Mundo ficciónIniciar sesiónHelena conhece Miguel durante a faculdade de direito e ela se apaixona. Oito anos depois eles estão casados, Helena abdicou de sua profissão e seguiu a vida como o marido desejava. No entanto, num dia qualquer teve uma grande decepção. Flagrou uma traição de Miguel. O que mais ele esconde? Helena segue o casamento com sangue frio e desejo de vingança. Mas nesse processo surge um novo amor, e esse amor é a irmã de Miguel. Helena cumprirá seu desejo de vingança?
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Hoje é mais um dia comum. Meu marido Miguel foi para o escritório, ele trabalha no maior escritório de advocacia de Brasília, que não por acaso pertence a minha família. Nós estamos casados há três anos, um casamento que sonhei por cinco anos. Assim que o vi pela primeira vez eu quis conhecê-lo, ele sempre teve uma aparência encantadora. 1,83 de altura, cabelos negros, olhos escuros como a noite. Sempre bem vestido, eu diria inclusive impecável. Miguel sempre esteve próximo, era cavalheiro, gentil e me presenteava constantemente. Ele ainda possui essas características que provocaram a minha paixão, mas agora ele passa muitas horas no trabalho, então o vejo menos. Mas isso não muda meu amor por ele, sei que ele trabalha para nós. Hoje faz dois dias que não o vejo, ele dormiu no escritório. Sinto a sua falta, então vou fazer uma surpresa. Vou separar a melhor lingerie que tenho e pegar o melhor vinho da adega. Hoje no fim da tarde vou ao escritório e teremos uma noite romântica lá mesmo. O proibido é sempre mais gostoso e hoje vamos queimar juntos. —----- Está tudo pronto, escolhi o vinho favorito dele, vesti uma lingerie azul petróleo com rendas francesas, a cor contrasta com a minha pele clara. Me olho no espelho e gosto do que eu vejo. Visto por cima um vestido bege, é rodado e possui laços nas alças. É um vestido simples de linho, mas a sua simplicidade o torna romântico e elegante. Entro no carro e dirijo até o escritório Carvalho e cia, onde Miguel está trabalhando. Imagino que ele esteja cansado, são muitas horas analisando casos e levantando provas, eu o admiro por isso. Miguel nunca foi considerado excepcional ou brilhante, mas sempre foi dedicado. Nem sempre ele ganha os casos e isso o decepciona muito. Mas acredito que o esforço e a dedicação o façam brilhar aos meus olhos. Eu não preciso que ele seja o melhor, mas que ele se esforce para ser o melhor que ele pode ser. Assim que nos casamos, Miguel sugeriu que eu me afastasse dos tribunais. Ele sempre quis formar uma família feliz como a sua. Seus pais são um casal de sucesso na indústria imobiliária de Brasília, Miguel teve uma infância feliz com sua irmã, onde cresceu em um ambiente próspero e repleto de amor. Ele sempre desejou o mesmo para si e para nós, uma família grande, uma esposa dedicada e um casamento amoroso. Eu sonhava em ser uma advogada de sucesso como meus pais, ou até juíza. Sempre obtive as melhores notas durante a graduação, meus professores sempre elogiaram meu talento, a minha capacidade de argumentação e meu senso de justiça. Mas entre o amor e o sucesso eu escolhi o amor, afinal, o sucesso da minha família é o meu também. Nesses três anos não me arrependi nem uma só vez. Apesar do meu plano ser diferente do plano de Miguel, ele se esforça, do seu modo, para me fazer a mulher mais feliz do mundo.DesiréeA notícia chega como um soco inesperado no meu estômago, daqueles que tiram o ar e fazem o corpo inteiro reagir antes mesmo que a mente consiga organizar o que foi dito, porque Miguel fugiu, fugiu da polícia, fugiu com plena consciência do que estava fazendo, e agora está solto pela cidade como um animal ferido, imprevisível e perigosamente livre.Sinto o sangue sumir do meu rosto quase no mesmo instante em que seguro o celular com mais força do que o necessário, a mão tremendo enquanto a respiração encurta, apressada, como se de repente faltasse oxigênio no apartamento inteiro e o ar tivesse se tornado insuficiente para manter qualquer coisa funcionando direito.— Ele está foragido — murmura o delegado do outro lado da linha, com uma voz profissional demais para o caos que provoca. — E não está agindo racionalmente. A senhora precisa redobrar sua segurança. Não fique sozinha.Não ficar sozinha é quase uma ironia cruel, e por um segundo eu quase rio, um riso seco, sem humor al
