Mundo de ficçãoIniciar sessãoContratada para cuidar da filha de um CEO recém-divorciado, ela acreditava que manter distância seria fácil. Ele impôs regras claras: profissionalismo, silêncio e nenhum envolvimento. Mas noites sob o mesmo teto, olhares prolongados e um desejo cada vez mais difícil de ignorar transformam tudo. O que começa como tensão proibida vira um jogo perigoso entre controle, atração e limites prestes a serem quebrados.
Ler maisO portão da mansão se abriu lentamente, e eu precisei conter o impulso de ajeitar o vestido pela terceira vez em menos de um minuto. Não era um vestido especial — simples, azul-claro, discreto demais para aquele lugar —, mas de repente tudo em mim parecia pequeno diante da imponência da casa.
Respirei fundo antes de tocar a campainha. Eu precisava daquele emprego. A entrevista tinha sido estranhamente rápida por telefone. Poucas perguntas, uma exigência clara de confidencialidade e um salário que parecia alto demais para cuidar de apenas uma criança. Ainda assim, ali estava eu, com a bolsa apertada contra o corpo e a sensação de que estava prestes a atravessar uma linha invisível. A porta foi aberta por uma mulher elegante, de postura impecável. — Você deve ser a babá — disse, avaliando-me da cabeça aos pés. — Sim. Sou a Helena. Ela assentiu e abriu espaço para eu entrar. O interior da casa era silencioso, amplo e frio. Tudo parecia no lugar certo, como se ninguém ousasse desorganizar nada ali. Meus passos ecoaram pelo chão de mármore enquanto eu tentava ignorar o nervosismo crescente. — O senhor Augusto está no escritório — informou. — Ele prefere ir direto ao assunto. Claro que prefere, pensei. Homens poderosos não costumam perder tempo com formalidades. Paramos diante de uma porta alta, de madeira escura. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela bateu duas vezes e abriu. — Ela chegou. O escritório era ainda mais imponente que o resto da casa. Janelas grandes, uma mesa grande demais e, atrás dela, um homem que não precisou se levantar para dominar o ambiente. Augusto Menezes. Eu o reconheci imediatamente. Não porque fosse famoso, mas porque aquele tipo de presença não passava despercebido. Ele ergueu o olhar devagar. E foi ali que perdi o fôlego por um segundo. Alto, ombros largos, barba por fazer e um olhar escuro, atento, que parecia enxergar além do que eu mostrava. O terno bem cortado reforçava a ideia de controle — tudo nele era contido, calculado. — Pode nos deixar — disse à mulher, sem tirar os olhos de mim. A porta se fechou atrás de mim com um clique baixo demais para aliviar a tensão. — Sente-se — ele indicou a cadeira à minha frente. Sentei, mantendo as mãos unidas sobre o colo. Ele não disse nada por alguns segundos. Apenas me observou. Não de um jeito vulgar, mas intenso o suficiente para me deixar consciente de cada detalhe meu. — Você já trabalhou como babá antes — afirmou, não perguntou. — Sim. Por quatro anos. — Referências excelentes. Discrição. Pontualidade, nenhum envolvimento emocional excessivo. A última frase me fez erguer o olhar. — Envolvimento emocional… com a criança? — Com qualquer pessoa desta casa — respondeu, seco. Entendi o recado. Achei de um tom extremamente frio e grosseiro, mas não estou aqui para tentar entender as pessoas. Só preciso dessa vaga de emprego para me manter por algum tempo. — Minha filha, Laura, tem seis anos — continuou. — É inteligente, curiosa… e não gosta de estranhos. — Posso conquistá-la com o tempo — respondi. — Não forço nada, mas eu consigo entender o limite de todos. Algo quase imperceptível passou pelo rosto dele. Aprovação, talvez. — Eu sou divorciado — disse em seguida, como se fosse apenas mais um dado técnico. — A mãe dela não mora mais aqui. Quero estabilidade. Rotina e profissionalismo. — É exatamente o que ofereço. Ele se levantou então, contornando a mesa. Meu corpo reagiu antes da minha mente. Augusto era ainda mais alto de perto, e o espaço entre nós pareceu pequeno demais. — As regras são simples, Helena — disse, parando à minha frente. — Você cuida da minha filha. Mantém discrição absoluta sobre o que vê ou ouve aqui. Não traz problemas pessoais para dentro desta casa. Assenti, pedindo para esse momento de tensão acabar. O olhar dele é como mil agulhas entrando em meu