O som da campainha ecoou pela casa pouco depois das dez da manhã. Eu estava na sala de brinquedos com Laura, ajudando-a a montar um quebra-cabeça, quando ela levantou a cabeça de repente. — É ela — disse, simples demais para uma frase tão pesada. Meu corpo reagiu antes da mente. — Quem, querida? — Minha mãe. Antes que eu pudesse responder, passos firmes atravessaram o corredor. Augusto surgiu à porta, o semblante fechado, a postura rígida como se estivesse prestes a entrar numa reunião importante. — Laura, venha comigo — disse, estendendo a mão. Ela olhou para mim por um instante, como se buscasse permissão. Sorri de leve, encorajando. — Vai ficar tudo bem — falei. Eles saíram, e eu fiquei ali, com a sensação estranha de ocupar um lugar que não era meu. Respirei fundo e comecei a guardar os brinquedos, tentando ignorar as vozes que chegavam abafadas da entrada. A mulher entrou rindo. Era uma risada confiante, alta demais para o silêncio daquela casa. — Ainda tão sério, Augu
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