Mundo ficciónIniciar sesiónUma traição. Uma noite. Uma proposta capaz de mudar tudo. Kaily acreditava que conhecia o homem que amava. Até descobrir que ele a traía com sua própria irmã. Ferida e humilhada, ela se recusa a terminar aquela história apenas como a vítima. Em um impulso de vingança, decide passar uma única noite com um desconhecido antes de colocar um ponto final no seu relacionamento. Determinada a recomeçar, Kaily consegue um emprego na mesma empresa onde o ex-namorado e a irmã trabalham. Cercada pelas pessoas que destruíram sua confiança, ela promete que nunca mais deixará ninguém pisar nela novamente. Contudo, o destino parece ter outros planos. O homem desconhecido com quem ela passou aquela noite é ninguém menos que Adrian Laurent: o diretor-geral da empresa, seu novo chefe, primo do seu ex... e o amigo de infância que desapareceu de sua vida dez anos atrás. Enquanto seu ex luta para se tornar o próximo CEO do Grupo Helbram, Adrian tenta manter distância da única mulher que nunca conseguiu esquecer. Até que Kaily faz uma proposta inesperada: um casamento por contrato. Para Kaily o casamento é apenas uma forma de atingir as pessoas que destruíram sua vida e finalmente se vingar. Para Adrian, porém, é a oportunidade que o destino lhe negou dez anos antes: conquistar o coração da mulher que sempre amou. Mas quando sentimentos antigos, ambições perigosas e segredos enterrados voltam à superfície, Kaily precisará decidir o que deseja mais: vingança... ou uma segunda chance para ser feliz.
Leer másO escritório ficou em silêncio de repente.
Adrian inclinou levemente a cabeça para o lado e franziu o cenho, os olhos estreitando-se com desconfiança, como se tentasse confirmar se havia realmente ouvido o que pensava ter ouvido, ou se sua mente estava lhe pregando uma peça. À sua frente, Kaily permaneceu completamente imóvel. A postura ereta, os ombros firmes, o olhar cravado nele sem qualquer hesitação. Não havia traço de dúvida em sua expressão, apenas determinação, o que tornava tudo ainda mais perturbador. Ele a observou por alguns segundos antes de finalmente quebrar o silêncio: — Eu entendi bem? — ele deu um passo em direção a ela — Você está me propondo um casamento por contrato? — Você ouviu perfeitamente. A resposta veio firme, e isso fez com que o ambiente pesasse ainda mais. Adrian ficou em silêncio outra vez, agora analisando-a com mais profundidade. Seu olhar percorreu o rosto dela em busca de qualquer sinal de hesitação: um tremor, um desvio de olhar, qualquer indício de que aquilo pudesse ser apenas um impulso. Mas não encontrou nada. Kaily sustentava o olhar dele com uma frieza impressionante. Não piscou mais do que o necessário, não moveu um músculo sequer… Era uma proposta pensada com antecedência. Quando a realidade finalmente o atingiu, Adrian soltou uma risada seca e curta, quase ofensiva. Com um sorriso debochado nos lábios, ele perguntou: — Por que eu? Se quer um casamento falso, pode propor isso a qualquer um. — Porque você é a minha melhor opção. O sorriso nos lábios de Adrian desapareceu no mesmo instante, como se nunca tivesse existido. Aquelas palavras, que à primeira vista poderiam soar como um elogio, não só o ofendiam, feriam-no profundamente. Seus olhos escureceram levemente, e a tensão em sua mandíbula tornou-se visível enquanto ele a contraía, segurando qualquer resposta mais impulsiva. “Agora eu sou sua melhor opção?” — o pensamento ecoou em sua mente com amargura. Ele não precisava nem perguntar qual o motivo por trás daquele pedido inusitado. Com certeza, ela foi motivada a fazer essa proposta absurda por causa de Erick. Adrian respirou lentamente, como se tentasse controlar algo que ameaçava escapar, e então voltou a encará-la com um olhar mais afiado, carregado de intenção. — O que fizemos já não foi suficiente para você se vingar? — perguntou, com tom de voz insinuativo. Kaily engoliu em seco, e pela primeira vez sua firmeza vacilou, ainda que de forma sutil. Seus dedos se tensionaram ao lado do corpo, e seu olhar perdeu o foco por um breve instante. A lembrança daquela noite atravessou sua mente como um relâmpago. Um episódio que ela vinha tentando esquecer. *Alguns dias atrás* A música era alta demais. Ao redor, corpos se moviam