corpo. Não sei qual é a desse povo rico, mas a energia que passam é de sufocar qualquer um que esteja por perto. — E não confunde as coisas. Meu estômago se contraiu, embora eu não soubesse exatamente por quê. — Não costumo confundir — respondi, firme. Ele me encarou por alguns segundos a mais, como se estivesse decidindo algo. — Ótimo. Então venha conhecê-la. Seguimos por um corredor iluminado até um quarto colorido demais para aquela casa tão sóbria. Laura estava sentada no chão, cercada de lápis e desenhos. — Laura — chamou Augusto, a voz mudando sutilmente. — Esta é a Helena. A menina levantou o olhar, curiosa, doce, mas receosa. — Você vai embora também? — perguntou, sem rodeios. Meu coração apertou, não sei o que pode ter acontecido por aqui, porém… essa criança não parece ter algo contra estranhos, mas sim medo de se apegar e alguém ir embora de novo. — Não, se você não quiser — respondi, agachando-me à sua altura. — Posso ficar e desenhar com você. Ela me observou por alguns segundos longos demais para uma criança. Então, empurrou um lápis em minha direção. — Senta aí. Sorri, me ajeitando do seu lado, como ela pediu. Enquanto desenhamos, senti o olhar de Augusto sobre nós. Não precisei virar para saber. Havia algo ali — uma atenção silenciosa, quase cuidadosa. Quando me levantei, pronta para ir embora, ele estava à porta. — Pode começar amanhã — disse. — O quarto de hóspedes será seu, a empregada vai mostrar tudo que for necessário para você. Pisquei, surpresa. — Eu… morar aqui? — Facilita a rotina — respondeu. — E evita complicações. Complicações… Assenti lentamente, mesmo contrariada, não tenho muita opção. — Apenas lembre-se das regras, Helena. Passei por ele para sair do quarto, consciente demais da proximidade entre nós. Ao cruzar a porta, ouvi sua voz mais baixa, quase um aviso: — Amar não faz parte do contrato. Meu corpo reagiu antes que eu pudesse responder. E, pela primeira vez desde que cheguei, tive a estranha sensação de que aquele emprego mudaria tudo. Não sei se significa algo positivo, ou pode ser minha verdadeira perdição nessa vida. Entretanto, não é tempo para pensar nisso. Preciso buscar minhas coisas para a mudança drástica na minha vida. Talvez eu tenha feito a escolha errada. Poderia ter procurado um emprego diferente, como barista ou coisa parecida. Porém confesso amar crianças, adoro meu trabalho de babá — mesmo com a dificuldade atualmente de conseguir uma vaga. Agora que consegui uma ótima oportunidade, não posso deixar nada atrapalhar. Muito menos meus sentimentos. Apenas trabalho, nada de sentimentos.Levar Laura à escola naquela manhã pareceu mais significativo do que deveria. Talvez fosse apenas a repetição criando intimidade, ou talvez fosse o fato de que Augusto observava tudo com atenção redobrada, como se cada gesto meu precisasse ser registrado. — Você busca ela às quatro — disse ele, enquanto Laura colocava a mochila nas costas. — Como sempre — respondi. Ele assentiu, mas não se afastou de imediato. Laura percebeu. — Você vem comigo hoje? — perguntou ao pai. — Não posso — respondeu. — Trabalho. Ela fez um bico rápido, logo disfarçado. — A Helena vem — completou ele, lançando-me um olhar breve. — Então tá — disse Laura, satisfeita. No caminho até a escola, ela falou mais do que nos últimos dias. Comentou sobre uma amiga nova, sobre uma apresentação que talvez acontecesse na semana seguinte, sobre como gostava quando eu prendia seu cabelo “igual de boneca”. Ouvi tudo com atenção, respondendo quando necessário, tentando não pensar no peso silencioso que se ac
A casa demorou a voltar ao normal depois da visita de Clara. Não houve gritos nem discussões abertas, mas algo invisível parecia ter se instalado nos corredores, deixando o ar mais pesado. Laura sentiu primeiro. Ficou mais silenciosa, mais observadora, como se tentasse entender um mundo que ainda não fazia sentido para ela. Passei a manhã tentando manter a rotina. Café no mesmo horário, desenhos na mesa da cozinha, uma tentativa frustrada de convencer Laura a comer frutas. Ela obedeceu, mas sem entusiasmo. — Você fica hoje também? — perguntou pela terceira vez. — Fico — respondi, sorrindo. — Já disse. Ela assentiu, mas continuou inquieta. Augusto apareceu apenas perto do meio-dia. Estava diferente. Mais atento. Menos distante. Observava cada detalhe como se estivesse avaliando riscos invisíveis. — Como ela está? — perguntou, baixo. — Um pouco sensível — respondi. — É normal depois de mudanças emocionais. — Clara não deveria ter vindo daquele jeito — disse, passando a mão pelo
