31 — O Sangue Quebrado

Eu acho que apaguei.

Ou desmaiei.

Ou morri por alguns segundos.

Não sei.

Porque quando minha consciência voltou, não veio inteira.

Veio em pedaços.

Primeiro as vozes.

Depois o frio.

Depois o peso da dor.

Depois a sensação clara de que alguma coisa estava muito, muito errada.

E acima de tudo isso…

a voz dele.

— Éris. Éris. Ei. Ei, abre o olho. Abre o olho, por favor…

A voz tremia.

Não era um tremor emocional.

Era tremor de alguém entrando em choque.

Tentei abrir os olhos, mas parecia que tinham colocado cimento nas minhas pálpebras.

— Não — Noah soltou, quase num soluço. — Não… não agora… por favor. Abre o olho.

Ele estava segurando minha cabeça, eu acho. Senti a mão dele atrás da minha nuca, apoiando com cuidado, como se meu pescoço fosse de vidro.

A outra mão estava pressionando o ferimento.

Eu senti.

Ardeu tanto que meu corpo inteiro tremeu.

Ele percebeu e gemeu:

— Eu sei, eu sei… eu sei que dói. Eu sei. Mas não tem outro jeito. Fica comigo, por favor.

O volume da voz dele aumentava
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