Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlessandro Di' Giovanni retornou das cinzas com um único propósito: destruir os Sullivan, a família que o deixou órfão e na rua há quinze anos. Seu plano é gélido e perfeito: asfixiar seu inimigo e tomar sua filha, Audrey, como o troféu final de sua vingança. Mas, após uma noite de paixão, Audrey desaparece. Cinco anos depois, o bilionário a encontra no lugar menos esperado, descobrindo que ela não apenas fugiu com seu orgulho, mas com um segredo que ele jamais imaginou: dois gêmeos que são sua imagem viva. Agora, Alessandro não quer apenas recuperar seu patrimônio; ele quer reivindicar seus herdeiros e submeter a mulher que se atreveu a enganá-lo. Neste jogo de poder e traição, Audrey deverá decidir se o homem que busca destruir seu pai é o carrasco de seu futuro ou o único capaz de proteger seus filhos. O que pesa mais: uma dívida de sangue ou o clamor de um coração ferido?
Ler maisAudrey Sullivan acordou em uma cama estranha, presa entre lençóis de seda e o pecado de uma noite que jurou que seria sua liberdade, mas que acabou sendo sua condenação. O silêncio no quarto era tão pesado que a jovem podia ouvir o batimento errático de seu próprio coração ecoando contra suas costelas. O som suave e rítmico de uma respiração alheia a recebeu ao abrir os olhos. Sentia suas pálpebras tão pesadas como se tivessem sido seladas com chumbo. A luz que filtrava pelas cortinas daquela suíte de hotel a cegou por um instante, obrigando-a a piscar com torpeza até que o luxo que a rodeava ganhasse nitidez.
O primeiro que Audrey experimentou foi o toque frio dos lençóis sobre sua pele nua. Um calafrio percorreu sua coluna quando, ao virar a cabeça, deparou-se com uma imagem que lhe roubou o fôlego: um homem jazia ao seu lado. O desconhecido dormia profundamente, com o torso descoberto, revelando costas largas e uma pele bronzeada que denunciava uma masculinidade imponente. O que eu fiz?, perguntou-se ela em um grito silencioso, enquanto o pânico começava a subir por sua garganta como uma hera venenosa. Sua mente, ainda nublada, começou a evocar memórias fragmentadas. O bar, o brilho das taças de cristal e as risadas de Hanna e Gael. Lembrou-se de como seus amigos a instigaram a beber, celebrando que finalmente Audrey Sullivan quebrava as correntes invisíveis de seu sobrenome. Aquela noite, o álcool não foi apenas uma bebida; foi o combustível de uma rebelião desesperada para sentir, nem que fosse por algumas horas, que era dona de seu próprio destino. Mas agora, ao observar o homem ao seu lado, a liberdade tinha gosto de cinzas. Ela tentou se levantar com cuidado, evitando que o colchão rangeu. Ao observar melhor o homem, uma pontada de reconhecimento a atingiu com a força de um raio. Os traços afiados, a mandíbula firme... era ele. O mesmo moreno que ela havia beijado no bar por impulsividade. A julgar por suas roupas de marca, tratava-se de alguém de uma posição social imponente. Saiu do quarto quase sem tocar o chão, com o coração martelando contra seus ouvidos e a amarga certeza de que aquela noite se tornaria a corrente mais pesada que jamais teria de carregar. Audrey cruzou o umbral de sua mansão tentando ocultar a desordem de seu espírito, mas o silêncio habitual havia sido substituído pelo estrondo de uma discussão violenta. Ao se aproximar do escritório, as vozes de seus pais filtravam através da madeira, carregadas de uma desesperação que ela jamais ouvira. — Perdemos tudo, Olivia! — berrou Eliot, seu pai, cuja voz soava quebrada. — Aquele maldito negócio foi uma armadilha. Fui enganado diante dos meus próprios olhos. — Mas alguém comprou as ações, Eliot... — soluçou sua mãe. — Você disse que um investidor nos salvaria. Nem tudo está perdido... A jovem gelou atrás da porta. Ao entrar, encontrou seu pai afundado em sua poltrona, com o rosto oculto entre as mãos. A empresa, o orgulho da dinastia Sullivan, estava em falência técnica. — Não é um salvador, Olivia, é um carrasco — replicou Eliot, levantando o olhar para encontrar sua filha. — Alessandro Di' Giovanni comprou cada uma de nossas dívidas. Mas não o fez por caridade. Aquele nome representava o rival mais implacável do setor. Um homem cuja crueldade nos negócios já era uma lenda. — O que ele quer em troca? — perguntou Audrey, com um pressentimento amargo. Eliot guardou silêncio, incapaz de sustentar o olhar de sua única filha, e deslizou um documento sobre a mesa. — Ele quer você, Audrey — soltou Eliot com um fio de voz. — Alessandro Di' Giovanni