A estrada de volta parece maior do que na ida. Não tem explicação lógica — é só um retorno, o mesmo trajeto, as mesmas curvas, as mesmas placas — mas tudo pesa de um jeito diferente. Ou talvez seja só eu que estou diferente.
Ninguém fala. O silêncio começou logo depois que entrei no carro e fechei a porta, e ele simplesmente se estendeu como um lençol pesado sobre nós quatro. Val está dirigindo, séria, o maxilar travado do jeito que fica quando ela está tentando não explodir. Bianca olha fixamente pela janela, como se estivesse tentando decodificar o mundo lá fora. Lia mexe no próprio polegar, um tique que aparece quando ela está nervosa.
E eu… eu só existo aqui no meio do banco traseiro, com o diário apertado contra o peito.
É ridículo, eu sei. Mas é tudo que eu tenho dele.
A imagem da casa vazia ainda está grudada na minha cabeça — paredes descascadas, janelas escuras, silêncio demais. E as palavras da vizinha… aquelas sim ficaram pregadas por dentro de mim como farpas:
"Eles foram