo do rosto antes de voltar a encarar o mural improvisado de cortiça preso na parede principal. Fotos, recortes de jornal, nomes escritos e linhas vermelhas de barbante ligavam os rostos daqueles perfeitos desconhecidos. Tudo levava exatamente para o mesmo lugar: o Baile de Inverno da Fundação Belmont.
Luxuoso, exclusivo e intocável. A elite de Ravenhold adorava fingir que aquele evento anual era apenas uma noite beneficente cheia de vestidos caros e discursos hipócritas sobre solidariedade. Eu não acreditava nisso nem por um único segundo. Dinheiro demais sempre escondia sujeira demais. Peguei a foto de Miguel Azevedo, de trinta e quatro anos. Ele trabalhava como segurança terceirizado e acabou desaparecido três dias depois do baile do ano anterior. A polícia logo alegou fuga voluntária, mas a família insistia que não. E eu acreditava de verdade neles.
Ao lado da foto de Miguel estava fixada a ficha de Beatriz Mello, uma garçonete temporária de vinte e dois anos desaparecida há duas semanas. Sua última localização conhecida foi a Fundação Belmont.
[CLARA MARTINS - Falando sozinha]
— Isso não pode ser coincidência…Meu celular vibrou sobre a mesa.
[CAMILA - Mensagem de texto]
“Você ainda tá no jornal?”A mensagem de Camila apareceu na tela e eu sorri de leve. Ela me conhecia bem demais.
[CLARA MARTINS - Mensagem de texto]
“Tô terminando.”A resposta chegou imediatamente:
[CAMILA - Mensagem de texto]
“Mentira. Vai dormir.”Soltei uma pequena risada cansada e apoiei a cabeça no encosto da cadeira por alguns segundos. Dormir parecia uma ideia maravilhosa, mas totalmente impossível no momento. Não enquanto aquilo continuasse incompleto.
Olhei novamente pela janela. Ravenhold brilhava lá fora como uma cidade perfeita, elegante, rica e viva. Mas eu sentia o cheiro da podridão escondida sob aquela beleza. Talvez fosse por isso que eu me tornei jornalista. Enquanto as outras pessoas aceitavam respostas fáceis, eu precisava cavar mais fundo. Precisava entender, mesmo quando a verdade machucava — e, principalmente, quando machucava.
Voltei para o notebook e comecei a revisar a lista de convidados confirmados para o baile daquele ano. Políticos, empresários e famílias tradicionais. Então, um nome me chamou a atenção: Ethan Vance. Franzi a testa imediatamente. Os Vance eram conhecidos em Ravenhold justamente porque ninguém sabia quase nada sobre eles. Ricos, extremamente discretos e estranhamente ausentes da vida pública.
Cliquei no perfil dele na busca. Pouquíssimas informações: empresário, investidor, solteiro. Nenhuma rede social, nenhuma entrevista, nenhum escânadalo. Nada. O que era estranho demais para alguém tão rico na era digital.
[CLARA MARTINS - Falando sozinha]
— Você é misterioso demais para o meu gosto.Algo naquele nome me causou um desconforto estranho, como uma sensação persistente no fundo da mente. Peguei meu caderno e anotei a caneta: “Observar Ethan Vance durante o baile.” Seu celular vibrou novamente, mas dessa vez era uma ligação. Ela atendeu.
[CAMILA - Chamada de voz]
— Clara? Você ainda tá aí?[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— Eu já tô indo embora, Cami.[CAMILA - Chamada de voz]
— São quase duas da manhã, garota![CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— O jornalismo investigativo não dorme com hora marcada.[CAMILA - Chamada de voz]
— Pelo visto você também não, aparentemente.Sorri de lado, encostando o aparelho na orelha.
[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— Falando sério, tô muito perto de descobrir alguma coisa grande.[CAMILA - Chamada de voz]
— Você sempre fala exatamente isso antes de se meter em encrenca.[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— Mas encrenca faz parte da minha profissão, você sabe bem.Camila suspirou profundamente do outro lado da linha. Depois, falou em um tom bem mais sério que o habitual:
[CAMILA - Chamada de voz]
— Só toma cuidado de verdade com essa fundação, Clara.Minha postura mudou imediatamente na cadeira, ficando alerta.