e se chocavam, risadas explodiam, lábios se encontravam. Era o tipo de lugar perfeito para pôr em prática um plano de vingança: uma noite com um desconhecido, que facilmente poderia ser esquecida depois, mas que ainda assim traria o sentimento de conforto que Kaily precisava naquele momento. Kaily girava lentamente o líquido no copo de vidro. Por mais que o ambiente parecesse exigir, ela apenas bebia um coquetel não alcoólico. — Você parecia mais decidida antes de chegar aqui. Está arrependida? — a voz da amiga veio carregada de leve irritação, puxando-a de volta para a realidade. — É claro que não… Hoje eu não vou sair por baixo — respondeu, com firmeza. A amiga soltou uma risada desacreditada, balançando a cabeça. — Você tem certeza? Por mais que eu te apoie, não quero que faça algo de que vá se arrepender depois… Esse tipo de atitude não combina com você. Kaily não respondeu. E foi exatamente isso que confirmou tudo. Por um segundo, ela hesitou. Era inegável que ela estava nervosa. E então a lembrança a atingiu outra vez, sem aviso: porta do quarto entreaberta, revelando mais do que deveria; os gemidos que não faziam questão de ser contidos; e, no centro daquela cena que parecia cruel demais para ser verdade, Erick e Cíntia. Seu namorado e sua irmã transando na cama onde, tantas vezes, ele a havia abraçado, onde sussurrava promessas de amor com uma naturalidade que agora parecia irreal. O que mais a destruiu não foi apenas o ato em si, mas a forma como tudo parecia natural demais. Como se aquilo já estivesse acontecendo havia muito tempo, como se ela fosse a única peça deslocada naquela história. Seu estômago revirou novamente ao reviver a cena, a náusea subindo pela garganta como se estivesse novamente no momento em que descobriu tudo. A música da boate voltou com força, puxando-a para o presente. A lembrança, em vez de quebrá-la, alimentou sua determinação. — Eu já estou arrependida, — disse, finalmente — não tem como piorar. — E o que você pretende fazer? Você não vai conseguir nada ficando aqui parada. Os olhos de Kaily se moveram pelo ambiente, avaliando as possíveis opções. Alguns homens olharam de volta, interessados, uns até fizeram um convite com os olhos. Mas ainda faltava algo. Não nas pessoas ao redor, mas nela mesmo. Talvez um pouco de atitude ou… coragem. — Ainda não sei — murmurou. A própria resposta fez seu coração bater mais rápido, não de indecisão, e sim de raiva. De raiva de si mesma por não fazer nada, mesmo com toda aquela determinação. Ela abaixou o olhar para o copo em sua mão, observando o líquido enquanto as luzes da balada dançavam em sua superfície, criando reflexos distorcidos. “Quem vem a uma balada para beber algo assim?” — ela pensou, zombando de si mesma. Kaily colocou o copo sobre a mesa com um leve toque seco. — Eu vou ao bar. Sua amiga abriu a boca, talvez para impedi-la, ou para questioná-la, mas Kaily já estava de pé antes que qualquer palavra fosse dita. Ela se moveu, desviando das pessoas com certa dificuldade. Contudo, não precisou andar muito para deter seus passos. Seus olhos encontraram uma figura que fez seu corpo inteiro enrijecer: Erick. Ele estava ali. Instintivamente, Kaily recuou o suficiente para não ser vista, o coração batendo forte contra o peito. Ainda assim, não resistiu e olhou novamente, como se quisesse confirmar que era ele mesmo. Sim, era ele. E não estava sozinho. Alguns amigos o acompanhavam, e todos foram conduzidos por um funcionário em direção a uma sala privada, longe da pista principal. “— Filho da put@. Ele teve a cara de pau de me dizer que iria encontrar um amigo que estava voltando de viagem.” O sangue ferveu em suas veias ao vê-lo ali. Seus dedos se fecharam em punhos, e por um segundo ela considerou ir até lá confrontá-lo, acabar com aquela farsa ali mesmo, mas conteve o súbito desejo. Ela não podia armar um escândalo ali. “Se acalme, Kaily.” Ela apertou os punhos, tanto que os nós dos seus dedos ficaram brancos. Foi nesse momento que ela decidiu que não deveria voltar atrás da sua decisão. Sem hesitar novamente, virou-se e seguiu em direção ao bar. O balcão iluminado contrastava com o restante da pista, as garrafas organizadas brilhando sob a luz. Ela puxou uma banqueta e se sentou, mantendo a postura