comprou nossas dívidas. O contrato exige que você seja a esposa dele ou terminaremos na rua. Audrey sentiu um vazio no estômago. O nome de Di' Giovanni era sinônimo de poder e crueldade, mas não tinha rosto. Enquanto subia para seu quarto, uma pergunta a queimava por dentro. Quem era esse carrasco? E quais eram as chances de o destino ser tão retorcido a ponto de cruzá-la novamente com o estranho da suíte do hotel? O medo era real, mas a dúvida era uma tortura ainda pior.O silêncio que se seguiu foi elétrico. A fúria dela, misturada com a dor da traição que sentia por parte dele, criou uma atmosfera sufocante. Alessandro a mantinha imobilizada, mas seu olhar vacilou ao ver o desespero genuíno no rosto da castanha.Estavam tão perto que compartilhavam o mesmo ar, suas respirações misturando-se em um ritmo errático. A luz da tarde realçava a palidez dela e a dureza nas feições dele. Apesar do ódio e da desconfiança, a tensão sexual atingiu o ponto de não retorno. Alessandro afundou o rosto na curva do pescoço dela, respirando seu perfume com uma possessividade selvagem.— Ele pediu para você me apaixonar... — murmurou ele contra a pele dela, a voz tornando-se perigosamente sombria. — E você acha que conseguiria, sabendo que não consigo parar de vigiar cada um de seus passos?— Você já fez isso — respondeu ela com um fio de voz, fechando os olhos diante do contato. — Porque você não vigiaria com tanta fúria alguém que não se importasse com você.O relógi
Olhou-se no espelho. A mulher radiante de dez minutos atrás havia desaparecido, substituída por uma sombra pálida e cheia de dúvidas. Forçou-se a se recompor, a alisar o vestido e a secar a umidade dos olhos, mas a faísca havia se apagado.Quando voltou à mesa, Alessandro notou a mudança na mesma hora. Audrey não se sentou com a mesma naturalidade de antes; fê-lo com rigidez, evitando o olhar dele. Matthew e Emma continuavam falando dos peixes, mas ela mal assentiu aos comentários deles.Alessandro a observou com a testa levemente franzida. Seus olhos escuros, peritos em ler os microgestos das pessoas, detectaram a tensão nos ombros dela e a tristeza que tentava ocultar por trás de um sorriso forçado.— Está tudo bem? — perguntou ele em voz baixa, inclinando-se para ela.— Sim... só um pouco cansada — mentiu, embora soubesse que ele não acreditava. — Foi um dia longo.O moreno permaneceu em silêncio, mas seu olhar tornou-se escrutinador. Sabia que algo havia acontecido naqueles minuto
O aquário-restaurante L’Abisso era um santuário de cristal e sombras azuladas situado no coração da cidade. Ao entrar, o alvoroço do trânsito desaparecia, substituído pelo suave murmúrio da água filtrada e pelo movimento hipnótico de milhares de peixes que deslizavam por trás das paredes de vidro reforçado. A mesa que Alessandro havia reservado estava estrategicamente situada em frente ao tanque principal, onde uma arraia de dimensões colossais planava com elegância sobre suas cabeças.Os gêmeos estavam colados ao vidro, com os narizes quase tocando a superfície fria, apontando com assombro para cada brilho prateado. Alessandro observava a cena com uma calma incomum. Naquela noite, ele havia tirado a armadura de empresário; vestia uma camisa de linho azul-escuro com os primeiros botões abertos, e sua linguagem corporal era mais relaxada.No entanto, sua atenção voltava, repetidas vezes, para a mulher sentada à sua frente.Audrey havia se arrumado com uma simplicidade que chegava a ser
Aproximou-se lentamente. Quando a castanha levantou o olhar e seus olhares se cruzaram, ela não sustentou o contato. Desviou o olhar imediatamente, voltando-o para o livro com uma expressão de total indiferença, aquela máscara de frieza que ela dominava tão bem quanto ele.Alessandro sentou-se ao seu lado, mantendo uma distância prudencial. O silêncio tornou-se pesado, interrompido apenas pelos gritos distantes das crianças. O perfume de Audrey, aquela mistura de sabonete limpo e algo floral, atingiu-o com força, lembrando-o de por que se sentia como lixo desde a noite do incidente.Audrey sentia o coração martelando contra as costelas. A simples presença dele lhe causava uma reviravolta de emoções que ela odiava. Queria estar com raiva, queria odiá-lo pelo que viu no saguão, mas a decepção era um sentimento muito mais difícil de gerir. Por que ela se sentia tão desiludida?Alessandro pigarreou, quebrando finalmente o mutismo.— Você pode levá-los para onde quiser — emitiu, sua voz ba





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