"Nunca precisei aprender "

Volto para a mansão na terça-feira com o corpo cansado da viagem, mas a cabeça ainda fervendo com tudo o que aconteceu na fazenda. A senhora Hargrove está de volta e me recebe com sua habitual eficiência. O dia começa normal: limpo a sala de jantar, organizo a biblioteca e ajudo na cozinha. Albert passa por mim algumas vezes sem dizer nada, mas sinto seu olhar me acompanhando.

No final da tarde, quando estou sozinha na lavanderia dobrando lençóis, a porta se fecha atrás de mim. Viro-me e ele está lá, de braços cruzados, bloqueando a saída. O ar muda imediatamente.

— Precisamos conversar — diz ele, a voz baixa e firme.

— Não temos nada pra conversar, Albert. Eu já disse tudo que precisava.

Ele se aproxima devagar, parando a menos de um metro de mim. Seus olhos estão escuros, intensos.

— Você me deu um tapa. Na minha própria casa. E depois me mandou embora como se eu fosse qualquer um.

— Você tentou me beijar à força — respondo, erguendo o queixo. — O que você esperava?

Ele respira fundo, como se estivesse se controlando.

— Eu não queria te forçar. Eu só… perdi o controle. Você me deixa assim. Eu nunca precisei correr atrás de ninguém, Ana. Nunca precisei implorar atenção. E você fica me ignorando, saindo com seus amigos, postando fotos como se eu não existisse.

Dou um passo para trás, encostando na máquina de lavar.

— Porque você não entende, né? Pra você tudo é posse. Você quer me ter como tem as outras: fácil, rápido, descartável. Eu não sou assim.

Albert diminui a distância novamente. Agora estamos muito próximos. Posso sentir o calor do corpo dele e o cheiro familiar de seu perfume.

— Não é só isso — murmura ele. — Não é só sexo. Você me faz questionar tudo. Eu fico pensando em você o dia inteiro. No jeito como você me enfrenta, como não tem medo de me dizer não. Isso me assusta pra caralho.

A voz dele fica mais rouca. Ele levanta a mão lentamente e toca meu rosto, passando o polegar pela minha bochecha. Dessa vez o toque é gentil, quase reverente. Meu corpo trai meu cérebro e eu fecho os olhos por um segundo.

— Albert… — sussurro.

Ele se inclina e me beija. Não é forçado como na fazenda. É lento, intenso, cheio de tudo que ficou represado. Por um momento eu correspondo, sentindo o calor subir pelo corpo, a mão dele na minha cintura me puxando para mais perto. O beijo fica mais profundo, urgente. Minhas mãos sobem até o peito dele, sentindo o coração acelerado.

De repente, recupero o controle. Empurro o peito dele com força e me afasto, ofegante.

— Não — digo, a voz tremendo. — Eu não vou fazer isso.

Albert fica parado, respirando pesado, os olhos ainda fixos em mim.

— Por que você luta tanto contra isso? — pergunta ele, quase desesperado.

— Porque eu sei como termina e eu não quero.— respondo, com os olhos marejados. — Você vai se cansar, vai voltar pra suas noites vazias e eu vou ficar aqui, destruída, limpando a bagunça que você deixou. Eu mereço mais que isso, Albert. Mereço alguém que me queira de verdade, não só quando está com tesão ou com ciúme.

Ele fica em silêncio, me olhando como se estivesse sentindo dor física. Depois passa a mão no rosto e dá um passo para trás.

— Eu não sei como fazer isso direito — confessa ele, quase num sussurro. — Nunca precisei aprender.

— Então aprenda — digo, abrindo a porta da lavanderia. — Ou me deixe em paz.

Saio da sala sem olhar para trás, o corpo todo tremendo e os lábios ainda formigando do beijo. Subo as escadas correndo e me tranco no banheiro de serviço por alguns minutos, tentando acalmar a respiração.

O beijo foi intenso, real e perigoso.

E eu sei que, a partir de agora, nada mais vai ser como antes.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App