rígida. Havia um barman de costas para ela, um pouco distante, ocupado com outra coisa, mas era o único que parecia disponível naquele momento. Kaily respirou fundo mais uma vez, tentando estabilizar a própria voz, antes de falar: — Eu preciso de uma bebida.O silêncio entre eles se estendeu por um segundo a mais.Kaily percebeu certo conflito no olhar dele. Por um instante, ela viu a si mesma refletida não apenas naqueles olhos, mas também em suas palavras. — Então permita que esse desejo continue ardendo. E me mostre o quão forte ele queima. Um sorriso discreto surgiu no canto da boca do barman. E Kaily sentiu o aperto em sua cintura se tornar mais firme, enquanto os lábios dele se aproximaram.— Não tem como negar um pedido desses. A mão que estava em sua cintura subiu até a nuca dela, os dedos se enrolando nos fios do cabelo com uma firmeza que não permitia hesitação. Então ele a puxou para um beijo.Kaily soltou um som baixo contra os lábios dele, surpresa pela intensidade, mas se entregou imediatamente. O gosto do vinho ainda estava na boca dele, e ela se permitiu embriagar pelo toque quente dos seus lábios.A outra mão do homem deslizou pela coxa dela, pressionando a pele nua sob a saia curta do vestido. Kaily deslizou as m
Quando a porta do elevador abriu, Kaily deu um passo para fora, os saltos ecoando suavemente pelo chão. Ela parou diante da única porta do andar, um pouco descrente, então olhou para o cartão em sua mão. Ainda relutante, pensando ter entendido errado as palavras do barman, ela passou o cartão pelo leitor, e a porta se abriu. Assim que atravessou a entrada, seus olhos se perderam no espaço ao redor… O lugar era absurdo. As paredes eram de vidro, do chão ao teto, revelando a cidade iluminada ao redor, como um espetáculo de luzes. Acima, o céu noturno se estendia amplo e limpo. Kaily caminhou lentamente até a janela, o ar fresco tocando sua pele. “— Isso que ele quis dizer com ‘uma noite no céu’?” O pensamento veio espontâneo. Ela continuou andando, passando a mão de leve sobre uma superfície aqui, observando um detalhe ali. “Os funcionários daqui têm suas vantagens…” —pensou, olhando mais uma vez ao redor, quase desacreditada. Contudo, o tempo começou a passar, e com ele a
Ela ficou em silêncio por um instante, não acreditando no que estava ouvindo. Aquela situação parecia ser boa demais para ser verdade.— Vocês fornecem esse tipo de serviço aqui também? — perguntou, tentando manter a postura.— É claro que não… Estou abrindo uma exceção especial para você — disse, inclinando-se em direção a ela, uma expressão falsamente inocente estampada em seu rosto enquanto parecia dizer um segredo.Kaily sustentou o olhar dele por mais tempo do que pretendia. Havia algo ali que a prendia, não apenas na sua ousadia, mas na forma como ele dizia as coisas, como se já soubesse qual seria a resposta dela antes mesmo que ela se decidisse.Ela apoiou o cotovelo no balcão, aproximando-se um pouco mais, diminuindo deliberadamente a distância entre os dois.— Você tem certeza disso? — perguntou, a voz mais baixa, carregada de desafio — Ou fala isso para todas que aparecem aqui?Um canto do lábio dele se curvou, lento, como quem aprecia um jogo ficando mais interessante.—
Apesar da música alta, sua voz saiu firme o suficiente para atravessar o barulho e alcança-lo. Ela aguardou alguns segundos, mantendo o olhar fixo nas costas do barman, esperando qualquer reação. Mas ele não se virou. — Ei, você está me ouvindo? Só então o homem se virou para ela, um pouco surpreso. — Está falando comigo? — ele perguntou, apontando para si mesmo. — É claro, não há mais ninguém disponível aqui. O barman olhou atentamente para ela, parecendo ainda mais surpreso assim que a viu. Notando a interação entre ambos, outro barman que estava por perto se aproximou apressadamente. — Pode deixar que eu atendo a senhorita — disse, surgindo repentinamente. — Está tudo bem. Pode deixar isso comigo. A resposta veio carregada de uma segurança que não deixava espaço para contestação. Os dois barmans trocaram um breve olhar, como se houvesse uma comunicação implícita ali, e o segundo apenas assentiu, voltando ao que estava fazendo. — Peço perdão. Eu estava um po





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