Mundo de ficçãoIniciar sessãoUma noite. Um desconhecido. Um segredo que mudará tudo. Luna viajou para Veneza a trabalho, sem imaginar que um jantar fora da agenda mudaria seu destino para sempre. Ele estava lá: um homem alto, misterioso, olhar intenso e um sotaque que arrepiava sua pele. Uma noite foi suficiente para incendiar seus corpos e deixá-la com muito mais do que lembranças. Ao amanhecer, ele desapareceu — deixando apenas o perfume e uma gota de sangue no chão. Sem saber seu nome ou quem ele realmente era, Luna decide seguir em frente... até descobrir que carrega dentro de si um pedaço daquela noite. Anos depois, ele volta a cruzar seu caminho. Mais poderoso. Mais perigoso. E ainda sem saber que é pai. Mas quanto tempo Luna conseguirá esconder a verdade? E o que acontecerá quando esse homem, capaz de queimar o mundo por ela, descobrir que tem um herdeiro? Prepare-se para um romance intenso, cheio de desejo, segredos e reviravoltas — onde o amor e o perigo caminham lado a lado.
Ler maisVoltei a foto para o envelope, encostei a ponta no lábio como quem sela um acordo com o ar. Não havia veneno ali. Havia rendição. Até monstros, às vezes, escolhem encerrar um ciclo.— Tudo bem? — Enzo apareceu na porta da capela, o terno já com o primeiro amasso da tarde (culpa minha e do abraço do Santino).— Tudo. — Mostrei o envelope. — Ela deixou isso.Ele leu a frase, estudou a foto por um momento longo. A linha do maxilar relaxou.— Então fechamos um capítulo. — Disse sem triunfo, sem rancor.— Fechamos. — Recoloquei o envelope no altar. — E abrimos outro. O dia nasceu como se houvesse sido ensaiado. O primeiro raio de luz quebrou a névoa do lago, atravessou as janelas altas da Villa Bellini e pousou no meu rosto com a doçura de um chamado. Respirei devagar. O ar tinha cheiro de lavanda e pão fresco vindo da cozinha. Os sinos da igreja tocaram, longos, e por um segundo tive a sensação de que o tempo decidiu caminhar no nosso ritmo.— Bom dia, noiva. — Vanessa apareceu na porta com duas xícaras fumegantes. — Trouxe café e coragem.— Na mesma dose?— Coragem sempre precisa de refil. — Ela me estendeu a xícara. — Como você tá?— Estranhamente… calma. — E era verdade. O coração acelerava às vezes, mas não como medo. Era expectativa. A certeza de estar entrando num lugar que já me esperava.Camila entrou logo depois com um robe claro no braço e grampos entre os dentes.— Levanta, protagonista. Hoje é close certo. — Tirou os grampos para falar, dramática. — E eu, como sua estilista espontânea, decreto que você vai casar com o coque mais lindoCapítulo 43 – O dia em que o Sol ficou (parte 1)
Uma semana. Foi o tempo que levou para Bellagio parecer mais casa do que qualquer outro lugar que eu já tivesse conhecido. O lago refletia o céu de manhã e os sinos da igreja marcavam as horas com uma precisão poética. A cada toque, eu tinha a sensação de que o destino estava pontuando nossa história, como se dissesse: respirem, está tudo certo agora.Durante os primeiros dias, Enzo fez questão de me mostrar tudo, as colinas cobertas de oliveiras, o mercado na praça, o pequeno café onde o avô dele se reunia com os amigos para jogar cartas.— A família Bellini começou vendendo vinho e acabou vendendo poder — disse, em uma dessas manhãs. — Eu prefiro acreditar que foi o vinho que nos salvou.— E não o poder? — perguntei, rindo.— O poder só compra medo. O vinho, às vezes, compra sorrisos.As ruas eram uma pintura viva: muros de pedra cobertos de hera, roupas penduradas nas janelas, cheiro de pão e terra molhada. Santino corria à frente, o boné quase caindo dos cabelos e o riso ecoando
À noite, a casa parecia diferente. Mais viva. O som das conversas ecoava entre as paredes antigas, misturado ao tilintar de taças e ao aroma de vinho e ervas frescas. O jantar era uma celebração... da volta dele, da vida nova, do improvável que nos trouxe até ali.Santino, exausto, dormia no sofá, a cabeça apoiada no colo de uma tia que jurava ser “a mais divertida da família”. Eu me peguei observando Enzo, cercado pelos irmãos, rindo alto. O riso dele era mais solto, o olhar mais leve. Era o mesmo homem que eu conheci em Veneza, mas também era outro, a versão completa, finalmente em paz com o próprio nome.Quando ele notou que eu o observava, sorriu. Um sorriso pequeno, mas suficiente para desmontar qualquer defesa que ainda restava em mim.Ele veio até mim no instante em que a sobremesa chegou. O som dos talheres e das conversas desapareceu do meu radar no momento em que ele tocou minha mão.— Vem comigo.— Enzo, a sobremesa — protestei, tentando soar natural, mas minha voz saiu meio
O avião cortou as nuvens com a suavidade de um segredo bem guardado. Lá embaixo, o azul do Lago de Como cintilava como se tivesse sido polido à mão por alguma divindade italiana entediada. Era difícil acreditar que, em algum lugar entre aquelas montanhas e espelhos d’água, estava a palavra que eu vinha evitando há meses: lar. Santino dormia com a cabeça encostada no meu ombro, o carrinho de ferro seguro na mão, amuleto inseparável. Enzo, ao meu lado, observava a paisagem pela janela, o maxilar relaxado pela primeira vez em muito tempo. Quando o avião começou a descer, ele virou o rosto para mim e disse, baixo, quase num sussurro que parecia uma promessa: — Bem-vinda a Bellagio. A frase ficou flutuando no ar, como se o próprio lago tivesse parado para ouvir. O carro serpenteou por uma estrada de paralelepípedos que parecia saída de um cartão-postal. As flores desciam pelas varandas em cascatas de vermelho e amarelo. Sinos soavam de uma igreja distante, e o ar tinha cheiro de pão rec
A manhã correu com coisas que eu amo: gráficos que fazem sentido, um protótipo que finalmente rodou sem travar, o e-mail de uma ONG confirmando parceria no piloto do nosso sensor de qualidade da água. Entre um item e outro, mensagens do grupo “Família” que Enzo criou: ele, eu, Santino e três figurinhas do carrinho de ferro. Às duas e vinte e cinco, cruzamos a rua da escola com pressa. Enzo carregava uma sacola com um dinossaurinho de borracha “para premiar cientistas que fazem vulcões no laboratório”. Eu disse que ele estava exagerando. Ele disse que era investimento no futuro. A apresentação foi caótica e perfeita. Crianças gritando “explode!”, espuma para todos os lados, uma professora paciente com olhos de santa. Santino encontrou a gente na primeira fileira e fez o gesto secreto dele de “consegui”. Eu quase levantei para aplaudir de pé. Enzo bateu palmas sério, como quem assiste a uma tese de doutorado. — Mamãe, você viu? — Santi correu até mim no final. — Vi. E quase fugi do p





Último capítulo