— Éris.
Meu corpo inteiro congelou, mas não do jeito que se congela quando se tem esperança. Foi um tipo de congelar que vem da confusão, da falta de ar, da sensação de que alguma coisa está fora do eixo do mundo.
A voz veio de trás deles, da escuridão mais profunda do estacionamento.
Baixa.
Arranhada.
Quase irreconhecível.
Os homens que me seguravam também pararam por um segundo, mas não de medo. De irritação. Como se alguém tivesse interrompido um trabalho.
O maior virou a cabeça primeiro. O outro ainda segurava minha boca, forte o suficiente para deixar minha mandíbula travada.
E então, mais uma vez, a voz:
— Éris.
Não tinha carinho ali.
Não tinha saudade.
Era aviso.
Era ameaça.
Era como se alguém tivesse arrancado o som da garganta dele com força.
Meu coração bateu tão alto que senti nos ouvidos.
A silhueta dele saiu da sombra devagar.
Passos lentos.
Firmes.
Medidos.
Os dois homens se endireitaram.
O que segurava meu braço soltou um “tá de brincadeira”.
Eu tentei virar meu rosto,