Mundo ficciónIniciar sesiónAna, uma estudante de medicina no último ano, aceita um emprego temporário de verão como empregada doméstica na mansão de Albert Whinches, o homem mais rico dos Estados Unidos. Desesperada para pagar as últimas parcelas da faculdade após perder o emprego anterior, ela entra em um ambiente rígido, cheio de regras absurdas e um patrão frio, exigente e intimidante. Albert é conhecido por sua frieza emocional. Nunca se envolveu emocionalmente com ninguém — seus relacionamentos se resumem a encontros casuais e sem compromisso. Ele humilha Ana nos primeiros dias, cobrando perfeição e tratando-a com superioridade. Porém, aos poucos, pequenos gestos começam a surgir. Ana, por sua vez, evita se envolver. Apesar da atração inegável, ela se protege: não quer ser apenas mais uma mulher que passa pela cama dele e desaparece na manhã seguinte. Com a vida já difícil — órfã, dependente apenas de si mesma e da amiga Lívia —, ela luta para manter o profissionalismo e não se apaixonar por um homem que parece incapaz de amar. No entanto, quanto mais tempo passam juntos, mais Albert se desestabiliza. Ele, que sempre foi extremamente reservado e difícil de se abrir, começa a revelar camadas escondidas de seu passado traumático, inseguranças e solidão. Aos poucos, o homem frio e controlado se apaixona profundamente por Ana, de forma intensa e avassaladora. Pela primeira vez na vida, ele luta para conquistar alguém que não se rende facilmente ao seu poder ou dinheiro. A história acompanha a tensão entre o desejo e o medo, o confronto entre dois mundos opostos e a transformação lenta de um bilionário solitário que, pela primeira vez, se permite amar — e de uma jovem forte que aprende que nem todo homem rico é incapaz de entregar o coração.
Leer másChego à entrada da mansão do senhor Albert Whinches, estaciono meu carro ao lado do portão de ferro alto e respiro fundo antes de tocar a campainha. O ar está fresco, com um leve cheiro de grama recém-cortada. A governanta, uma mulher de uns cinquenta anos, cabelo preso em coque firme e uniforme cinza impecável, abre o portão e me recebe com um aceno curto.
— Você deve ser a nova candidata. Sou a senhora Hargrove. Venha comigo. Caminho atrás dela pelo caminho de cascalho que leva à porta principal. A mansão se ergue imponente, com paredes de pedra clara, janelas altas e um telhado que se estende por vários níveis. Entramos no hall principal e observo o espaço amplo: o piso de mármore brilha sob a luz que entra pelos vitrais do teto, um lustre de cristal pende no centro, e ao fundo uma escadaria curva sobe para os andares superiores. Quadros grandes cobrem as paredes, e vasos com flores frescas descansam sobre mesas laterais. O lugar parece vasto e silencioso. A senhora Hargrove me guia por um corredor longo até uma porta dupla de madeira escura. Ela b**e duas vezes e abre. — Senhor Whinches, a candidata chegou. Entro na sala e vejo o homem sentado atrás de uma mesa grande de carvalho. Albert Whinches tem cerca de quarenta anos, cabelo castanho escuro bem penteado, olhos verdes atentos e traços definidos. Ele veste uma camisa branca simples, com as mangas dobradas até os antebraços, e mantém a postura ereta. A luz da janela atrás dele ilumina o espaço organizado, com estantes cheias de livros e alguns documentos empilhados com cuidado. — Sente-se — diz ele, com voz calma e direta, apontando para a cadeira à frente da mesa. Sento-me e entrelaço as mãos no colo. — Bom dia, senhor Whinches. Meu nome é Ana. Obrigada pela oportunidade. — Ajusto meus cabelos ruivos. Ele me observa por um momento, depois pega uma folha de papel com minhas informações. — Lívia recomendou você. Preciso de uma nova empregada doméstica para o verão. O trabalho inclui limpeza das áreas comuns, organização dos quartos de hóspedes, manutenção da cozinha e qualquer tarefa que a senhora Hargrove indicar. Você trabalhará seis dias por semana, com folga na segunda. O