O som da campainha ecoou pela casa pouco depois das dez da manhã. Eu estava na sala de brinquedos com Laura, ajudando-a a montar um quebra-cabeça, quando ela levantou a cabeça de repente. — É ela — disse, simples demais para uma frase tão pesada. Meu corpo reagiu antes da mente. — Quem, querida? — Minha mãe. Antes que eu pudesse responder, passos firmes atravessaram o corredor. Augusto surgiu à porta, o semblante fechado, a postura rígida como se estivesse prestes a entrar numa reunião importante. — Laura, venha comigo — disse, estendendo a mão. Ela olhou para mim por um instante, como se buscasse permissão. Sorri de leve, encorajando. — Vai ficar tudo bem — falei. Eles saíram, e eu fiquei ali, com a sensação estranha de ocupar um lugar que não era meu. Respirei fundo e comecei a guardar os brinquedos, tentando ignorar as vozes que chegavam abafadas da entrada. A mulher entrou rindo. Era uma risada confiante, alta demais para o silêncio daquela casa. — Ainda tão sério, Augu
A rotina começou a se estabelecer mais rápido do que eu esperava. No terceiro dia naquela casa, já não me sentia uma visitante, mas também não era parte dela. Eu existia naquele espaço intermediário, entre o que era permitido e o que ninguém dizia em voz alta. Laura acordou bem-humorada naquela manhã. Vestiu-se sozinha, escolheu os próprios sapatos e me contou, orgulhosa, que tinha sonhado comigo. Não soube exatamente o que responder, apenas sorri e a ajudei a prender o cabelo. — Você fica hoje também? — perguntou. — Fico, sim. Ela pareceu aliviada. Na cozinha, preparei o café enquanto Laura desenhava à mesa. Augusto entrou poucos minutos depois, falando ao telefone, a voz firme, controlada. Encerrou a ligação ao nos ver e ficou parado por um instante, observando a cena simples diante dele. — Bom dia — disse. — Bom dia — respondi, mantendo a distância dentro de mim. Ele se aproximou da filha, beijou-lhe o topo da cabeça e pegou uma xícara. Seus olhos passaram por mim rápido de
Acordei antes do despertador tocar, com a sensação estranha de estar em uma casa alheia. O quarto de hóspedes era grande, silencioso e organizado demais, como se ninguém tivesse vivido ali por muito tempo. Levantei devagar, tentando lembrar que aquele não era um teste, mas meu primeiro dia oficial como babá de Laura Menezes. Vesti uma calça confortável, uma blusa clara e prendi o cabelo num coque simples. Nada que chamasse atenção. Nada que pudesse ser interpretado como algo além de profissional. Repeti isso mentalmente enquanto atravessava o corredor em direção à cozinha. O cheiro de café já estava no ar. Augusto estava ali, encostado na bancada, lendo algo no tablet. Sem terno dessa vez, apenas uma camisa social de mangas dobradas. A imagem doméstica combinava pouco com o homem frio do escritório, e precisei me lembrar de manter distância. — Bom dia — cumprimentei, baixa. Ele ergueu o olhar apenas o suficiente para me registrar, parecendo desinteressado, mas intrigado ao m
O portão da mansão se abriu lentamente, e eu precisei conter o impulso de ajeitar o vestido pela terceira vez em menos de um minuto. Não era um vestido especial — simples, azul-claro, discreto demais para aquele lugar —, mas de repente tudo em mim parecia pequeno diante da imponência da casa. Respirei fundo antes de tocar a campainha. Eu precisava daquele emprego. A entrevista tinha sido estranhamente rápida por telefone. Poucas perguntas, uma exigência clara de confidencialidade e um salário que parecia alto demais para cuidar de apenas uma criança. Ainda assim, ali estava eu, com a bolsa apertada contra o corpo e a sensação de que estava prestes a atravessar uma linha invisível. A porta foi aberta por uma mulher elegante, de postura impecável. — Você deve ser a babá — disse, avaliando-me da cabeça aos pés. — Sim. Sou a Helena. Ela assentiu e abriu espaço para eu entrar. O interior da casa era silencioso, amplo e frio. Tudo parecia no lugar certo, como se ninguém ousa





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