Eu acho que apaguei.
Ou desmaiei.
Ou morri por alguns segundos.
Não sei.
Porque quando minha consciência voltou, não veio inteira.
Veio em pedaços.
Primeiro as vozes.
Depois o frio.
Depois o peso da dor.
Depois a sensação clara de que alguma coisa estava muito, muito errada.
E acima de tudo isso…
a voz dele.
— Éris. Éris. Ei. Ei, abre o olho. Abre o olho, por favor…
A voz tremia.
Não era um tremor emocional.
Era tremor de alguém entrando em choque.
Tentei abrir os olhos, mas parecia que tinham colocado cimento nas minhas pálpebras.
— Não — Noah soltou, quase num soluço. — Não… não agora… por favor. Abre o olho.
Ele estava segurando minha cabeça, eu acho. Senti a mão dele atrás da minha nuca, apoiando com cuidado, como se meu pescoço fosse de vidro.
A outra mão estava pressionando o ferimento.
Eu senti.
Ardeu tanto que meu corpo inteiro tremeu.
Ele percebeu e gemeu:
— Eu sei, eu sei… eu sei que dói. Eu sei. Mas não tem outro jeito. Fica comigo, por favor.
O volume da voz dele aumentava