horário começa às sete da manhã e termina às seis da tarde, com uma hora de almoço. Concordo com a cabeça. — Entendido. Estou disposta a aprender as rotinas. Ele continua, enumerando as regras da casa com tom neutro: — Nada de música alta em nenhuma área. Nada de telefone durante o expediente, exceto em emergências. Os quartos do segundo andar só podem ser acessados com permissão prévia. Não se aproxima da ala oeste sem aviso. Nada de visitantes sem autorização. E nada de perguntas sobre assuntos pessoais. Cumprir isso é obrigatório. Enquanto ele fala, penso que essas regras parecem excessivas e desnecessárias para um emprego de verão. Esse homem parece bastante problemático e controlado. Por um instante, considero dizer que não vai dar certo e sair dali. Mas lembro do valor da mensalidade da faculdade de medicina que ainda falta pagar, do emprego de garçonete que perdi há duas semanas e da ajuda que Lívia me deu para conseguir essa vaga. Preciso do dinheiro. Aceito. — Sim, senhor. Vou respeitar todas as regras. Ele assente, satisfeito. — Bom. Vou mostrar a mansão para você se familiarizar. Levantamos e ele me guia pelos cômodos. Primeiro, passamos pela sala de estar principal, com sofás de tecido claro, uma lareira de pedra e janelas que dão para o jardim dos fundos. A cozinha é ampla, com bancadas de granito, armários claros e equipamentos modernos alinhados. Subimos a escadaria e ele mostra o corredor do primeiro andar, com vários quartos de hóspedes decorados de forma simples e elegante, cada um com banheiro privativo. No segundo andar, indica a ala oeste, que permanece fechada, e aponta para o escritório maior onde ele passa a maior parte do tempo. Descemos novamente e percorremos a área de serviço, a lavanderia e o jardim lateral, onde há uma piscina coberta e um pequeno bosque ao fundo. Tudo está limpo, organizado e silencioso. — Você começa amanhã, às sete em ponto — diz ele ao final do tour. — A senhora Hargrove vai explicar os detalhes práticos. Agradeço e saio da mansão, sentindo o peso do dia. Mais tarde, dirijo meu carro velho até a oficina onde Lívia trabalha com o pai. O motor ronca baixo, mas agora funciona melhor depois dos consertos. Estaciono e entro no espaço com cheiro de óleo e metal. Lívia está limpando as mãos em um pano, o cabelo preso em rabo de cavalo e o macacão sujo de graxa. — Ana! Como foi? Conseguiu? — pergunta ela, com um sorriso largo. — Consegui sim. Começo amanhã. Ela solta um gritinho animado e me abraça rapidamente. — Que ótimo! Eu sabia que ia dar certo. O senhor Whinches é meio estranho com as regras, mas o pagamento é bom, né? Você vai conseguir terminar de pagar a faculdade rapidinho. — É, as regras são chatas. Nada de telefone, nada de música, quartos proibidos… Parece que estou entrando em um quartel. Mas preciso mesmo do dinheiro. E você, como estão as aulas? Lívia ri e encosta no banco de trabalho. — As mesmas coisas de sempre. O professor de anatomia ainda cobra aqueles mapas absurdos. E você, conseguiu recuperar aquela matéria de bioquímica que estava pendurada? — Ainda estou correndo atrás. Perdi muita coisa por causa do emprego antigo. Mas agora com esse horário fixo, vou conseguir estudar à noite. Lembra quando a gente ficava até tarde na biblioteca da faculdade reclamando das provas? — Como esquecer? A gente tomava aqueles cafés horríveis da máquina e jurava que ia desistir toda semana. Agora olha só nós duas, você na mansão do homem mais rico do país e eu aqui sujando as mãos de graxa. Pelo menos vamos pagar as contas. Conversamos mais um pouco sobre as turmas do próximo semestre, os professores chatos e os planos para o fim do verão, rindo das situações que vivemos juntas na faculdade. O papo leve me faz sentir mais leve depois do dia tenso. Despeço-me dela prometendo contar mais detalhes amanhã e volto para o carro, pronta para o que vem pela frente.Volto para a mansão na terça-feira com o corpo cansado da viagem, mas a cabeça ainda fervendo com tudo o que aconteceu na fazenda. A senhora Hargrove está de volta e me recebe com sua habitual eficiência. O dia começa normal: limpo a sala de jantar, organizo a biblioteca e ajudo na cozinha. Albert passa por mim algumas vezes sem dizer nada, mas sinto seu olhar me acompanhando.No final da tarde, quando estou sozinha na lavanderia dobrando lençóis, a porta se fecha atrás de mim. Viro-me e ele está lá, de braços cruzados, bloqueando a saída. O ar muda imediatamente.