Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuatro amigas partem para uma aventura pelas terras selvagens do Alasca, até que o carro quebra no pior lugar possível: longe de qualquer cidade. O atraso parecia apenas um contratempo… até que a noite cai — e algo muito maior as encontra primeiro. Alphonse é um Alfa Lycan marcado pelas antigas tradições finlandesas, mesmo vivendo recluso em uma comunidade isolada entre montanhas e neve eterna. Durante uma ronda noturna, ele e seus amigos cruzam o caminho de um grupo de humanas perdidas. Simpáticas. Vulneráveis. E muito tentadoras. E uma delas, em especial, exala um aroma capaz de virar o mundo de qualquer macho de cabeça para baixo. Liane não imagina o caos que sua presença pode causar. Doce, carismática e de uma beleza que fere. Ela atrai atenção demais — inclusive de alguém que não pertence à matilha… e que não aceita um “não” como resposta. Um único incidente muda tudo. Leis antigas são quebradas. Fronteiras desmoronam. E o que deveria ser apenas uma viagem entre amigas transforma-se em um destino inevitável. Mas a pergunta é: O Alfa conseguirá controlar o próprio lobo quando tudo dentro dele grita para torná-la sua? Ou o instinto animal falará mais alto do que qualquer regra? Neste monster romance, você não encontrará donzelas indefesas esperando heróis perfeitos — mas sim lobos enormes, possessivos e completamente rendidos por suas fêmeas… do jeitinho que a gente ama.
Ler maisA sensação de conforto. O calor. A cama macia. O aroma intoxicante que envolvia Liane e deixava seu corpo ainda mais relaxado, como se finalmente tivesse encontrado uma segurança que nem sabia que precisava.
Um sentimento de perfeição invadiu seu peito e a manteve de olhos fechados por mais tempo, com receio de descobrir que tudo não passava de um sonho.
Depois do mal-estar do dia anterior, conseguir uma noite inteira de sono parecia um verdadeiro milagre. Tudo o que Liane mais queria era permanecer naquele pequeno casulo que criara para si, permitindo que o corpo descansasse. Instintivamente, se aconchegou na fonte de calor atrás de si, e a sensação foi tão boa, tão acolhedora, que chegou a parecer irreal.
Um estalo estranho chamou sua atenção, como madeira crepitando.
Ela franziu o cenho e abriu os olhos lentamente, contrariada. Piscou algumas vezes enquanto uma luz suave preenchia o ambiente… e só então percebeu a lareira acesa em um canto, lançando sombras douradas pelas paredes de madeira escura e rústica. A janela estava com os vidros embaçados, manchados pela poeira do lado de fora. Tapetes artesanais cobriam o chão.
Definitivamente, Liane não estava em seu quarto.
Sem coragem de se mover, observou o ambiente ao redor apenas com o olhar.
A decoração… a estrutura… nada lhe era familiar.
Um aperto tomou conta de seu estômago.
Antes que conseguisse reagir, braços fortes, pesados, peludos e perigosamente masculinos se envolveram em sua cintura, puxando-a de volta. Seu corpo foi encaixado contra o dele com uma precisão perturbadora, acomodando-a como se tivesse sido feita exatamente para aquele lugar.
O calor dele a envolveu por completo.
E então ela sentiu.
Algo rígido.
Vivo.
Pulsante.
Pressionado contra seu corpo.
Uma ereção matinal.
Grande.
Grossa.
Inconfundível.
O coração de Liane disparou.
Mas o que…?
Como tinha ido parar ali?
O instinto falou mais alto.
Ela saltou da cama como se tivesse sido queimada. Virou-se rapidamente para encarar o homem atrás dela…
E seu corpo inteiro travou.
Alphonse.
O choque foi imediato.
Seu coração martelava no peito, descompassado, enquanto sua mente se recusava a aceitar o que via.
Aquilo não fazia sentido.
Nada fazia sentido.
O medo veio logo em seguida.
E o grito escapou.
Dias antes…
Alphonse se levantou da cadeira e caminhou até a janela. Seus olhos se fixaram nos picos das montanhas ao longe, cobertos de neve, imutáveis como sempre. Ele soltou o ar com força, tentando puxar algum tipo de calma para dentro de si.
Já fazia horas que Rocco estava inquieto.
Uma inquietação estranha. Incômoda.
Difícil de ignorar.
Era quase como um pressentimento.
E aquilo não era bom.
Nada bom.
A voz de Johan o trouxe de volta.
Alphonse sequer percebeu em que momento ele havia entrado no escritório — e isso, por si só, já era um problema. Distração nunca fora algo comum para ele. Muito menos aceitável.
Uma matilha inteira dependia dele.
Mais de dois séculos haviam se passado desde que assumira a liderança.
Naquela mesma noite.
A noite em que seus pais foram brutalmente assassinados por um humano ousado o suficiente para invadir seu território e tentar tomá-lo à força. Alphonse tinha apenas dezessete anos. Ainda assim, mesmo diante dos corpos dos pais estendidos no chão, cobertos de sangue, encontrou dentro de si força suficiente para reagir.
E vingou a morte deles ali mesmo.
Depois daquela noite, Muuttua nunca mais foi a mesma.
Ele também não.
Sem sequer ter o lobo completamente desperto, foi forçado pelos anciãos a assumir um posto para o qual não estava preparado.
Hoje, com duzentos e quarenta anos, Alphonse finalmente compreendia o motivo.
Era o único em quem podiam confiar.
O único forte o suficiente para manter todos de pé.
Seguindo as leis ancestrais — as mesmas que o mantinham firme até hoje — a vila cresceu, prosperou e passou a coexistir entre humanos.
Sem que eles soubessem a verdade.