[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— Por que esse tom agora? O que você sabe?Houve mais um silêncio curto e incômodo na ligação. Então, ela revelou:
[CAMILA - Chamada de voz]
— Gente poderosa demais costuma esconder coisas piores ainda.Olhei novamente para o mural na parede. As fotos, os desaparecidos e as perguntas sem resposta.
[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— E isso deveria me deixar mais tranquila?Camila soltou uma risada baixa, sem humor.
[CAMILA - Chamada de voz]
— Não. Deveria fazer você pensar duas vezes antes de entrar naquele baile sozinha.Mas eu já tinha me decidido. Entraria naquele salão de festas nem que precisasse mentir para metade da cidade para conseguir um convite.
[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— Eu vou ficar bem, relaxa.[CAMILA - Chamada de voz]
— Essa frase nunca termina bem em filmes de suspense.[CLARA MARTINS - Chamada de voz]
— Ainda bem que isso não é um filme. Até amanhã.Depois de desligar, fiquei alguns segundos olhando meu reflexo no vidro da janela. Eu parecia destruída pelo cansaço: olheiras leves, cabelo preso de qualquer jeito e uma expression tensa. O glamour do jornalismo investigativo definitivamente era propaganda enganosa.
A redação inteira estava silenciosa agora. Só restavam o som distante da chuva forte e o zumbido baixo das luzes do prédio. Então, ouvi um estalo no corredor. Meu corpo inteiro ficou rígido e tenso. Virei imediatamente na direção do corredor escuro do lado de fora da sala.
[CLARA MARTINS - Gritando para o corredor]
— Tem alguém aí? É o segurança?Nenhuma resposta veio da recepção. Provavelmente era algum guarda noturno, ou pelo menos era isso que eu queria forçar a minha mente a acreditar. Levantei devagar da cadeira e caminhei até a porta aberta. As luzes automáticas do corredor haviam apagado fazia alguns minutos, deixando tudo mergulhado numa escuridão estranha e silenciosa demais.
Foi então que eu vi. Uma sombra atravessou o final do corredor principal. Era rápida, alta e impossivelmente silenciosa para o tamanho dela. Meu estômago gelou instantaneamente.
[CLARA MARTINS - Gritando para a sombra]
— Ei! Para aí!Nada de resposta. Dei mais alguns passos rápidos para fora da sala, mas o corredor já estava completamente vazio. Mas o ar pareceu totalmente diferente agora: mais pesado, mais frio. Uma sensação desconfortável de arrepio percorreu minha nuca, exatamente como se alguém estivesse me observando na penumbra. Respirei fundo e tentei afastar a paranoia da cabeça. Eu estava exausta, só isso. Precisava dormir. Precisava ir para casa urgentemente.
Voltei rapidamente para a sala, recolhi minha bolsa, guardei o notebook e peguei a câmera profissional. Então, percebi algo estranho que me chamou a atenção no mural. Uma das fotografias havia caído no chão: a foto de Miguel Azevedo. Me abaixo lentamente para pegá-la do carpete e congelei no mesmo instante. No verso da fotografia, havia uma frase escrita à mão com uma tinta preta fresca. Uma frase ameaçadora que definitivamente não estava ali antes.
“Pare de procurar.”
Meu coração disparou violentamente contra as costelas. Virei imediatamente em direção ao corredor escuro e vazio, com a respiração curta e os dedos gelados de pavor. Porque, naquele instante, eu tive absoluta certeza de uma coisa: alguém esteve dentro daquela sala enquanto eu estava distraída ao telefone. E talvez essa pessoa ainda estivesse na escuridão, me observando.