— Precisamos conversar — diz ele, a voz baixa e firme.— Não temos nada pra conversar, Albert. Eu já disse tudo que precisava.Ele se aproxima devagar, parando a menos de um metro de mim. Seus olhos estão escuros, intensos.— Você me deu um tapa. Na minha própria casa. E depois me mandou embora como se eu fosse qualquer um.— Você tentou me beijar à força — respondo, erguendo o queixo. — O que você esperava?Ele respira fund
A mansão desperta mais cedo do que o normal. Desde as seis da manhã, caminhões entram e saem pelos portões carregando flores, mesas, equipamentos de iluminação e caixas de bebidas. Hoje acontece o tradicional evento beneficente organizado por Albert Whinches, e a casa inteira está em movimento. Assim que chego, a senhora Hargrove já me entrega uma lista enorme.— Hoje esqueça a rotina normal. Você vai ajudar na recepção e servir os convidados. O senhor Whinches quer tudo impecável.Passo a manhã inteira organizando o salão principal. Arrumo mesas, posiciono arranjos de flores, confiro os talheres e ajudo a cozinha a preparar bandejas de canapés. O cheiro de comida sofisticada toma conta da casa.Quando anoitece, troco o uniforme de limpeza por um vestido social preto, simples e elegante, usado apenas pelos funcionários durante eventos. Prendo o cabelo em um coque e pego uma bandeja cheia de taças de espumante.Os primeiros convidados começam a chegar. Empresários, médicos, artistas. F
Alguns dias depois, durante o almoço na cozinha de serviço, comentei casualmente com Albert que gostaria de folga no próximo feriado prolongado. Para minha surpresa, ele concordou sem reclamar. No mesmo dia, à noite, Lívia, Cláudio e eu combinamos tudo por chamada de vídeo:— Vamos pra fazenda do meu pai! — diz Cláudio animado. — Tem piscina, churrasqueira, cavalos e muito espaço. Vai ser top!Aceitamos na hora. Passamos os dias seguintes nos preparativos: compramos carne, cerveja, salgadinhos, protetor solar e roupas leves. Eu arrumei uma mala pequena com biquíni, shorts e vestidos leves. Lívia fez uma playlist enorme chamada “Churrasqueira e Fofoqueira”.No feriado, saímos cedo. Dirigimos por quase quatro horas até a fazenda de Cláudio, no interior do estado. O lugar é lindo. A casa principal é uma construção antiga e charmosa de madeira, com varanda ampla. Ao redor, um gramado verde enorme, uma piscina cristalina, um pequeno lago e árvores frutíferas por todos os lados. O ar é pur
No final de semana seguinte, Cláudio aparece lá em casa com uma sacola cheia de carne. Lívia e eu já tínhamos comprado carvão, cerveja gelada e salada. Montamos um churrasquinho improvisado na pequena área externa do prédio.Cláudio liga o som no volume máximo, tocando funk e sertanejo misturado. O cheiro de carne na grelha sobe rápido.— Olha só esse cheiro! — diz Cláudio, virando as carnes com orgulho. — Isso aqui é churrasco raiz, não aquela coisa gourmet que o seu patrão bilionário deve comer.— Nem me fala do bilionário — respondo, rindo enquanto abro uma cerveja. — Tô tentando esquecer ele esse final de semana.Lívia dança ao som da música, já de short e chinelo.— Esquecer nada! Ele tá na sua cabeça 24 horas por dia. Ontem você até falou o nome dele dormindo.— Mentira sua! — grito, jogando um pedaço de pão nela.Cláudio ri alto.— Caralho, Ana. Você tá apaixonada pelo patrão? Isso é filme da Sessão da Tarde.— Não tô apaixonada! O homem quase me beijou essa semana. Completamen





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