MiguelEu dirijo até o motor começar a reclamar, até a gasolina baixar o suficiente para me obrigar a parar.Não posso voltar para casa, não posso ir para o escritório, não posso ser visto...Mas posso me esconder.E eu sei exatamente onde.A garagem abandonada no bairro velho, atrás das oficinas que deixaram de funcionar quando eu ainda era criança. Um lugar onde a polícia não pensa em olhar, onde ninguém pensa em olhar. Um buraco esquecido do mundo, perfeito para um homem que precisa desaparecer por algumas horas.Estaciono o carro no fundo, deixo o motor desligar devagar, respiro o ar quente e imundo que sobe do chão.Meu peito ainda vibra de adrenalina.Minha mente está elétrica, acesa, queimando.Eles querem me prender.Eles querem me afastar da Helena.Eles querem destruir o meu casamento.Mas não vão.Não vão.Eu seguro o celular com tanta força que sinto a capinha ranger.Abro o chat com os rapazes que ainda me devem favores. Homens que já confiaram em mim quando eu era o advo
MiguelA campainha toca.Três vezes.Secas.Firmes.Autoritárias.Meu coração dá um salto tão forte que quase escuto o estalo dentro do peito. Não sei por quê, mas a primeira coisa que penso é:Helena voltou.Helena voltou pra mim, ela sempre volta.Mas logo em seguida vem um som surdo. Várias vozes. Uma frase ecoando pelo corredor, abafada, mas reconhecível.— Polícia. Abra a porta.Polícia.Polícia.Polícia.A palavra se repete na minha cabeça como se alguém estivesse batendo uma marreta no meu crânio. Sinto o sangue correr rápido, quente, tão quente que parece ácido.Eles vieram por mim.Eles vieram… por mim.Um arrepio percorre minha nuca. Mas não é medo.É… indignação.Eu não fiz nada errado.Helena é minha.Minha esposa.Minha vida.O resto do mundo precisa entender isso.Bateram de novo, agora mais forte.— Senhor Miguel Medeiros, abra imediatamente.Eles não vão entrar.Não vão me arrastar como um criminoso qualquer, não vão destruir tudo o que eu construí, tudo o que planejei
HelenaA delegacia parecia maior naquele dia, como se o próprio prédio respirasse expectativa. O céu estava cinzento, mas não havia uma única gota de chuva; era como se até o tempo aguardasse a queda iminente de Miguel Medeiros.Cheguei acompanhada pelos meus pais, caminhando com uma postura impecável, mas agora carregando dentro dos olhos algo novo: um brilho afiado, decidido, quase feroz. Desirée vinha logo atrás, ao lado dos seus pais, Manoel e Diana. A mãe de Desirée caminhava com firmeza, transmitindo o tipo de autoridade que só uma mulher que já viveu tempestades e sobreviveu poderia ter. Bárbara, por sua vez, parecia mais pálida do que o normal, mas sua expressão trazia algo entre medo e libertação.E, juntos, nós formamos um cortejo silencioso rumo ao fim de um império construído sobre mentiras.Seguro uma pasta preta grossa, organizada como uma obra-prima jurídica. Ali estavam os extratos, as movimentações e desvios, os registros de chamadas, os áudios obtidos por Bárbara, a
DesiréeA casa dos Medeiros sempre foi silenciosa, elegante e cheia de fotos de família.Hoje, porém, o ar é pesado, como se as paredes soubessem que algo terrível finalmente veio à tona.Estaciono a moto, tiro o capacete com as mãos trêmulas e respiro fundo, nunca tive medo de nada na vida, até me apaixonar por Helena, e hoje a verdade pesa em minhas mãos.Entro na sala e meus pais estão sentados juntos, de mãos dadas, mas os olhares os denunciam, estão tensos.— Filha, o que aconteceu? — pergunta minha mãe.De imediato não consigo responder.Me sento em frente aos dois, esfrego os olhos por nervosismo, mas então respiro fundo e começo.— Pai, mãe… — minha voz falha. — Eu preciso contar tudo sobre o Miguel.O silêncio se instala.Papai fecha os olhos e mamãe aperta a mão dele até o nó dos dedos ficarem brancos.— O que houve com seu irmão, Desirée? — Papai pergunta, sem perceber que usa o verbo no passado.Ergo o rosto e olho em seus olhos, preciso fazer isso.— O que ele fez… é impe
Bárbara Miguel está sentado na cama, penteado, perfumado, com as mãos inquietas sobre o lençol.Não parece alguém que acabou de sair de um colapso nervoso.Parece um homem ansioso para retomar o palco.A enfermeira anuncia:— Sua acompanhante chegou, senhor Miguel.Ele abre um sorriso triunfante, quase juvenil.Quando entro no quarto, ele sorri ainda mais, como se eu fosse a prova viva de que o mundo continua girando ao redor dele.— Bárbara, meu amor… você veio.Sorrio com doçura artificial, mas convincente.— Claro que vim, Miguel. Eu senti tanto sua falta.Ele se apoia em meu ombro e caminha pelo corredor com falsa fragilidade.As enfermeiras trocam olhares irônicos, mas eu o seguro como se estivesse carregando um príncipe ferido.No estacionamento, ele pede:— Você… pode me levar para casa? Não quero ficar sozinho.Seguro a chave do carro com firmeza.— Claro, Miguel. Eu cuido de você.Ele sorri.Eu sorri.Mas dentro da minha bolsa o celular está gravando.No carro, Miguel fala s
Último capítulo