E assim continuaria.
— Nada… ou talvez algo que eu ainda não consiga explicar — respondeu por fim, a voz controlada. — Rocco está estranho. Como se estivesse antecipando alguma coisa.
Johan não questionou.
Apenas absorveu.
O alerta foi imediato.
A segurança seria reforçada. Estradas. Floresta. Entradas.
Tudo.
Alphonse assentiu.
Benson seria chamado.
Minutos depois, o beta já estava diante dele.
E bastou um olhar.
Benson também sentia.
Alphonse arqueou levemente a sobrancelha, e o sorriso discreto do outro confirmou o que ele já suspeitava. Benson sempre fora mais sensível — captava mudanças antes mesmo que elas se tornassem reais.
A matilha deles podia não ser grande.
Mas era forte.
Muito mais forte que as outras.
Lycans de sangue puro.
Não apenas lobos.
O comentário sobre a lua cheia veio quase como uma tentativa de racionalizar tudo aquilo. Talvez fosse apenas isso. Um reflexo do ciclo. Da necessidade de transformação. Do tempo que estavam reprimindo seus instintos.
Alphonse girou levemente a cadeira, voltando o olhar para o céu.
A lua já subia.
Cheia.
Imponente.
Ele respirou fundo.
Talvez fosse só isso.
Talvez fosse apenas Rocco… querendo liberdade.
Depois que os rapazes foram embora, deixando para trás aquele idiota — que se dizia amigo deles, que a desafiou e ainda teve a ousadia de rosnar para ela — Liane permaneceu irritada. Ele havia rosnado. Como se fosse um animal selvagem. E, por mais absurdo que fosse admitir, aquilo a excitava perigosamente. Sem dizer uma palavra, o homem apenas virou as costas e desapareceu, deixando-as finalmente em paz.O resto da tarde foi passado entrando e saindo de lojas, caçando roupas que abraçassem seus corpos da forma certa, peças capazes de impressionar aqueles deuses nórdicos. Não era tarefa fácil, pois parecia que ninguém naquela terra conhecia o conceito de curvas. Ainda assim, difícil não significava impossível. Liane observava suas amigas com orgulho quando finalmente terminaram de se arrumar para a noite: estavam deslumbrantes.— Uau! — exclamou, fascinada. — Se eu fosse homem, comeria vocês todas sem pensar duas vezes.— Ah! Que safada! — Beverly fingiu indignação, levando a mão ao pe
A noite passou solitária, como sempre. Mas agora a solidão não trazia paz; parecia uma prisão úmida e interminável que lhe apertava a alma. Tudo porque Liane existia, justamente agora, para desestabilizar seus planos, sua rotina e seu sossego. Desde o dia anterior, seus amigos o evitavam. Haviam chegado, sido cordiais e voltado imediatamente ao trabalho, nem sequer oferecendo companhia para um café.Alphonse tentava ignorar o turbilhão dentro de si, mas Rocco não dava trégua. O lobo insistia em dominar, a cada lembrança de Liane, a cada fragmento do aroma e da presença dela. Ah, Liane… com o rosto arredondado, os olhos ardentes e a força que parecia irradiar de cada gesto. Mas humana. Fraca demais para ser sua Luna. Fraca demais para se tornar a Luna da matilha.Mesmo assim, Rocco não se calava. Desde o primeiro encontro, travaram uma batalha silenciosa dentro de sua mente. O lobo queria tomá-la para si; Alphonse resistia, determinado a escolher uma loba capaz de acompanhá-lo, uma fêm
Liane sentia o peso daqueles olhares queimando em suas costas. Mas não eram todos. Eram eles — os quatro homens que haviam entrado e, de alguma forma inexplicável, mudado completamente o ar do ambiente.Os outros clientes eram comuns. Sorriam, flertavam, lançavam olhares curiosos… nada que fugisse do esperado. Mas aqueles quatro… havia algo neles que a afetava de um jeito estranho, quase incômodo.Sempre que se mexia no banco ou se inclinava para falar com Beverly, acabava encontrando o olhar do moreno preso nela. Alphonse.Um arrepio percorria sua pele toda vez que seus olhos se cruzavam. Havia intensidade demais ali. Algo escuro, contido, como uma fúria silenciosa prestes a escapar. Ainda assim, era impossível ignorar o quanto ele era bonito. Não — bonito não era suficiente.Ele parecia saído de um livro.Alto, forte, com traços marcantes e um ar perigoso que o tornava ainda mais atraente. Era o tipo de homem que não passava despercebido em lugar nenhum.Ao lado dele, um loiro de ca
— Vai sair ou vai passar a noite aí dentro? — Benson surgiu na porta, enfiando só a cabeça para dentro, como se estivesse escondendo o resto do corpo.Alphonse ergueu os olhos, analisando a cena.— Por que não entra logo? Tá parecendo um ladrão prestes a fugir com alguma coisa.O efeito foi imediato. Benson piscou, surpreso, e logo fechou a cara, visivelmente contrariado.— Eu tô apertado, porra. Preciso mijar. — murmurou, já sem paciência. — Vai ou não?Alphonse soltou um suspiro curto.— Então entra e usa o meu banheiro antes que faça isso no corredor igual um animal.Benson hesitou por um segundo.Mas ele tinha razão.Alphonse também precisava sair. Respirar. Distração.Talvez até encontrar alguma fêmea disposta a aliviar a tensão que vinha se acumulando.Quem sabe.— Tá. Eu vou. Agora entra logo.Benson não esperou mais nada. Virou as costas e praticamente correu pelo corredor.— Nem fodendo que eu vou sujar teu banheiro! — gritou de longe.A porta bateu com força.Por um instante
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