POV: Ethan Vance“O medo desaparece quando a guerra começa. O verdadeiro problema é aquilo que sobra depois.”O vínculo nunca deveria evoluir tão rápido. Essa era a única coisa que conseguia pensar enquanto observava Clara tentar respirar normalmente diante de mim. Ela ainda segurava o próprio peito, confusa, assustada e sobrecarregada. E eu sentia tudo: cada batimento acelerado, cada onda de ansiedade e cada fragmento de medo atravessando o vínculo entre nós. Kaos permanecia inquieto dentro da minha mente."Companheira sofrendo."Eu sabia, e aquilo estava começando a me destruir. Aurora foi a primeira a quebrar o silêncio.[AURORA — Preocupada]— Isso não pode continuar acontecendo.Luke Vance concordou imediatamente.[LUKE VANCE — Analisando Clara]— Ela está reagindo rápido demais ao vínculo.Clara ergueu os olhos para nós dois.[CLARA MARTINS — Irritada]— Alguém pode parar de falar de mim como se eu fosse algum experimento sobrenatural?A irritação na voz dela atravessou o víncul
POV: Clara Martins“O impossível deixa de ser impossível no instante em que acontece diante dos seus olhos.”Meu cérebro simplesmente desistiu. Acho que foi exatamente naquele momento. Não nas garras, nem nos olhos brilhando, nem no homem quase transformando o salão num massacre. Foi quando ouvi o nome de uma deusa grega sendo mencionado como se fosse algo normal.[CLARA MARTINS — Falando baixinho]— Não… Não, vocês não podem estar falando sério.Ninguém respondeu, e aquilo foi pior, muito pior, porque o silêncio deles confirmava tudo. Meu coração batia tão forte que comecei a sentir tontura novamente. Passei a mão pelo rosto tentando organizar qualquer pensamento minimamente racional, mas falhei miseravelmente.[CLARA MARTINS — Tentando se acalmar]— Certo… então vamos revisar isso. Vampiros existem. Lobisomens existem—[LUKE VANCE — Corrigindo]— Lycans.Luke corrigiu automaticamente. Lancei um olhar irritado para ele.[CLARA MARTINS — Irritada com Luke]— Esse realmente não é o det
POV: Ethan Vance“Existem verdades que mudam sua vida. E existem verdades que mudam aquilo que você é.”O salão inteiro pareceu silencioso depois das minhas palavras. Porque Clara me encarava como se eu tivesse acabado de destruir a realidade dela. Talvez tivesse mesmo.[CLARA MARTINS — Chocada]— Companheira?Ela repetiu lentamente. A sensação do vínculo pulsou novamente entre nós. Kaos ficou inquieto dentro da minha mente."Companheira confusa."Eu também estaria. Respirei fundo tentando organizar pensamentos que já estavam perigosamente perto do caos. Ao redor, o restante do salão continuava parcialmente em pânico. Humanos desesperados eram discretamente retirados pelos seguranças sobrenaturais da Fundação Belmont enquanto vampiros tentavam recuperar o controle da própria fome. Mas meu foco inteiro permanecia nela. Clara ainda segurava o próprio peito como se tentasse entender a sensação queimando dentro dela.[CLARA MARTINS — Falando baixo]— Isso não faz sentido.[LUKE VANCE — Ba
POV: Clara Martins“O medo muda quando você percebe que o impossível é real.”Minha mão continuava presa à de Ethan. Mesmo no escuro. Mesmo depois de tudo que eu tinha visto. O salão inteiro estava mergulhado em caos agora: gritos, passos apressados, vidro quebrando e pessoas empurrando umas às outras tentando encontrar saídas. E no meio de tudo aquilo, a mão dele era a única coisa que parecia firme, segura. O pensamento me irritou imediatamente, porque nada sobre Ethan Vance deveria parecer seguro. Não depois das garras, dos olhos brilhando e da velocidade impossível. Meu coração disparava tão forte que comecei a sentir tontura.[CLARA MARTINS — Falando baixo]— Ethan…Minha voz saiu trêmula.[ETHAN VANCE — Sincero]— Eu estou aqui.A resposta veio rápida demais, instintiva, como se ele estivesse mais preocupado comigo do que com o caos acontecendo ao redor. As luzes de emergência finalmente acenderam em um vermelho fraco pelo salão. A iluminação deixou tudo ainda pior. Sombras longa





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